11 nov 2001 - 17h37

Leomar: “Tenho sangue rubro-negro”

O incansável leão da meia-cancha atleticana. Assim o definia a Revista do Atlético, em sua primeira edição, editada em janeiro de 1996. A publicação se referia ao volante Leomar, que havia sido um dos campeões brasileiros da Série B no ano anterior.

Leomar Leiria foi revelado pelo rubro-negro no início dos anos 90 e jogou por mais de seis anos no clube. Foi vendido ao Sport, onde está até hoje e chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira neste ano.

Nesta terça-feira, Leomar reecontrará a torcida atleticana em seu primeiro jogo na Arena da Baixada. A Furacao.com conversou com o atleta, que revelou ainda torcer para o Atlético.

Como foi o começo da sua carreira no futebol?
Eu comecei a jogar na escolinha, treinado pelo Milton do Ó, que é pai do zagueiro Milton do Ó, que já jogou aqui. Depois, ele me indicou para o Atlético, onde eu fiz testes e fui aprovado. Fiquei nas categorias de base até 90. Em 91, fui para o Iguaçu e depois retornei para o profissional do Atlético.

Nos Juniores do Atlético você chegou a jogar com algum jogador famoso?
Joguei com o Paulo Rink, com o Alex (Lopes) e vários outros jogadores que se destacaram.

Você ainda mantém contato com esses companheiros do início da carreira?
Eu conversei com o Alex no ano passado, quando ele estava no Batel, em Guarapuava. Agora parece que ele está na China, junto com o Zequinha e alguns outros jogadores que eram do Atlético. O Paulo Rink está na Alemanha e nunca mais mantive contato com ele.

Quais as diferenças de estrutura do Atlético do início dos anos 90 para hoje, uma década depois?
Nos meus tempos de Juniores até os primeiros anos de profissional, 92 e 93, o clube tinha um pouco de dificuldades. Eu não conheço a estrutura atual do clube. Não conheço o Centro de Treinamentos e nem o estádio. Mas esse trabalho vem desde 95, quando o Atlético Paranaense subiu para a primeira divisão e, desde lá, vem fazendo campanhas maravilhosas.

O ano de 1995 é considerado um marco na história do Atlético. No primeiro semestre, o time perdeu de goleada para o Coritiba por 5 x 1. Depois deste jogo, mudou a diretoria e o clube passou a crescer. Você, que participou deste jogo, pode nos contar alguma coisa sobre o ambiente entre os jogadores após a derrota?
O ambiente sempre fica conturbado. Perder e ainda por uma diferença grande num clássico não é bom. Não foi bom para o clube, mas a partir dali vários dirigentes tomaram a frente e passaram a investir no Atlético. Mario Celso Petraglia e Ademir Adur, que são excelentes pessoas, continuam fazendo um grande trabalho até hoje. Desde lá, o Atlético se tornou campeão paranaense por duas vezes e possui uma ótima estrutura.

Outro momento marcante em 95 foi a conquista da Série B, com você novamente no time titular…
A Série B foi uma conquista muito boa. Fizemos uma campanha boa durante todo o campeonato e fomos merecedores do título. Este título foi muito importante para o clube, que hoje está colhendo os frutos. O Atlético vendeu alguns jogadores e arrecadou bastante dinheiro.

Você foi um destes jogadores vendidos. Em 96, você foi para o Sport, onde está até hoje. Foi uma indicação do Leão, que tinha trabalhado com você no Atlético?
Diz o Leão que foi indicação dele, mas quem estava no Sport na época era o Hélio dos Anjos. Ele tinha trabalhado comigo no Atlético em 95 e voltamos a nos encontrar no Sport.

O que você pode falar sobre a estrutura do Sport? Pode ser comparada à do Atlético?
Eu não acredito que ela seja tão boa quanto está hoje a do Atlético, mas o Sport tem uma estrutura boa. Só não tem Centro de Treinamento, mas o estádio fornece várias condições. Precisa de algumas reformas para que o clube seja realmente comparável com os clubes grandes.

E a torcida do Sport? É parecida com a atleticana?
Eu acredito que a torcida lá é até mais fanática. É uma torcida um pouco mais calada, que não agita tanto no jogo e só espera o momento certo. É uma torcida doente, que sofre junto com a equipe.

A imprensa chegou a denominar sua rápida passagem pela Seleção Brasileira como “Era Leomar”. Antes de um elogio, a expressão foi usada para criticar a má fase do futebol brasileiro. Você achou as críticas injustas?
Eu achei injustas. Não existe isso de crucificar um jogador por uma má campanha. Foi feito esse trabalho por trás para derrubar o treinador. Eles me pegaram para cristo para que isso afetasse o Leão. Eles acabaram conseguindo principalmente porque perdemos a Copa das Confederações.

É mesmo diferente jogar na Seleção ou é como se estivesse defendendo um clube?
Você tem uma responsabilidade maior porque está representando uma nação. Você precisa ter uma seriedade e isso eu tive. Foi injusta a forma como fui tratado porque não fui eu o responsável. Má campanha o Brasil está fazendo até hoje. Até hoje estamos ameaçados de não irmos para a Copa. Mas apesar disso, eu não guardo mágoas. Fiquei muito contente por jogar na Seleção.

Qual foi seu adversário mais difícil de marcar?
Essa é difícil. Olha que sou bom marcador, viu? (risos). Olha, os franceses são muito rápidos. O Pires é muito difícil de marcar. Dentre os brasileiros, o Roger é um dos mais difíceis.

Você ainda se considera um atleticano?
Ainda tenho sangue rubro-negro. Não posso esquecer de onde eu comecei e o clube me deu condições de estar onde eu estou hoje.

Você pensa em voltar para encerrar sua carreira no Atlético?
Quem sabe, né? Quem sabe futuramente eu esteja de volta…



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