28 jun 2004 - 13h40

Opinião de Juliano Ribas

Leia abaixo a opinião de Juliano Ribas:

A Busca da Afirmação
por Juliano Ribas

A melhor resposta para as críticas é sempre o trabalho. É tentar mostrar que o momento que as originou é página virada. Brigar contra elas, achar que não deveria ser alvo de crítica alguma, imobiliza e não leva ao crescimento. O goleiro Diego mostrou domingo que tem tudo para se tornar um dos grandes goleiros da história do Atlético. Uma história já recheada de grandes heróis das balizas.

Não acredito em críticas negativas ou positivas. Críticas são críticas e ninguém está imune a elas. Crítica negativa é aquela que ofende ou é mentirosa. Então deixa de ser crítica e torna-se ofensa ou calúnia. Por isso, críticas em alguns momentos são bem-vindas. São sempre positivas. Pois seres humanos são falhos e imperfeitos e só a superação nos faz trilhar de maneira correta o caminho infindável rumo a perfeição.

Por isso não entendo a redoma criada em volta do bom e jovem goleiro atleticano. Diego é um bom rapaz, se expressa bem, tem boa apresentação. Veio do Juventude cheio de referências, a principal delas a bola de prata do nacional de 2002. Chegou aqui com moral e teve alguns bons momentos, que o credenciaram a ser um ídolo da envergadura do antecessor, Flávio. Mas falhas e deficiências fizeram com que alguns, notando tais erros, pedissem cautela. Mas a maioria o vê como grande ídolo. Não admitem que se fale nada a respeito de alguns pontos falhos desse atleta, que para ídolo de uma massa como a Rubro-negra ainda tem que percorrer um bom caminho.

O caminho ideal para ser ídolo nasce na combinação performance/carisma/resultado. Diego é bom de carisma. Teve uma preformance com altos e baixos vestindo a nº 1. E alcançou nenhum resultado ainda. Ele está no meio do caminho dessa busca. Claro, ele chegou numa época de reformulação, em que o Furacão não conquistou nada a não ser a Sesquicentenário. E ainda regrediu, não participando de competições como a Copa do Brasil. Isso atrapalhou Diego e todos os jovens jogadores que buscam um lugar ao sol no CAP. Mas, a luta continua. E esse ano parece que será um divisor de águas, marcando o fim da reformulação e o início de novos e vencedores tempos. O momento certo para todos mostrarem que têm condições de serem ídolos, inclusive o jovem goleiro gaúcho.

Diego faz sim, um pouco de “moral” com a torcida. Enquanto não brilha intensamente, vai vivendo um astral de ídolo, que só o Grande Adriano tem. E como demorou para Adriano chegar a esse status de ídolo total. Teve que conquistar muito e dividir o brilho com quem aparecia mais do que ele. Com o passar do tempo e muitos títulos depois, tornou-se unanimidade. É mais difícil para um sujeito pobre, franzino, sem atributos de beleza e nordestino fazer sucesso imediato. Ainda mais no sul do país. Tem que provar muito mais e até vencer o preconceito latente em muita gente. Ele venceu no Atlético. Mas bastou uma dificuldade em seu contrato, uma vontade de ganhar um pouco mais e de sustentar sua família de maneira melhor, que foi execrado por muita gente, que cobrou tudo aquilo que o CAP deu a ele. Como se ele nada tivesse dado em troca. Já estava “elas por elas”, mas até de “Judas” ele foi chamado. Seria assim em uma situação igual envolvendo Diego, o ídolo imediato de muitos?

Peço calma. Diego ainda tem que repetir muitas vezes e seguidamente a atuação de domingo. E que essas atuações sejam decisivas para levar-nos ao título ou a uma copa internacional. É melhor tornar-se ídolo em meio a uma grande comemoração. É mais fácil para ele, que é branco, sulista, de origem média, de família organizada e bem-apessoado. E tem talento também. É mais fácil para ele do que, por exemplo, um Kléber, o incendiário, que contava apenas com o talento. Como Adriano, tem origem humilde, é nordestino e de poucos conhecimentos. É um vencedor neste país onde o futebol é uma das melhores bóias de salvação. Kléber foi decisivo em muitas conquistas. É um dos maiores jogadores da história do CAP. Driblava como poucos. Perdia e marcava gols como poucos. Mas também foi execrado. Mandado para o “inferno”. Mesmo fazendo um golaço contra os verdes, foi massacrado devido ao episódio “correntinha”. E também porque gostava de pagode de de se divertir. Um brasileiro típico, que aproveitava coisas que a vida o negou até conseguir sucesso no futebol. Saiu do CAP pela porta dos fundos.

É isso que damos aos nossos ídolos muitas vezes: a porta dos fundos. Diego entrou no CAP pela porta da frente, com tepete vermelho, flores, incensos e aplausos. Até hoje não entendo por quê. Flávio, até ser ídolo, lutou muito para superar as críticas. Conseguiu. E mesmo assim, saiu pela porta dos fundos. Flávio tinha outro temperamento, não batia no peito, pouco “ia pra galera”. Mas ninguém saltava como ele. Ganhou o apelido de “Pantera”. De origem humilde, alagoano e feio, também venceu no CAP. Depois de um longo caminho. Por que muitos querem encurtar o caminho de Diego? Que ele prove, dia após dia, que tem capacidade para vestir essa camisa mágica, que além de nosso escudo, já foi vestida por Caju, Laio, Roberto, Rafael, Marolla, Ricardo Pinto, Flávio e muitos outros. A camisa “1” é pesada dentro do CAP. Quem vesti-la, que agüente seu peso e prove que pode ser digno dela.

Diego, saiba que estou torcendo, e muito, por você. A mística dessa camisa, aliada ao seu talento, fará de você um dos grandes do Atlético. Mas você ainda tem muito a fazer. Vença as limitações, que são apenas obstáculos e entrará para a galeria. Você tem que ser um ídolo, não o “dodói” da torcida. Este é o humilde desejo deste torcedor. E parabéns pela atuação de domingo.

Juliano Ribas é colunista da Furacao.com. Clique aqui para ler outros textos de sua autoria.

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