22 jul 2003 - 11h15

Rogério Corrêa, o zagueiro universitário

Rogério Corrêa começou sua carreira como volante do Goiânia, depois de ter sido reprovado em testes para as categorias de base do Goiás. Vingou-se do time esmeraldino marcando o gol do título do Campeonato Goiano de 2001, já vestindo a camisa do Vila Nova. No mesmo ano, transferiu-se para o Atlético. Assumiu o posto de titular e conquistou o troféu mais importante de sua carreira, o de campeão brasileiro. Depois disso, virou xodó da torcida rubro-negra. Mesmo muito jovem, Rogério destaca-se pela liderança e pelas opiniões formadas sobre todos os assuntos. Recentemente, passou no vestibular para Educação Física e pretende conciliar a bola e os estudos. Confira a entrevista exclusiva concedida por Rogério Corrêa à Furacao.com:

Quando você começou a jogar futebol? Qual foi o momento em que decidiu que iria ser jogador profissional?
Eu comecei com o meu avô, que sempre foi uma pessoa persistente, levando eu, meu irmão e meu primo a treinar. Ele tinha um time de futebol e a gente jogava no time dele. Então eu comecei a gostar e me empolgar. Na época eu tinha 8, 9 anos de idade e eu comecei a andar junto com ele para jogar.

Era um time amador?
Era. Jogávamos nos campeonatos de várzea, eu jogava de volante.

Você fez algum teste para entrar em algum clube?
Eu comecei na escolinha do Goiás, mas aí teve um teste para ir às categorias de base e não passei. Então fui para o Goiânia, logo em seguida virei titular e fomos jogar a final contra o Goiás. O Goiânia nunca tinha sido campeão nas categorias de base, mas naquele ano fomos campeões e logo contra o time que eu havia sido dispensado. Fomos quatro anos campeões seguidos com aquele time.

Algum outro jogador daquele time está jogando ainda?
Tinha o Rogério Souza, o Cleiton, que está no Vila Nova, o Antônio Carlos, que está no São Raimundo, o Edgar, que estava em Manaus e vários jogadores que ainda continuam lá em Goiás.

Você ficou magoado por ter sido dispensado do Goiás?
Fiquei chateado. Na época do teste eu fui muito bem, sempre treinava bem e era bastante dedicado.

Chegou a pensar em desistir da carreira?
Pensei. Aos 16 anos, indo para os Juniores, parei de treinar. Mas meu pai ligou para a diretoria do Goiânia e disse: ou ele recebe uma ajuda de custo ou ele vai parar. Então o pessoal me deu a ajuda e eu voltei a jogar.

Você jogou sempre de zagueiro?
Não, comecei como volante. Em 99 fui para a Taça São Paulo de Juniores jogar pelo Santo André e o treinador, Ari Matovani, disse que eu tinha várias qualidades de zagueiro e me colocou nessa posição.

No início da carreira, você foi dispensado pelo Goiás. Depois de alguns anos, eles chegaram a tentar sua contratação?
Sim. Antes de eu vir para cá eles tentaram me contratar, quando fui campeão goiano.

Você fez o gol do título do Vila Nova sobre o Goiás, certo?
Fiz. Aí vim para o Atlético, mas o Goiás queria que eu fosse para lá.

Você participou da negociação?
Não, meu empresário disse que tinha um time da Séria A interessado. Eu perguntava qual, mas ele não falava, pedia apenas para eu continuar treinando. Ele falou numa sexta-feira que eu iria para o mesmo time do Rogério Souza e na segunda-feira eu vim para Curitiba.

Você já conversava com o Rogério sobre o Atlético?
Já, eu conversava bastante com ele e ele ligava lá para o Goiânia, falava como era o Atlético e eu gostei pra caramba.

Como foi a emoção quando o Baltazar disse que você iria jogar no Atlético? Você tinha idéia de como era a estrutura do Atlético?
Não, não tinha. Fiquei bastante feliz. Quando visitei o CT fiquei deslumbrado, é uma coisa maravilhosa que o Atlético tem. E uma coisa que me impressionou bastante foi no primeiro jogo na Baixada, contra o Grêmio, que estava praticamente lotada. Fiquei bastante emocionado. Estava acostumado jogar no Serra Dourada com 60 mil pessoas, mas prefiro jogar na Baixada com 30 mil, que é dez vezes melhor que jogar com 60 mil lá.

Rogério comemora um gol pelo Atlético

Quando você chegou no Atlético você tinha 22 anos, agora você tem 24. No que você mudou tanto na sua vida pessoal e profissional?
Acho que mudei bastante. Principalmente na maneira de jogar. A pessoa fica mais experiente a cada ano. Você sempre procura orientar e ajudar. Quando cheguei eu era calado. Nas finais do Brasileiro, o Nem brincou comigo dizendo: “Quando você chegou eu mandava você pegar ali, pegar aí e você ia. Agora você quer mandar eu pegar, você tá mudado”. Pô, mas eu não quero só obedecer, quero mandar um pouco também.

Você foi titular desde que chegou ao clube?
Eu comecei a trabalhar com o Mário Sérgio. Ele ouviu falar sobre mim e disse que queria um zagueiro no meu estilo. Ele quis jogar com três zagueiros e logo no primeiro treino eu já virei titular. Tive alguns altos e baixos, mas hoje estou bastante contente.

Qual foi o melhor parceiro que você teve na zaga?
Foram o Gustavo e o Nem. Para mim, são inesquecíveis por tudo que a gente passou durante os seis meses, as críticas contra nós, a amizade e por termos sidos campeões brasileiros.

Falando no Gustavo e no Nem, é melhor jogar no esquema 3-5-2 ou tanto faz?
Não sei como falar, mas o 3-5-2 é melhor para os laterais, que estão toda hora na frente. Para os zaqueiros, cada um pega um e a responsabilidade é dos três. No 4-4-2 é diferente, pois os laterais ajudam na defesa, o volante também ajuda. Mas por ter jogado um ano com o Geninho nesse esquema, eu gostei bastante do 3-5-2.

Você já tinha jogado assim antes ou só quando chegou aqui?
A primeira vez foi com o Mário Sérgio, pois em Goiânia nós jogávamos no 4-4-2.

E quem foi o zaqueiro que mais te ensinou sobre a posição?
Acho que os dois (Gustavo e Nem), também. Por eu ter chegado novo aqui e não saber como era o futebol de primeira divisão. Principalmente o Nem, que sempre gostava de conversar bastante. Hoje uma pessoa bastante dedicada é o Capone. Ele passa bastante experiência para mim, nós ficamos na concentração juntos e ele sempre passa o que sabe para mim. É outra pessoa que a cada dia que passa estou gostando mais.

Você já chegou a ser capitão do Atlético em algumas partidas. Você gosta dessa condição de líder?
Acho que já fui capitão umas 15, 20 vezes. É uma experiência diferente. Você tem certas responsabilidades não só de falar com o juiz, mas como orientar sua equipe na hora certa. Gostei e pretendo voltar a ser capitão algum dia, mas prefiro deixar o Leomar, que é uma pessoa bastante experiente e sabe como levar as coisas.

É algo que você precise se preparar ou é natural?
É natural. A hora que você pega a faixa você sabe o que precisa fazer.

Em 2001, quando os jogadores realmente sentiram que iriam conquistar o título?
Quando a gente se classificou, o Geninho disse que se nós ganhássemos do São Paulo, nós seríamos campeões brasileiros. Então ele trabalhou em cima disso e quando ganhamos deles, ele disse que nós seríamos campeões brasileiros de qualquer jeito.

E foi na final que o Geninho entregou faixas de campeões brasileiros antes da partida?
Antes do segundo jogo, na preleção ele entregou faixas de Campeão Brasileiro de 2001 para cada jogador e disse que, para ele, já éramos campeões. Isso foi uma motivação a mais, ouvir de uma pessoa como o Geninho que nós seríamos campeões.

Mas não havia o risco de o grupo tremer com uma responsabilidade dessa?
Pra mim, marinheiro de primeira viagem, foi uma motivação a mais. Quando acabou o primeiro jogo, 4 a 2 para nós, eu comentei com o meu companheiro de quarto, que na época era o goleiro reserva, o André Luis (hoje no Ituano), que nós já éramos campeões e que não teria jeito de nós perdermos aquele título. Outra coisa que ficou marcado foi o trabalho da nossa psicóloga, a Suzy Flery. No jogo contra o São Paulo, ela reuniu todo mundo numa sala e passou uma fita falando que aquele time seria campeão brasileiro. Nessa fita tinha um show de músicas, com algumas músicas românticas e outras mais agitadas com as nossas jogadas bonitas e gols. Aquilo chocou a todos nós e ela disse que a cada jogo que nós ganhássemos, ela iria aumentar o número de jogadas na fita. Todo mundo se emocionou com a fita e ficou arrepiado. Toda minha família tem a fita e de vez em quando na casa do meu sogro a gente vê e relembra como é bom ser campeão do Brasil.

Quando você veio para cá, chegou a imaginar que seria campeão brasileiro logo no seu primeiro campeonato?
Naquele ano teve o meu primeiro título goiano, com três anos de profissional e foi meu primeiro título da primeira divisão logo em seguida. Foi um ano inesquecível, algo maravilhoso, com toda minha família, meus amigos e o povo de Goiânia contente. É algo que eu jamais vou esquecer.

Você lembra de algum outro momento que marcou a campanha do título?
Acho que o marcou bastante foi a época em que nós ficamos 12 jogos invictos, quando o Mário Sérgio saiu e o grupo se fechou para não deixar que a imprensa e o torcedor batesse na gente, pois o que nós mais queríamos mesmo era se classificar entre os oito.

De certa forma foi uma resposta ao Mário Sérgio?
Foi sim, porque ele saiu falando coisas demais. Ele é um excelente treinador, até hoje acho um dos melhores que já passou por aqui, mas ele entendeu errado algumas coisas que aconteceram e nós também queríamos ajudar o treinador que estava chegando.

As críticas do Mário Sérgio foram específicas sobre os jogadores saírm à noite. Você acha que a torcida tem o direito de cobrar ou o jogador tem o direito de sair?
A torcida e a imprensa têm o direito de cobrar, mas somente a partir do momento que o jogador estiver jogando mal. A hora que ele não está rendendo em campo, ela tem o direito de cobrar, de xingar e tudo mais. Agora se ele tá jogando bem e está saindo, acho que não importa. O importante é ele fazer o seu papel dentro de campo.

Mas naquela época o time realmente não estava bem, não é?
Eu estava fora. Joguei os cinco primeiros jogos e tive que fazer uma cirurgia no joelho, depois fiquei seis jogos do lado de fora, quando nós tivemos quatro derrotas, um empate e uma vitória. Aí o Gustavo saiu para tirar os pinos do tornozelo e estavam tendo muitas críticas aos jogadores que estavam atuando.

E os jogadores estavam saindo à noite mesmo?
Se eu falar que nenhum jogador sai é mentira. Se você ficar indo da sua casa para o trabalho e do trabalho para sua casa vira uma rotina que vai chegar uma hora que você vai estourar. Ou você vai pular do 16º andar do seu prédio ou você vai sair batendo em todo mundo. Então tem que sair, mas tudo tem a hora certa.

O que você fez depois do título? Você foi para Goiânia ou veio para Curitiba?
Primeiro vim para cá, comemorei junto com a torcida e depois fui para Goiânia festejar com a minha família. O aeroporto estava lotado, tanto pela minha família como pela família do Rogério Souza. Descansamos e festejamos bastante. É algo muito difícil de ocorrer no futebol: ser campeão duas vezes no ano. Foi um final de ano muito feliz.

A exemplo de outros jogadores, você chegou a receber propostas de outros clubes para sair do clube depois do título?
Houve o interesse de alguns times. Meu empresário não chegou a comentar qual time. Mas eu não pretendia sair do Atlético porque eu queria disputar uma Libertadores. Inclusive fiquei bastante chateado porque a gente não foi bem na Libertadores.

Você acha que algumas dessas propostas chegou a abalar alguns jogadores e contribuiu para a fraca campanha em 2002?
Realmente foi fraca. O Atlético fez um planejamento para um time disputar a Sul-Minas e outro a Libertadores. A Sul-Minas dava a vaga para a Copa dos Campeões, que era algo que o clube também queria. Só que perdemos o primeiro jogo e aí desandou tudo. O time titular que estava começando os trabalhos físicos teve que ir direto para a Sul-Minas. Uns estavam bem e outros não.

Zagueiro vibrou muito com o título de 2001

Começou tudo errado?
É como diz aquele ditado: começa errado, sempre termina errado. Em 2001, eu cheguei em junho e nós fizemos uma preparação física de um mês, aí começou certo. Mesmo se nós não tivéssemos sido campeões brasileiros, teríamos chegado entre os primeiros.

Na época surgiu um boato que os jogadores pediram para não jogar, pedindo um tempo para descansar, é verdade?
O campeonato brasileiro acabou dia 24 e logo no dia 20 de janeiro já tinha jogo contra o Cruzeiro. A gente veio de seis meses de maratona e ficamos dez dias de férias. Alguns jogadores realmente quiseram alguns dias a mais de férias. Nós também precisamos descansar.

Recentemente, com a contratação do Tiago e do Capone, você temeu perder a posição de titular?
Um grupo bom se faz com vários jogadores. Quando eu fiquei sabendo que eles vinham, eu procurei trabalhar mais, assim como eles estão buscando o espaço deles. Então eu procurei fazendo a minha parte. Se eu continuar trabalhando forte eu vou conseguir o que eu quero.

Por que o Atlético não está conseguindo fazer uma boa campanha neste Brasileiro? O que está faltando?
Está faltando um pouco de sorte. Em alguns jogos fora a gente joga bem, mas não estamos conseguindo a vitória. Tem outras partidas em que estamos criando bastante, mas não estamos fazendo os gols. Tem algo errado, mas se jogarmos como jogamos em casa, com tranqüilidade, fazendo contra-ataques rápidos, pode ter certeza que a hora que começarmos a ganhar fora de casa, nós vamos embalar.

E por que o Atlético tem falhado tanto nas jogadas aéreas?
Acho que está faltando um pouco mais de atenção. O professor Vadão adotou um bom esquema agora, cada um pega o seu. Nós tomamos alguns gols em que um deixa pra lá e o outro deixa pra cá, o que acabou gerando algumas críticas. Mas acho que faz três partidas (Corinthians, São Caetano e Goiás) em que o time está bem e não está tomando gols de cabeça.

Por que o Atlético não está se dando bem contra o Coritiba e o Paraná Clube? Em todos os jogos tem jogador expulso… É marcação da arbitragem, marcação da imprensa, pressão da torcida? O que acontece?
Atletiba sempre é conturbado. É igual Goiás e Vila Nova. A semana do Atletiba é sempre diferente dos outros jogos. A imprensa se envolve, diretores… tudo para promover o clássico. Da minha parte é um jogo normal, é um jogo bom de se jogar porque o cara que jogar bem é bem falado.

É isso que falta para o Atlético. Encarar o Atletiba como um jogo normal. A gente sempre pensa que o clássico é a última partida da vida.
Eu não posso falar muito porque no meu primeiro Atletiba que disputei fui expulso no primeiro tempo (por erro da arbitragem). Eu fui matar uma jogada na área na qual o jogador (Marquinhos Cambalhota) foi em rumo do gol e o juiz me deu cartão vermelho. Foi uma falta normal e não descontrole. Acabei sendo prejudicado. Mas um clássico desse qualquer pessoa quer disputar. Se fizerem 15 clássicos, querem disputar 15 clássicos, só que com tranqüilidade porque o tumulto dentro de campo gera tumulto fora dele. O torcedor vê briga no gramado e quer brigar também.

Uma das maiores críticas que recebemos é que você abandona muito a zaga e vai ao ataque. Isso é uma coisa sua ou os treinadores pedem que você faça essa jogada?
Desde o Goiânia joguei assim. Eu procuro antecipar as jogadas, antecipo o atacante. Eu parei um pouco porque me criticaram em 2002 . Agora eu tenho a liberdade do Vadão que na hora em que eu antecipar as jogadas eu posso ir ao ataque. Tanto que eu fiz o gol da Copa do Brasil contra a Tuna Luso. Eu procuro não deixar a zaga desguarnecida, mas sim querer ajudar um pouco como homem-surpresa.

Você falou que recebeu muitas críticas sobre o seu trabalho no ano passado. Você costuma acompanhar o noticiário?
Às vezes eu procuro me informar para saber se estou fazendo a coisa certa. Essas críticas que eu recebi no ano passado também são de origem da época do Espinosa. Ele não gostava que eu e o Igor subíssemos ao ataque. Hoje o Vadão diz que essa é uma de minhas virtudes, uma das coisas que eu tenho de bom e que ajuda, não atrapalha.

E como você encara as críticas para as suas atuações?
Se numa partida eu vejo que eu não fui bem, eu mesmo após o jogo paro e penso. Meu pai assiste a todos os jogos pelo pay-per-view lá em Goiânia e a cada partida que eu vá mal ele critica ou se eu vou bem recebo elogios. Então quer dizer: não só da parte do meu pai, minha, da imprensa ou da torcida, eu sempre encaro as críticas pelo lado positivo. Se eu vejo que estou errado, eu aceito numa boa e procuro trabalhar para que tudo fique bem.

Há pouco tempo você chegou a ter um desentendimento por achar que as críticas estavam injustas.
Eu estava fazendo o que o Vadão pedia e achei um pouco injusto. Eu sei que em algumas partidas eu não vim bem. Dentro de campo eu queria adivinhar uma jogada e acabava dando errado, principalmente porque eu queria saber o que o atacante queria fazer para antecipar a jogada e armar o ataque.

A sua relação com a torcida também ficou um pouco abalada.
Realmente. Se a imprensa critica, o torcedor sempre ouve. E o torcedor vai pelo o que o profissional de imprensa está falando. Ele nunca vê o que o jogador, o treinador está fazendo dentro de campo.

Então você acha que a torcida está se precipitando ao criticar?
Eu acho que sim. O campeonato é longo e sempre vão ter altos e baixos. Só que o nosso time não está encontrando uma vitória fora de casa. A gente espera embalar como foi em 2001. Nenhum jogador do Atlético quer estar na posição em que a gente se encontra. A gente quer estar lá em cima, nas primeiras cabeças. O torcedor pode esperar que essas vitórias vão acontecer.

Quando você fica de fora das partidas, qual a sensação de não poder ajudar os companheiros do time?
Eu sou uma pessoa que fica nas cadeiras ou nas arquibancadas torcendo demais. Eu chuto junto, eu cabeceio e xingo juntos. Acabo entrando realmente no clima da partida e se excedendo.

Você costuma assistir futebol pela tv?
Assisto muito. Por eu estar na profissão eu costumo ver os jogos do pay-per- view.

O que você faz nas horas de folga?
Eu gosto bastante de namorar. Eu passo mais tempo na casa do meu sogro do que na minha própria casa. Também vou bastante aos shoppings e cinemas. Quando não tem ninguém de Goiânia aqui em Curitiba eu fico sozinho e procuro ficar bastante com a família da minha namorada.

Como foi a sua a adaptação aqui em Curitiba?
Hoje eu estou mais tranqüilo. No começo, quando eu cheguei em 2001, sofri bastante com o frio. Lá em Goiânia o frio é de 18°, 20° graus e cheguei aqui com 0°. Deus me livre! (risos). E esse ano também está complicado porque o inverno está mais rigoroso, mas eu acostumei. A cidade é maravilhosa e eu estou muito contente.

Quando você chegou já tinha apartamento alugado ou ficou no CT?
Eu fiquei morando duas semanas no CT porque houve aquela pré-temporada. Logo depois procurei um apartamento e estou sozinho.

Qual foi o primeiro jogador que você encontrou no Atlético?
Eu já tinha bastante amizade com o Rogério Souza e conhecia o Adauto (jogamos juntos no Santo André, em 1999, pela Copa São Paulo). Logo em seguida tive um bom entrosamento com todos no grupo, que era muito brincalhão e deixava a gente à vontade.

Recentemente a imprensa pegou no pé do goleiro Marcos porque ele seria fumante. O que você acha dessa questão de cigarro e bebidas alcoólicas? Existe muito disso no futebol atual?
O jogador tem todo o direito de fazer o que ele quiser, tanto que dentro de campo ele ajude. Só que tem coisas que não pode, né? Eu mesmo nunca fumei, detesto cigarro, detesto quem fume perto de mim e eu acho que atrapalha. Se o jogador fuma e bebe, foi como eu falei, deve mostrar nas partidas mais ainda que sabe jogar.

A quem pertencem os seus direitos federativos? A lei Pelé foi benéfica ou ruim para você?
Hoje o Atlético tem 50% do meu passe e o Goiânia a outra metade. Eu tenho contrato de quatro anos e ainda restam dois pela frente. A lei Pelé foi uma boa para os jogadores, pois termina o contrato e o jogador tem o passe na mão. Só que ao mesmo tempo em que eu eu posso me dar bem, também posso sair prejudicado. Se daqui dois anos o Atlético não me quer mais e nenhum outro clube da primeira divisão olhar para o meu futebol, vou partir para a segunda, terceira divisão.

Quem é o seu empresário e a sua opinião sobre eles.
Tenho o Baltazar (ex-jogador, artilheiro de Deus) como empresário. Hoje quem está na ativa é sempre bom ter alguém para ajudar.

Como o Baltazar chegou até você?
Na época eu estava no Vila Nova e não tinha ninguém cuidando dessa parte. O Baltazar se ofereceu para auxiliar e disse que se eu acertasse com algum clube da primeira divisão ele poderia me empresariar. Tinham dois clubes interessados no meu futebol: Atlético e Cruzeiro. Acabou dando certo aqui e eu assinei com ele. Antes eu e o meu pai corríamos atrás de tudo.

Procurando uma maior divulgação, muitos jogadores estão contratando assessores de imprensa. Você apóia esse trabalho?
O assessor de imprensa ajuda bastante na divulgação. Eu vou ter em breve já que a minha namorada está fazendo jornalismo. Vai ser tranqüilo porque eu não vou precisar pagar, né? (risos).

A maioria dos jogadores de sucesso no Brasil tem origem humilde e conquistou tudo no futebol. Como é a sua história?
Tudo começou com o meu pai que foi um grande jogador em Goiânia. Hoje em dia todo mundo ainda comenta sobre ele. Na época em que ele atuava chegou-se a cogitar uma proposta do Santos, só que infelizmente ele teve uma contusão séria e ficou quatro anos parado. Eu ia sempre acompanhar os treinos e a gente não tinha uma condição financeira boa. Como eu nunca trabalhei foi tudo sempre no sacrifício, tinha vezes que não havia dinheiro nem para comprar balas. Eu morei um tempo com o meu avô e ele sempre me levava aos jogos, me incentivava… Hoje eu consigo fazer muitas coisas, ajudar a minha família. Está mais tranqüilo, graças a Deus.

Muitos jogadores estão fazendo os chamados trabalhos sociais. O Raí e o Leonardo têm a Fundação Gol de Letra, o Cafu abriu a Fundação Cafu. Você também faz esse tipo de auxílio por ser de origem humilde?
Todo mês eu envio dinheiro para o meu pai e ele compra 10, 15 cestas básicas para pessoas carentes lá em Goiânia. Eu passei necessidade e sei como é você querer comer alguma coisa, um sonho na padaria, e não poder. Todo fim de ano eu faço uma festa para uma creche também lá em Goiás. O jogador tem que ajudar! Quando eu conseguir mais um pouco de dinheiro quero montar uma creche, um time para que eu possa para fazer com que as crianças vivam do futebol.

Qual sua opinião sobre a arbitragem no Brasil?
Há juizes que gostam de complicar e tentam puxar o resultado para determinado time. Eu mesmo falo e grito muito com a arbitragem. Às vezes eles retrucam e são mal-educados. Falam para a gente calar a boca, nos chamam de juvenil, que estamos começando agora… isso é errado e a gente se irrita! Se a gente fala isso para ele nós somos expulsos.

Então deveria de existir a profissão de árbitro? Porque o que eles fazem é nada mais do que um bico.
É claro. Se o jogador tem uma só profissão a arbitragem deveria seguir o exemplo.

Há pouco tempo um cronista esportivo aqui do Paraná afirmou que o técnico de futebol é uma figura desnecessária. Você concorda com isso?
O treinador é o maestro. Ele quem comanda tudo. Se um jogador não está bem o técnico o chama num canto e pergunta o que está acontecendo.

E em relação à parte tática, Rogério?
O jogador dentro de campo faz o que quer. Só que tem atletas inteligentes que fazem o que o treinador pede. Por que depois o que acontece? O time está perdendo, tira o treinador que é mais fácil do que tirar 22. Então… todos devem obedecer a parte tática, já que muitas partidas são decididas neste quesito.

Técnico ganha jogo?
Sim. Às vezes mudando um jogador que está mal, alterando a tática. Vejam o exemplo do Adauto, em 2001. Em todos os jogos ele ficava no banco. Veio a partida contra o Grêmio, ele foi lá e fez três gols… mudando uma peça no time altera a forma de se jogar.

Já aconteceu disso no Atlético? O treinador mudar a forma de jogar no vestiário?
Já. O Geninho já fez isso com a gente. Na partida contra o Guarani, em 2001, ele mudou a forma do Adriano e do Kleberson jogarem. A gente estava perdendo na Baixada e acabamos empatando com um gol meu no fim da partida.

Tem jogador que não entende o que o técnico pede?
Se ele não entender vai ser sacado do time. O treinador pergunta o porquê de não fazer determinada jogada e vai sobrar para o atleta.

Se bem que existem treinadores que se fazem não entender, né?
Realmente. Ele fala 10 coisas e se entende uma.

O grupo pode se reunir para “derrubar” o treinador?
Eu acho que não. Se o grupo se reúne para derrubar o técnico, o que vai ter que acontecer? Vamos ter que começar a perder. E quem gosta de perder? Ninguém!

Sobre os salários. A falta de pagamento atrapalha?
Eu acho que não, mas vai da cabeça do jogador. Fora de campo você fica chateado com as coisas que acontecem afinal temos contas para pagar, faz-se contas pensando que vai receber o salário, deixa-se de ajudar os familiares… é claro que tem aqueles que levam o problema para dentro de campo e acabam se prejudicando. Comigo graças a Deus nunca aconteceu isso e não espero que aconteça.

E hoje? Está tudo em dia no Atlético?
Eu estou no Atlético desde 2001 e dificilmente o clube atrasa os salários. Se atrasa são por poucos dias. Hoje está tudo em dia!

“Quando cheguei, sofri bastante com o frio”

Muita gente critica o trabalho do professor Antonio Carlos Gomes, dizendo que os métodos científicos não podem ser adotados no futebol. Como você encara essa situação?
É um excelente trabalho. Ele sempre reúne o grupo para fazer avaliações e tem um conhecimento muito grande na área por já ter sido atleta. Até hoje todo o trabalho que ele realizou sempre foi bem feito. Alguns atletas acham estranho a gente estar no meio da competição e dar piques no treinamento. É óbvio que é para saber se a gente está bem… tem atleta que está mal e pode melhorar, outros que estão bem e podem abaixar um pouco. E todo o projeto do Professor é para nos auxiliar.

Você foi aprovado em Educação Física neste ano. Como surgiu a idéia de fazer vestibular?
Meu pai sempre teve um sonho de querer ter um filho jogador de futebol só que com estudo. Logo depois que eu terminei o segundo grau, a situação financeira da minha família não era boa. Depois que eu comecei a jogar eu sempre quis fazer vestibular mas nunca dava tempo. No ano passado o Atlético foi eliminado em novembro do Campeonato Brasileiro. Tivemos um mês de férias e eu fiquei uma semana a mais para fazer o concurso, só que eu não tinha o histórico escolar e não teve como… Neste ano eu estudei com a minha namorada e deu certo! Meus pais ficaram muito orgulhosos.

E hoje, como jogador de futebol? Quais são seus planos aqui no Atlético?
Eu tenho uma meta que é a de chegar na seleção. Eu estou trabalhando para isso e espera que aconteça o mais rápido possível. Até antes de eu vir pra cá todo mundo falava que eu tinha potencial. E eu quero melhorar ainda mais para que o meu sonho se realize. Sei que é difícil pelo número de bons zagueiros que existe no futebol brasileiro, mas eu penso que se a pessoa trabalha e se dedica, merece uma chance.

O futebol europeu também é um sonho?
Sim. Todo mundo pensa. Mas eu ainda tenho mais dois anos de contrato com o Atlético e quero trabalhar bastante e ser campeão de novo.

Você aponta algum favorito para ser campeão brasileiro?
Hoje, hoje, não. O Cruzeiro e o São Paulo estão muito bem, mas só faltando 13, 15 rodadas é que iremos conhecer quem realmente vai chegar.

Você gostou do campeonato por pontos corridos?
Não. Se o time não estiver bem o público não vai ao campo. E também gostaria de ver uma final, como Atlético x São Caetano, Santos x Corinthians… futebol sem final é desmotivante.

Recentemente a imprensa comentou que os jogadores fizeram um pacto com o Vadão prometendo ficar entre os oito primeiros ao fim do primeiro turno. Na sua opinião, qual vai ser a posição final do Atlético no Brasileiro?
O Atlético é um clube que tem um grupo muito jovem e está se preparando para fazer um bom campeonato no próximo ano. Só que já neste ano dá para chegar entre os primeiros. E todo o elenco pensa assim: ficar entre os oito no primeiro turno e entre os três no final.



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