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8 jul 2004 - 23h08

Consistência

Aprendi o significado “real” da palavra consistência na Universidade, há quase vinte anos. Existia uma cadeira, já no final do curso de engenharia, cujo professor era famoso por complicar a vida dos já quase engenheiros. A matéria era, por si só, difícil e isso somado a um professor com fama de exigente, era capaz de assuntar o calouro, que somente o veria dali a quatro anos.

Para complicar, as aulas eram no final da tarde, ou seja: seu combustível já esta pra lá da reserva e tudo o que você quer é dormir um pouco. E era isso que ocorria naquelas aulas. A voz do dito mestre era lenta e monótona e acabava por hipnotizar a todos nós. Lembro que as aulas eram um silêêêncio…todo mundo dormindo. Eu alternava entre o coma e o sono profundo, mas, de vez em quando, voltava à realidade para ver o que estava ocorrendo. E escutava: “…então o operador delta de Dirac…”. Voltava a “babar” no meu caderno.

E assim foi indo. Até termos a primeira prova. Não vamos dizer que todos dormiam nas aulas. Em vez disso, digamos que todos ficavam muito “dispersivos”, mas não éramos bobos. Quando tínhamos que estudar, estudávamos. E foi o que fizemos para aquela prova. Lembro-me de ter estudado um bocado. Chegou o dia, prova distribuída e… desespero! O mais absoluto pavor! Tem um filme que mostra bem aquele momento. Uma classe de adolescentes está tendo um curso de férias em virtude de seu baixíssimo desempenho, ninguém quer nada com nada, porém o professor é legal e todos estudam feito loucos para passar no teste. No dia do teste, um deles tem um sonho e acorda, apavorado, dizendo: “eu não sei nada!”. Essa foi exatamente a minha reação, só que não era sonho e a prova estava ali, na minha frente. Eu não entendia uma vírgula do texto da prova.

O resultado não foi tão catastrófico quanto imaginei, porém me fez pensar. E fui falar com o tal professor. Queria saber, entre outras coisas, como pude ter tirado a nota que tirei naquela prova (ele poderia ter-me dado zero e eu nem discutiria). As palavras dele: “Mauro, vocês já são praticamente engenheiros. É preciso que aprendam a se comportarem como um, com responsabilidade e profissionalismo. Quero ensinar isso a vocês, muito mais que o conteúdo da matéria, que eu sei que pouquíssimos de vocês irão utilizar na vida profissional. Seu futuro cliente vai querer que você atue com consistência e competência. É isso que quero de meus alunos: consistência”. No dicionário, consistência quer dizer: “perseverança, firmeza, constância”.

A lição foi aprendida e, dali para frente, a turma não dormiu mais na aula. E todos acabaram passando sem maiores problemas. A matéria, realmente, nunca utilizei, mas a mensagem do professor, essa teve muito mais valor.

Bom, e onde isso se encaixa no Furacão? Para mim, em tudo. A inconstância do time irá cobrar um preço altíssimo. Com certeza, o campeonato e, se não for feito algo, uma vaga na Libertadores do ano que vem. O Atlético está oscilando muito, alternando grandes apresentações com outras medíocres e com isso perdendo grandes chances de disparar na tabela. E o pior é que eram chances reais. Os últimos quatro jogos mostram isso: derrota em casa para o Vitória, jogando muito mal; duas excelentes vitórias, uma delas jogando muito bem e outra fora de casa; nova derrota, jogando de forma irreconhecível contra o Paraná. E não adianta culpar o gramado. Ele afetou o Paraná da mesma maneira.

Muito já foi dito que o Atlético teria uma grande chance esse ano, em virtude do seu grande plantel, do fato de que poucos ou mesmo nenhum jogador seria negociado no meio do ano, ao contrário do que ocorreria com os outros clubes, principais candidatos ao título. Essa chance, real para mim, está sendo jogada fora em virtude da falta de consistência do time. E não adianta dizer que o campeonato é grande e, por isso, muito desgastante para os jogadores. Não adianta dizer que é normal ocorrerem oscilações. Num campeonato de pontos corridos, a consistência é a grande tática. Olha aí o Figueirense e o São Paulo: consistência.

Aceitar que alguns jogos já estejam perdidos antes de serem jogados, para mim é tática de limitados. Vejam o caso da seleção brasileira na Copa América. A CBF já diz, abertamente, que não espera o título, porque esse time que foi ao Peru é o time “B” da seleção. Isso para mim não existe. Como motivar alguém a jogar o seu melhor se a derrota já é aceita de antemão? O Atlético planejava vencer o jogo contra o Paraná, ou será que o resultado negativo era aceito como normal?

Time para ser vencedor o Atlético tem. Agora, será que tem vontade?

p.s.: a camisa “dourada” realmente parece que não ajuda. Com ela, o time só amarela…será que não dá para mudar?



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