29 jul 2003 - 0h43

Quinze anos do título de 88


Jogadores comemoram a conquista.
O ano de 1988 começou de forma difícil para o Atlético. Apesar de ter realizado uma boa campanha no Módulo Amarelo da Copa União de 1987 (quando terminou em terceiro lugar), o rubro-negro enfrentava dificuldades financeiras para manter o mesmo elenco.

Por insistência da diretoria, especialmente do presidente Valmor Zimermann e dos diretores Osni Pacheco e José Carlos Farinhaqui, o técnico Nelsinho Baptista foi convencido a permanecer para a temporada seguinte. Ele havia sido contratado no final do ano anterior e realizara um bom trabalho.

As expectativas para o Campeonato Paranaense não eram das melhores. Alguns dos destaques do rubro-negro na Copa União (o zagueiro Marcão e o meia Pedrinho) foram negociados para quitar dívidas. A solução foi apostar nos jovens valores criados em casa, como o lateral-direito Odemílson, o zagueiro Adilson, o meia Kramer e o volante Roberto Cavalo. Ao lado deles, foram importantes os experientes Assis e Dicão, contratado do Corinthians no meio da competição.

Além disso, o último título estadual havia sido conquistado em 1985. Em 86 e 87, a supremacia do futebol estadual ficou com o Pinheiros (vice em 86 e campeão em 87), clube rico e melhor estruturado. “Quando um time como o Atlético vai iniciar uma competição, sempre se pensa em ser campeão. Mas existia na época o Pinheiros, que era um time que se encontrava numa condição financeira boa. O Atlético tinha algumas dificuldades econômicas, mas a gente sempre pensava em ser campeão”, lembra o técnico Nelsinho.

Porém, a mística da camisa rubro-negra falou mais alto. Logo no início do ano, os bons ventos começaram a soprar em favor do Atlético. O time conquistou o bicampeonato do Torneio Início, disputado em Maringá nos dias 31 de janeiro e 1° de fevereiro.

Durante o Paranaense, Atlético, Colorado e Pinheiros disputaram ponto a ponto a liderança. Apesar da briga acirrada, o Furacão terminou a primeira fase em primeiro lugar, com 27 pontos, um a frente do Pinheiros. O Cascavel ficou em terceiro, empatado com o Colorado, ambos com 25 pontos.

No cruzamento olímpico da semifinal, o Atlético pegou o Colorado e o Pinheiros, o Cascavel. A tarefa atleticana não foi fácil. Na primeira partida, os dois times empataram sem gols. No jogo de volta, disputado no Pinheirão, o Atlético venceu o Colorado por 1 a 0, com gol do ídolo Assis. Aos 43 minutos do segundo tempo, Carlinhos puxou um contra-ataque e cruzou para Assis, que havia entrado no lugar de Henrique, que marcou o gol da vitória.


Time campeão paranaense de 1988.

O Pinheiros também confirmou o favoritismo diante do Cascavel e o Campeonato Paranaense teve a final que todos aguardavam, reunindo os melhores times da primeira fase. O regulamento previa a decisão em dois jogos; caso ambos terminassem empatados, o título seria disputado em um jogo extra.

Foi precisamente o que ocorreu. Na primeira partida, disputada na Vila Olímpica, os dois times empataram por 1 a 1. Na semana seguinte, no Pinheirão, houve o segundo jogo e a expectativa pelo título. Aos 44 minutos do segundo tempo, o Atlético teve um pênalti a seu favor. Carlinhos, o craque do time, foi para a cobrança, mas bateu mal e Toinho fez a defesa.

O atacante rubro-negro ficou tão desesperado que chegou a desmaiar no vestiário. O time esteve tão perto do título, mas deixou a chance escapar e um terceiro jogo foi marcado, novamente no Pinheirão. A história do Atlético mostra que tudo é mais sofrido e mais difícil para o clube.

A grande final foi equilibrada e o gol do título saiu somente aos 22 minutos do segundo tempo. Serginho tocou de calcanhar para Manguinha. Ele deu um passo para trás e tentou bater no canto direito de Toinho. Porém, o chute saiu errado e o artilheiro pegou a bola com a parte de fora do pé, acertando o canto esquerdo do goleiro do Pinheiros. Era o gol do título, o 15° estadual do Atlético.

Esta foi a última conquista do Atlético com a camisa de listras rubro-negras horizontais. Menos de dois meses depois, o clube trocou o uniforme e estreou as listras verticais que são usadas até hoje. Um título de uma época romântica, de dificuldades, de raça e de amor à camisa.

A FINAL

Paranaense – (30/07/88) – Atlético 1 x 0 Pinheiros – Pinheirão
A: Tito Rodrigues (PR); CA: Toinho, Carlinhos, Wilson Prudêncio, Fião e Valbert; P: 23.382; R: Cz$ 7.472.600,00; G: Manguinha, aos 22 do 2º.

ATLÉTICO: Marolla; Odemílson, Fião, Adílson e Luís Carlos; Cacau, Wilson Prudêncio e Oliveira (Dicão); Carlinhos, Manguinha e Serginho. T: Nelsinho Baptista.

PINHEIROS: Toinho; Dirceu Pato, Newmar, De Rossi (Pacheco) e Dionísio; Roberson, Adalberto (Sílvio) e Marinho; Geraldo Touro, Dadinho e Valbert. T: Cláudio Duarte.

O CRAQUE

Carlos Alberto Isidoro, o Carlinhos, foi um dos maiores ídolos da torcida atleticana no final dos anos 80 e começo dos 90. Nascido em Minas Gerais, Carlinhos foi contratado pelo Atlético em 1987 e ajudou o clube a conquistar o vice-campeonato estadual. Ponta-direita rápido e driblador, ele sempre encantou a torcida com suas jogadas ousadas.

Para o técnico Nelsinho, ele foi o grande jogador da conquista de 88. “O Carlinhos era considerado o craque do time, mas tínhamos também o Adilson, que vinha despontando como zagueiro e outros nomes muito bons como o Roberto Cavalo e o Marolla”, conta o treinador, que apostava tanto as suas fichas em Carlinhos que acabou deixando o consagrado Assis no banco.

O ponta, que era chamado carinhosamente de Carlinhos Sabiá, viveu momentos intensos na disputa pelo título. Na segunda partida da final, contra o Pinheiros, teve a chance de dar o título ao Furacão. Aos 44 minutos do segundo tempo, ele bateu um pênalti, mas não conseguiu fazer o gol.

Mostrando amor à camisa, ele chorou e teve de ser carregado pelos companheiros até o vestiário. Lá, ele chegou a desmaiar de tanta emoção. Porém, sua recuperação para a terceira partida foi fundamental para não abalar o grupo.

Sem poder contar com Roberto Cavalo, o técnico Nelsinho deu a faixa de capitão a Carlinhos, que recebeu o apoio de todos. Antes da partida decisiva, ele puxou o coro de “É campeão” entre os jogadores, motivando o elenco.

O MAESTRO

O ex-lateral-direito Nelsinho pendurou as chuteiras em 1984 e no mesmo ano tornou-se técnico. Assumiu o São Bento, de Sorocaba, e passou por Mogi Mirim, Inter de Limeira e Ponte Preta. Pouco mais de três anos depois, o Atlético deu uma chance ao jovem treinador e o contratou com o objetivo de classificar o time para a primeira divisão do Brasileiro (na época, Copa União).

“Quem me levou para o Atlético foi o Farinhaqui. Na época ele era diretor de futebol e ele andava muito por São Paulo. Ele acompanhou meu trabalho na Inter de Limeira e me contratou”, relembra Nelsinho. Depois do objetivo cumprido, ele foi mantido no cargo e comandou a jovem equipe atleticana ao título estadual de 1988.

A conquista foi especial para Nelsinho, já que foi seu primeiro título como técnico. “É muita coisa para mim”, dizia ele, emocionado, após a vitória sobre o Pinheiros na grande final do Paranaense. De fato, até hoje ele não se esquece daquela campanha. “Foi um título muito importante para mim porque, além de estar dirigindo um time de massa como é o Atlético Paranaense, foi meu primeiro título como técnico. Então foi de uma importância fundamental para a minha carreira”, revela.

Ele armou o time no 4-3-3, mas os jogadores tinham liberdade para mudar o esquema dependendo das condições da partida. Assim, em alguns jogos, o Atlético de 88 chegou a atuar com três zagueiros, com o recuo de um volante. Segundo o próprio Nelsinho, sua maior virtude naquela temporada foi a superação.

“Devido a algumas dificuldades que nós tínhamos para trabalhar, eu aprendi que a gente tem de se adaptar. A gente tem de se adaptar às dificuldades e procurar fazer o melhor trabalho. O presidente era o Valmor Zimermann e o vice-presidente de futebol era o senhor Osni Pacheco. Eram abnegados, que trabalhavam por amor ao clube e procuravam dar as condições para a gente. Às vezes tinha atraso no pagamento, mas o grupo era muito bom”, elogia ele, lembrando da conquista quinze anos depois.

A CAMPANHA

27 jogos, 12 vitórias, 10 empates, 5 derrotas, 22 gols pró, 15 gols contra, 7 de saldo.

P R I M E I R O T U R N O

(06.02) Atlético 1 x 0 G. Maringá
(21.02) Platinense 0 x 1 Atlético
(28.02) Atlético 1 x 2 Cascavel
(06.03) Pato Branco 2 x 0 Atlético
(13.03) Atlético 2 x 0 Coritiba
(19.03) Atlético 3 x 1 Matsubara
(27.03) Pinheiros 1 x 0 Atlético
(31.03) Iguaçu 0 x 1 Atlético
(03.04) Atlético 2 x 1 Colorado
(07.04) Londrina 0 x 0 Atlético
(10.04) Apucarana 2 x 0 Atlético

S E G U N D O T U R N O

(18.04) G. Maringá 2 x 2 Atlético
(24.04) Atlético 0 x 0 Platinense
(01.05) Cascavel 0 x 0 Atlético
(07.05) Atlético 1 x 0 Pato Branco
(15.05) Coritiba 1 x 1 Atlético
(22.05) Matsubara 0 x 1 Atlético
(02.06) Atlético 0 x 0 Pinheiros
(05.06) Atlético 2 x 1 Iguaçu
(12.06) Colorado 1 x 0 Atlético
(19.06) Atlético 1 x 0 Londrina
(26.06) Atlético 0 x 0 Apucarana

S E M I F I N A L

(03.07) Colorado 0 x 0 Atlético
(10.07) Atlético 1 x 0 Colorado

F I N A L

(17.07) Pinheiros 1 x 1 Atlético
(24.07) Atlético 0 x 0 Pinheiros
(30.07) Atlético 1 x 0 Pinheiros

ARTILHARIA

10 gols – Claudinho (Cascavel)
08 gols – Dadinho (Pinheiros), Cláudio Abade (Apucarana) e Chulapa (Iguaçu)
07 gols – Manguinha (Atlético)



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