15 out 2002 - 11h28

Semana do Atleticanismo

Eu tinha 17 anos em 1996. Estava empolgadíssima para assistir um jogo
de futebol na Baixada, e havia chegado a hora. Atlético x Palmeiras.
Uma chuva louca, um tempo horrível. Meu pai hesitando, não queria ir
comigo, nem queria que eu fosse com meus amigos. Mas eu tenho um dom:
vencer pelo cansaço.

E lá fui eu, feliz e contente de braços dados
com meu pai. Lembro perfeitamente que, à época, o craque do Palmeiras
era Djalminha. “Quem é Djalminha, pai?”, e ele me respondeu “É o 10”.
Eu, sinceramente, não o vi pegar na bola. Talvez ele até tenha jogado
bem, mas eu estava atordoada. Meu Deus, o que era aquilo? Aquele
estádio abarrotado de gente, todo mundo vibrando e cantando feliz
naquela chuva. E no gramado, um show de Oséas e Paulo Rink. Foi
manchete em todos os jornais “O Super Palmeiras levou um (literal)
banho do Rubro Negro”. A partir desse dia, viciei. Tudo que era jogo
eu dizia “Pai, o sr. vai comigo?”. Se ele dizia que não, eu ia
sozinha.

1997, 1998..Pinheirão…e eu sempre lá. Era longe pra caramba da
minha casa, mas eu sempre dava um jeito de ir. Lembro perfeitamente
do jogo da Copa do Brasil contra o Vasco. Minha memória falha agora,
não sei se 97 ou 98. Eu odiava Edmundo e não consigo esquecer do soco
que ele levou do Andrei, que o deixou nocauteado. Em seguida, veio o
golaço de Paulo Miranda. Saí do Pinheirão rindo à toa. Na final do
Paranaense de 98 também, conta o Verdinho. Mesmo
Pinheirão…abarrotado de gente. Caí da arquibancada e quase quebrei
meu pé, mas não sentia dor. A euforia era maior. E tantas outras
coisas que me lembro. Inclusive um jogo anormal contra o Corinthians,
aqueles terríveis 6 x 2. Esse é melhor não comentar.
Chegou 1999. 24/06/1999. Um dos dias mais lindos da minha vida. Saí
de casa para encontrar com o pessoal. Nos bolsos da calça jeans,
levava um pacotinho de Kleenex, pois sabia que iria usá-los. Batata.
Sorte que no pacotinho vinham 10 lencinhos, estávamos em 5 pessoas,
dividi dois para cada um. Acho que nenhuma daquelas 30 mil pessoas
conseguiu conter as lágrimas quando o coração do Joaquim Américo
começou a bater (juro que me arrepiei agora, só de lembrar). O resto
não preciso falar. Foi tudo emocionante.

Foi tão bom ver o nosso
Templo Sagrado ali, pronto, só para nós.
Em 99, comprei o Pacote de ingressos. Fui em todos. Posso lembrar de
dois, em particular. Um, contra o CAM, um empate de 2 x 2. Mas o gol
que o Alberto fez foi algo extraordinário. E outro, contra o
Cruzeiro, já pela Seletiva.. estávamos há 1 passo da Libertadores da
América. E chegamos. Grande Lucas. Vi pela TV o Capitão Leonardo
erguer a taça. Depois, vesti minha camisa e fui passear pelo bairro.
Levei buzinadas, xingões…de tudo. Tava valendo. MEU time tava na
Libertadores.

Em 2000, o mais marcante com certeza foi o gol chorado de Gustavo na
Final do Paranaense. Não me esqueço daquele goleiro Gilberto do
Coritiba, após o Gol do Leandro Tavares, pulando feito um macaco e
mandando a torcida atleticana calar a boca. O castigo desta vez, para
o Gilberto, não tardou, muito menos falhou. Quem falhou foi ele, para
sorte e felicidade nossa. Ah Gustavo…grande (e raçudo) Gustavo.
Em 2000 também teve Libertadores. Chegou a decisão contra o CAM. Meu
Deus, que frio! Mas esquentei de nervoso. Pena que não deu. Foi
triste, muito triste.

No dia seguinte, não consegui nem sair de casa.
Mas foi uma campanha linda
Sobre 2001 não preciso falar nada. Foi meu ano de conclusão da
Faculdade, não dava pra ir em muitos jogos, mas eu dava sempre um
jeitinho. Fui na semi final contra o Fluminense. Acho que levei uns
três dias pra cair na real e acreditar que estávamos na Final do
Brasileirão. E que viesse o São Caetano.
Matei aula, matei trabalho e fui pra fila comprar ingresso. Não
consegui, infelizmente. Fiquei de fora da festa. Mas vivi a emoção
como se estivesse lá dentro. O Domingo estava silencioso, não moro
muito distante da Arena. Minha casa em silêncio…eu podia ouvir
perfeitamente o som que ecoava do estádio. Então, liguei a tv e
assisti o jogo, cantando junto com o povo, como se estivesse lá
dentro. Que Domingo maravilhoso. O seguinte, foi tudo! Meu Deus, que
felicidade ver nosso Rubro-Negro Campeão Brasileiro de 2001.

Parece
que foi ontem… e lembro que só consegui dormir naquele dia depois
de ouvir o caminhão dos Bombeiros chegar e de ouvir ecoar novamente o
Hino do meu clube do coração. Estava quietinha no quarto, com a
janela aberta e delirando. As lágrimas corriam no meu rosto e eu
pensava: “Como é bom ser Atleticana”.

Vanessa Braun – 23 anos
Secretária Executiva
Curitiba – PR
vane.b@terra.com.br

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