10 dez 2003 - 0h01

Oito anos da volta à primeira divisão

Eram 19 minutos do primeiro tempo quando o cerebral João Antônio lançou a bola em diagonal. Paulo Rink dominou e encheu o pé, chutando cruzado no canto inferior esquerdo do bom goleiro Aílton Cruz. A bola ultrapassando a linha do gol foi o preciso momento que definiu o retorno do Atlético à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Naquela tarde de domingo, 10 de dezembro de 1995, o Atlético definia sua sorte na Segundona para, tomara, nunca mais voltar a freqüentá-la. Há exatos oito anos, na cidade de Mogi Mirim.

O Atlético vinha de uma vitória apertada na Baixada, com um gol de pênalti anotado por Everaldo, justamente contra a equipe paulista. Naquele quadrangular, já havia vencido o Central, em Caruaru e empatado com o Coritiba, no Pinheirão. Uma simples vitória faria o rubro-negro chegar aos dez pontos e garantir por antecipação uma vaga na elite do futebol brasileiro em 1996.

Depois da partida, o Atlético ainda perdeu umb jogo e venceu o derradeiro, goleando o Central na Baixada por 4 a 1, na bela e ensolarada tarde de sábado, dia 16 de dezembro. Com o empate por um gol entre o Coritiba e o Mogi Mirim, o Atlético assegurava seu primeiro título nacional, o da Série B do Campeonato Brasileiro.

Campanha

O Atlético realizou uma campanha fenomenal. Estreou com uma derrota para o Goiatuba, em 10 de agosto de 1995, sendo derrotado por 2 a 0. Porém, 28 partidas depois, o Furacão contabilizava 20 vitórias (12 na Baixada e 8 fora), 5 empates (2 no Joaquim Américo e 3 fora) e apenas 3 derrotas (todas fora de casa). Foram 65 pontos de um total de 87 disputados, com um aproveitamento de 77,38%.

Além de contar com o artilheiro da competição – Oséas, com 14 gols -, teve o melhor ataque com 47 gols marcados e a torcida mais fiel do campeonato, levando mais de 150 mil pagantes durante o campeonato, com uma média de 10.705 pagantes por partida.

O Atlético começava ali sua caminhada rumo ao reconhecimento nacional, com o projeto de expansão da Baixada (que veio a ser demolida, dando lugar à moderna Arena da Baixada), aquisição e construção do melhor Centro de Treinamentos da América Latina e a consagração que resultou na hegemonia no futebol paranaense nos últimos anos, a revelação de jogadores em todas as categorias de base e que servem às Seleções Brasileiras, a conquista do pentacampeonato mundial com o meia Kleberson e o título máximo da história atleticana: o do Campeonato Brasileiro de 2001.

O gol de Paulo Rink naquela tarde ensolarada em Mogi Mirim era apenas o começo dessa vitoriosa trajetória. Hoje nós sabemos.

Brasileiro Série B – (10/12/95) – Mogi Mirim 0 x 1 Atlético – Wilson de Barros
A: Márcio Rezende de Freitas (MG); CA: João Batista, Valdo, Capone, Ricardo e Ramon; CV: Paulo Rink; P: 3.705; R: R$ 18.520,00; G: Paulo Rink, aos 19 do 1º.

MOGI MIRIM: Aílton Cruz; Ronaldo, Paulão, Morone, Capone e Dutra; João Batista (Damon), Moreno e Adeílson; Everton Luis (Paulinho) e Valdo. T: Pedro Rocha.

ATLÉTICO: Ricardo Pinto; Valdo, Jean, Luís Eduardo e Ronaldo; Ricardo, Leomar, Everaldo (Borçato) e João Antônio (Washington); Oseás e Paulo Rink. T: Pepe.

A campanha

1ª fase
Goiatuba 2 x 0 Atlético
Barra do Garças 3 x 4 Atlético
Novorizontino 1 x 2 Atlético
Atlético 3 x 0 Barra do Garças
Atlético 2 x 0 Novorizontino
Atlético 2 x 0 Goiatuba
Americano 0 x 0 Atlético
América 0 x 0 Atlético
Atlético 2 x 1 América
Atlético 2 x 0 Americano

2ª fase
Novorizontino 2 x 3 Atlético
Atlético 1 x 1 Londrina
Mogi Mirim 1 x 0 Atlético
Atlético 6 x 0 Mogi Mirim
Londrina 1 x 2 Atlético
Atlético 1 x 0 Novorizontino

Semifinal
Bangu 0 x 1 Atlético
Atlético 2 x 1 Sergipe
Atlético 2 x 0 Central
Sergipe 1 x 1 Atlético
Central 1 x 2 Atlético
Atlético 1 x 0 Bangu

Final
Central 0 x 1 Atlético
Atlético 1 x 1 Coritiba
Atlético 1 x 0 Mogi Mirim
Mogi Mirim 0 x 1 Atlético
Coritiba 3 x 0 Atlético
Atlético 4 x 1 Central

Clique aqui para saber mais sobre o Atlético na Série B do Campeonato Brasileiro de 1995.

Reportagem: Juarez Villela Filho, da Equipe Furacao.com



Últimas Notícias

Opinião

Libertadores, estamos aqui

Do alto da nossa sétima participação na Copa Libertadores da América, temos que reconhecer que já temos muita história para contar: da primeira participação, via…