19 jun 2004 - 19h10

Análise do jogo: ‘Infelicidade geral’

O colunista Ricardo Campelo esteve na Arena da Baixada na tarde deste sábado para assistir ao jogo Atlético 1 x 3 Vitória. Confira sua análise da partida:

Infelicidade geral

Que tarde infeliz deste Atlético. A qualidade de Dagoberto, Jádson e Fernandinho esbarrou na irresponsabilidade de Ilan, Rogério Correa e cia. Com isto, o Atlético time sofre a sua segunda derrota em casa no Brasileirão e dá um banho de água gelada nas ilusões do torcedor.

Qualquer análise que se faça de Atlético 1 x 3 Vitória deve principiar por Ilan. Ilan teve nos pés, por mais de duas vezes, a chance para dar a vitória ao Atlético. Se o time não era muito superior ao vitória, ao menos criava boas oportunidades, todas desperdiçadas pelo camisa 9. Assim, não há esquema tático que resista. Não há raça que dê jeito.

Sempre procuro ser comedido ao criticar alguém. Procuro saber se meus argumentos são procedentes, e se a crítica será oportuna, pois há casos em que ela se torna prejudicial em seu resultado final. Mas a partir de hoje, não hesito em dizer: Ilan se tornou um empecilho ao Atlético. Um centroavante que perde os gols feitos que Ilan perdeu hoje, é, numa analogia pobre, como um automóvel sem motor, ou seja: não tem função nenhuma. Pior, ainda atrapalha, conturbando o ambiente com declarações infames, como a que mencionava “saudades de Mário Sérgio”.

Os gols perdidos por Ilan poderiam definir o jogo em favor do Atlético. Não feitos, oportunizou-se ao Vitória descobrir as falhas defensivas do time paranaense. E elas se mostraram mais evidentes do que nunca, materializadas pela irresponsabilidade de Rogério Correa, completamente perdido, e na falta de qualidade de William, que nunca será mais do que um bom jogador para o Figueirense. Aliás, seria de grande valia para o Atlético se o parceiro catarinense aceitasse Ilan para “somar” ao seu elenco. Perdoem-me os catarinas: estou sendo injusto, pois o Figueirense está atuando muito melhor do que o Atlético neste campeonato, e certamente não aceitaria um descréscimo de qualidade em seu plantel.

Voltando ao exame desta infame apresentação do Atlético, é de se criticar a postura do treinador Levir Culpi, que manteve em campo um Ilan absolutamente desequilibrado, e tentando em cada lance se redimir dos erros anteriores, formando assim um ciclo de erros que terminou de afundar o time e aniquilou qualquer possibilidade de reação. Qualquer jogador que estivesse no banco teria sido de melhor utilidade para o Atlético.

Por fim, lance peculiar que merece comentários é o do terceiro gol do Vitória, ocasionado após a frustrada tentativa do goleiro Diego no ataque do Atlético, sobre o que apresento minha opinião pessoal. Se sua atitude foi certa ou errada, não acho que seja necessário qualquer comentário, já que não fizemos o gol e ainda sofremos mais um. Mas notei polêmica quanto ao motivo que levou o nosso goleiro a este ato extremo de tentar cabecear para o gol. Cheguei a ouvir de alguns que isto seria “mais um ato de marketing”, com o qual o goleiro supostamente visaria apenas insulflar sua imagem, com o que, todavia, não posso concordar. Sei que muitos podem discordar, mas não duvido do amor que Diego jura ao Atlético. Deveras, sempre cobramos que os jogadores tenham “amor à camisa”, coisa e tal, e quando aparece um jogador que se dedica um pouco mais ao Clube, isto é tachado de “marketing”? Para mim, esta desconfiança lembra aquela da mulher que quando recebe presentes ou elogios do marido, vai logo perguntando: “O que foi que você aprontou?”. Ao meu ver, se Diego errou, foi por não se conformar com a derrota, foi por brigar pela vitória até o final. E também acho seu erro não foi da maior gravidade, pois talvez a única diferença gerada pela omissão deste ato seria a de estarmos comentando uma derrota por “2 x 1”, ao invés de “3 x 1”. Mais graves foram os erros de quem realmente deveria tentar o gol mas não o fez, ou o fez com péssima competência.

Que a volta de Fabiano e Washington façam o Atlético reencontrar um futebol suficiente para lhe garantir o mínimo que se espera para um Clube de seu porte.

Ricardo Campelo
Colunista da Furacao.com.

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