17 mar 2004 - 15h38

Opinião: “Fora de sintonia”

Sem ser professor de Deus, nem Harry Potter, mas antes mesmo da reunião do Conselho Deliberativo, na noite da última segunda-feira eu já sabia dos preços. Na verdade, a idéia inicial era setorizá-lo, com ingressos a R$ 25 nos fundos e R$ 40 na reta, mas ainda não foi possível implementar.

Uma coisa me intriga. Toda a estratégia do Atlético é feita sobre dados estatísticos, pesquisas de opinião, enfim, com enfoque no consumidor. Sim, pois os dirigentes atleticanos não tratam seus aficionados como torcedores e sim como consumidores! Que estratégia é essa que quer ter estádio vazio?

A foto que estampa a manchete principal de hoje, dia 17 de março, no site vai fazer parte de um passado, não muito remoto. Estádio cheio, torcida incentivando, enfim, um verdadeiro “Caldeirão do Diabo”. E agora, qual será a patética média de público do outrora mais popular time do Estado?

Que estratégia de marketing é essa que vai impedir de levar o filho do vizinho coxa branca para ver um jogo na Baixada e traze-lo para nosso lado? Como vou convencer minha sobrinha, que tem pai paranista, de que a melhor opção é ser rubro-negra, se não posso leva-la ao jogo?

Que estratégia de marketing é essa, que vai mostrar nossos jogadores em outdoors, em pontos de ônibus, que vai lançar uma bela camisa comemorativa dos 80 anos do clube e que cerceia a presença dos torcedores em seu próprio estádio? Será que os atleticanos que podem pagar os R$ 25 do ingresso (caso comprem antecipado) são os mesmos que engoliram calados a derrota para o coxa nas finais de 78?

Foram esses atleticanos que megalotaram o Couto Pereira em 1983, quando vencemos, mas não levamos a vaga nas finais do Brasileiro, contra o Flamengo? Ou será que são esses torcedores que vão pagar R$ 30 para ver um jogo de futebol, que lotavam a Baixada antiga e empurraram o Furacão para cima do poderoso Palmeiras de Luxemburgo, Djalminha & Cia no campeonato de 1996?

Talvez sejam os mesmos torcedores que lutaram bravamente contra a arbitrariedade do STJD e da CBF em 1997, defendo o clube e o Presidente que seria cassado, acusado de subornar árbitros. Seriam esses torcedores os convidados a ver o time do coração apenas pela TV de agora em diante?

Que estratégia é essa? Marketing forte, agressivo, “inteligente” e estádio vazio? Depois chega um colunista tendencioso de qualquer periódico de circulação nacional, nos chama de pequenos por não termos torcida e reclamamos!

Nossa competente diretoria, sinceramente está fora de sintonia com o torcedor do time.

Juarez Villela Filho
Colunista da Furacao.com
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