20 maio 2004 - 1h01

Opinião de Rogério Andrade

Leia abaixo a opinião de Rogério Andrade:

Parada cardíaca

Sinto-me no direito de escrever em defesa da Torcida Organizada os Fanáticos. Não em defesa dos gritos de revolta direcionados aos dirigentes durante os jogos, mas em defesa dos grandes torcedores que sempre ofereceram a alma ao Atlético e agora sequer podem adentrar ao estádio com os instrumentos da organizada.

É uma pena. No gramado, o grande coração valente fazendo gols, e nas arquibancadas o batimento cardíaco desapareceu. O ritmo compassado e alegre dos torcedores foi trocado por uma confusão desordenada de aplausos e gritos de guerra vindos de cantos diferentes. Onde está a torcida do Atlético? Eis a pergunta que não cala nos últimos jogos. A torcida do Atlético está ali, fria, mau-humorada e descontente com as atitudes de uma diretoria que está em busca do fim de uma era fanática de torcedores. Tudo cheira à vingança, tudo parece uma grande guerra que, ao contrário de ser encerrada por parte dos diretores, tende a estar apenas começando.

Quem perde é o próprio Atlético. Para mim, meros pedidos de perdão não fazem parte de uma obrigação diária a quem deve prestar o atual gestor fantoche. Além de perder-se em palavras, jogá-las ao ar como se não tivessem importância, há ainda o sentimento de vingança partindo do conselho administrativo. “Ganharam o ingresso, podem assistir aos jogos, mas vão assistir de onde nós quisermos, e como quisermos”, essa é a proposta relâmpago da diretoria, que não tem coragem de dar as caras para divulgar tal fato.

A grande verdade é que o Atlético não sobrevive sem a sua torcida. Com ou sem bateria, com ou sem adereços, um grande número de torcedores estará sempre presente na baixada, mais triste e mais calada, é a realidade fria e cruel. Continuará existindo a grande festa dos braços levantados, das palmas e coreografias nas arquibancadas, mas sem a explosão e a energia vibrante vinda da curva da organizada.

Lamentável não termos explicações para tal situação, ficarmos sem ouvir os porquês de uma história mal escrita por uma gente fria e sem sangue nas veias. “Por trintão, terás bateria e adereços. Por quinzão, terás fila na entrada, lugar marcado e seguranças te ordenando a sentar. É pegar ou largar.”

Com essas condições e com tanta falta de respeito, me solidarizo à torcida organizada do Atlético, àqueles que não medem sacrifícios ou distâncias para ajudar o furacão, e lanço a sugestão de trocar os gritos de revolta por um calar de vozes. Acredito que o grande golpe para vencer essa terrível guerra é encher a Arena de silêncio, uma multidão em estado de mudez, sentada em suas lindas cadeiras numeradas, como se fosse um cômodo de uma luxuosa UTI, em que estaremos entregues a uma morte clínica, sem a bateria, o coração valente das arquibancadas.

Rogério Andrade
Colunista da Furacao.com.

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