24 maio 2005 - 1h13

Cabala neles, Atlético!

"Eu amo o Atlético. Vivo intensamente esse clube e converso com vocês com o maior prazer". Foi assim, nessa empolgação, que marcamos a entrevista com a cabalista A Egypcia por telefone. O que era para ser uma consulta formal para saber quais os caminhos do futuro do Atlético, transformou-se num animado bate-papo com boas lembranças por parte da nossa convidada. "Vocês têm muita sorte. Eu sou filha do Antônio Bittencourt de Camargo, o ABC, que foi presidente do clube em 1962, e neta do Marrecão, jogador dos anos 20 que ajudou na fusão do Internacional e do América". Pronto, estávamos em casa.

Acomodados numa pequena sala, vimos A Egypcia começar a analisar a palavra Atlético. A cada rabisco no papel branco, uma nova surpresa. "O nome Atlético é representado por oito letras. Pela numerologia, o oito é o êxito material e financeiro em todas as suas atitudes. Há também a garra, que dá as vitórias, e um profundo poder de renovação". Mal tivemos tempo de concordar, e a cabalista voltou a falar. "O Atlético nasceu em 26 de março de 1924 e a soma total dos números é nove, que significa sabedoria e perfeição. Coincidentemente, 26 de março de 2005, também é o ano da sabedoria e é nela que está a vitória", disse A Egypcia, fazendo alusão à conquista do Campeonato Paranaense.

O Campeonato Paranaense, aliás, foi o gancho que A Egypcia pegou para falar do período conturbado pelo qual o Atlético passa. Para ela, não há nenhum tipo de crise no ambiente do clube e que as vitórias começarão a vir naturalmente. "Eu não vejo mau momento no Atlético. Vejo uma fase de reestruturação porque não sei quais são os objetivos da diretoria, se foi o Campeonato Paranaense, o Campeonato Brasileiro ou a Copa Libertadores. Eu sempre falo que existem projetos a curto, médio e a longo prazo. Como cabalista, afirmo que o clube passa por profundas transformações que vão levar, com certeza, ao sucesso".

A fase de reestruturação do Atlético também rendeu muita conversa. "O número nove da data de nascimento que eu já falei para vocês também é o fim de um período. No esoterismo, a vida é cíclica. Então, você só pode ir adiante quando você retorna. As pessoas falam que isso é retrocesso. Eu afirmo que não. Esse é o processo mais inteligente do universo porque você tem chance de construir tudo aquilo que não foi possível. Aí você retoma para não ficar sempre na mesmice. E o Atlético não fica na mesmice, prospera sucesso. Prospera furacão", garantiu a empolgada A Egypcia.

Ainda sobre as dificuldades atuais do Atlético, a cabalista afirmou que a casa está sendo arrumada e que em pouco tempo a nação atleticana vai voltar a sorrir. "O que você faz na sua casa depois de uma festa? Uma grande faxina. Então foi justamente isso que o Atlético fez depois da conquista do vice-campeonato brasileiro e do título paranaense. Isso logicamente demanda tempo, demanda conhecimento. Essa estrutura que está sendo criada vai dar um novo fôlego e o time vai voltar a ganhar. Com essa numerologia que eu analisei, tenho certeza que o clube está fadado ao sucesso. Eu sempre acredito no Atlético, o Atlético sempre surpreende. Vocês têm que fazer o mesmo".

Futebol e ciências ocultas

Desde os primórdios do futebol brasileiro, jogadores, torcedores e dirigentes recorrem a superstições, crendices e a artes como búzios, tarô e astrologia para obter vitórias e superar fases negativas. As histórias mais famosas viraram verdadeiras "lendas do futebol brasileiro". Mario Filho imortalizou a história do "sapo de Arubinha" em crônica do homônima que virou até nome de livro. Conta-se que o macumbeiro Arubinha teria enterrado um sapo no gramado do Estádio São Januário em 1983. Foi lançada a maldição: o Vasco da Gama não conquistaria nenhum título até que o sapo fosse desenterrado.

Outra "maldição" teria sido lançada pelo pai-de-santo Pai Edu ao Náutico, de Recife. O clube teria deixado de realizar o pagamento por alguns "trabalhos" de Pai Edu, que se vingou: afirmou, em 1968, que o Timbu só voltaria a ser campeão quando lhe oferecessem um boi. A dívida foi paga em 1999, com juros e correção: a diretoria entregou ao Pai Edu um boi, quatro bodes e oito galinhas. Resultado: o Naútico foi campeão pernambucano naquele ano.

Passando dos campos para a ficção, a relação entre futebol e misticismo ficou eternizada nas personagens Zé Cabala, criado pelo escritor José Roberto Torero, e Pai Vavá, vivido pelo ator André Abujamra no filme Boleiros, de Ugo Georgetti, sem falar do Sobrenatural de Almeida, de Nelson Rodrigues.

Futebol e numerologia

Especificamente quanto à numerologia, especialidade de A Egypcia, o exemplo mais famoso no futebol brasileiro é o de Mario Jorge Lobo Zagallo, atual coordenador técnico da Seleção Brasileira. A fixação de Zagallo pelo número 13 levou-o a dedicar horas de estudo para encontrar coincidências em palavras e expressões cuja quantidade de letras fosse igual a 13. Sua fé no poder dos números e na sorte que o 13 lhe traz foi utilizada diversas vezes em palestras de motivação aos jogadores da Seleção e, para ele, contribuiu decisivamente para conquistas importantes, como a da Copa do Mundo de 94.

Para muitos, o futebol é decorrência de um planejamento científico, que envolve unicamente a contratação de jogadores e profissionais competentes. Para outros, existem fatores extra-campo que devem ser levados em conta. Quem está com a razão? Impossível afirmar com segurança. De todo modo, por que não levar em conta os dois lados?

A cabala e A Egypcia

A cabala é a numerologia e a astrologia feitas juntas, segundo A Egypcia. "Cada letra do nome tem uma energia, um número. A partir dessa junção a gente sabe se o nome é positivo ou negativo, o carma seja propício ou não". A cabalista A Egypcia escreveu, por vários anos, para o caderno Viver Bem, da Gazeta do Povo. Também trabalhou na Rádio Banda B e participou diversas vezes de programas televisivos. Você pode marcar uma consulta com ela, das 8h às 18h, pelo telefone (41) 3244-4072.



Últimas Notícias

Libertadores

É bom rever você, Walter!

Foram necessários apenas oito minutos em campo contra o Jorge Wilstermann e um único chute a gol para uma história ser coroada com choro, abraços…