13 jun 1999 - 23h15

Luiz Carlos Volpato fala sobre inauguração da Arena

Luiz Carlos Volpato é o engenheiro responsável pela construção da Arena da Baixada. A entrevista foi realizada na Arena da Baixada, em junho de 1999. O estádio estava prestes a ser inaugurado quando Volpato recebeu nossa equipe para uma entrevista exclusiva. Em um bate-papo no centro do gramado, o engenheiro contou sua experiência tocando as obras do estádio durante dois anos e revelou informações técnicas sobre a obra, orgulho dos atleticanos. Confira:

Quanto tempo exatamente levou a obra nesta primeira fase?
Até o dia da inauguração, 23 de junho, serão 526 dias.

Esta primeira fase estará totalmente concluída até o dia 23?
Bem, obra é obra, sempre fica faltando alguma coisa… Mas deve estar com 98% concluídos. Vão ficar faltando alguns retoques, que como decorrer dos dias serão eliminados. Estará praticamente pronta.

Quanto à questão da transmissão das TVs, já está acertado o posicionamento das câmeras sobre o muro do colégio para as transmissões?
Sim, está acertado. Já foi colocada uma escada de acesso ao local e estamos preparando a estrutura metálica para montar a cabine, que deve estar pronta até o dia 17.

A Arena tem um conceito totalmente diferente dos outros grandes estádios do país, que visavam mais o tamanho da obra do que o conforto, o uso de materiais mais baratos e práticos e a própria integração com a torcida. Qual a diferença que você entre a Arena da Baixada e estes outros estádios, mais comuns aqui no Brasil?
Eu diria que esta obra é mais racional. O conceito de racional seria difícil de explicar, mas seria o ideal, ou seja, nada de mais e nada de menos. É um estádio que não atende ao pico de público, por exemplo numa decisão de campeonato, onde você teria condições de colocar 60, 70 mil pessoas… A capacidade inicial é de 32 mil aqui na Arena. Mas ela atende à média. É um estádio compacto, com uma visão excepcional do campo de qualquer lugar, próximo ao campo de jogo ­ o que dá a chance para o torcedor ver o espetáculo mais de perto, o que as grandes obras não permitem. No Maracanã, por exemplo, cabem 120 mil pessoas mas você tem que ficar a 50, 60 metros da linha lateral do campo. Aqui a distância é de 8 metros. Ele foi projetado para isso: atender à média, durante o ano todo. Além disso, a infra-estrutura dele faz uma grande diferença. Como o estádio é menor, pôde-se cuidar do conforto também. Sem ostentação, mas há conforto para o torcedor. Aqui o torcedor será tratado como gente, nas instalações sanitárias, nos acessos, nas catracas, para não ter que ficar se acotovelando para entrar… Quer dizer, a o conceito da Arena foi trabalhado em todos os sentidos. Até mesmo os deficientes físicos terão tratamento especial. Sem falar nas garagens, nos elevadores… Temos camarotes nos níveis 3 e 5 ­ a obra equivale a um prédio de 12 a 13 andares, e tem 6 elevadores. E uma área comercial, que vai permitir a instalação operadores para aumentar ainda mais o conforto, como diferentes e diversos tipos de operações de alimentação, e tudo de alto nível. Nós temos algumas já construídas e comum acabamento excepcional. Na frente dos bares os proprietários estão colocando bancos, confortáveis, como seria numa praça de alimentação de um shopping center.

Você participou na elaboração da concepção arquitetônica da Arena? Quais foram os estudos para elaborar esta concepção?
Quando eu comecei a participar deste projeto, em novembro de 1997, existia um projeto que a gente chama de aprovação. É um projeto inicial, para se dar entrada na Prefeitura, que mostra plano de massa e as características gerais da obra, mas não é um projeto executivo. E, antes de desenvolvermos este projeto executivo – que é aquele utilizado exatamente com as medidas certas, específicas para se fazer a obra – nós começamos, junto com a diretoria do Atlético, a estudar o que seria o conceito da Arena – o que seria uma Arena, quais as diferenças de uma Arena para um estádio comum… Então, como faltavam informações, fizemos uma viagem à Europa e visitamos diversas arenas, ou estádios-arenas, e então começamos a perceber quais eram essas diferenças. Então, na hora de desenvolver o projeto executivo, nós implementamos estas modificações. Antes o projeto previa túneis subterrâneos, equipamentos enterrados, e nós liberamos tudo isso. Aqui é tudo dobre o chão, com áreas ventiladas. Resolvemos a questão do telhado. Aumentamos a área comercial em 12 mil metros quadrados. Houve realmente modificações substanciais em relação ao primeiro projeto para se adequar a este conceito de arena. Fizemos os camarins… E mais: começamos a conversar com empresas que produzem e realizam grandes shows e grandes eventos no Brasil para que ela nos dissessem quais eram as deficiências dos estádios brasileiros e começamos a eliminar estes problemas. Nós temos um piso derrapante polido num dos níveis para permitir que aqueles carrinhos que são utilizados para conduzir contêineres, quando vêm grandes shows de fora – que têm rodinhas muito pequenas – possam rodar livremente. Desta forma podemos atender qualquer solicitação para grandes shows. E isso independentemente da iluminação do estádio, porque no geral é assim: num show, se o palco usa uma iluminação muito forte precisa se desligar os refletores. A nossa iluminação da Arena é completamente independente e há uma subestação separada só para shows. Foram estas modificações que fomos implementando até chegar a um conceito final.

A manutenção da Arena será muito cara depois que ela estiver pronta?
Não tenha dúvida. Prevê-se uma utilização durante 365 dias por ano, seja com comércio, seja com shows, seja com jogos de futebol. Nós estamos falando em uma área de 45 mil metros quadrados. Isso aqui na verdade vai se tornar, além de um estádio, um grande centro comercial, durante 16 horas por dia. isso custa caro.

Na sua opinião, com este empecilho do colégio, a obra não fica “aleijada”?
Claro que, arquitetonicamente, você teria muitas vantagens com obra completa, até mesmo na capacidade do estádio. Mas eu acho que o Atlético vem vencendo uma etapa muito importante e isso é um problema até desprezível no momento. Hoje temos aqui um estádio com capacidade para 32 mil pessoas, confortável, um campo fantástico, no centro da cidade… Acho que são tantos pontos a valorizar que isso, na minha opinião, se torna insignificante. Agora, é óbvio que, de agora em diante, o Atlético vai se estruturar novamente – porque esta obra foi feita com dificuldades, todo mundo sabe. Jogando em casa, com seu estádio, gerando recursos, pode se resolver este problema com facilidade. Agora vai ficar simples.

A torcida do Atlético sempre foi conhecida pela pressão que exerce dentro da Baixada. A acústica do estádio ficará prejudicada sem esta reta das arquibancadas?
É só dar um grito aqui para se perceber como é, só com o que nó temos aqui. A Baixada antiga já era um inferno, a torcida já transformava num verdadeiro inferno. E ela não era tão alta e não era fechada. Agora vai ficar insuportável. Se você sozinho der um grito aqui vai perceber o que eu estou falando. Agora imagine com isso aqui lotado… Não se discute que quando se fechar o estádio inteiro a pressão será bem maior, será o verdadeiro “caldeirão”. Mas eu acho que isso que nós temos aqui já vai atender totalmente às expectativas da torcida.

A diretoria já deu algum sinal de quando poderia se iniciar as obras da segunda fase?
Não, não há uma previsão.

E quanto tempo levaria esta segunda etapa?
Seis meses.

Então, tudo certo para o dia 23?
Tudo ok!



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Li em um texto que estão sugerindo o Lucho Gonzalez para ser o técnico do CAP para 2020. Foi para mim uma sugestão muito acertada…