5 jun 2005 - 18h21

Antonio Lopes "enxuga" o plantel atleticano

No início do ano, o planejamento traçado pela comissão administrativa do Atlético previa a divisão do clube em duas estruturas. Uma ficaria inicialmente destinada exclusivamente à disputa do Campeonato Paranaense; outra se concentraria na Copa Libertadores da América. O primeiro grupo, dirigido por Lio Evaristo, contaria com ex-juniores, reforços recém-contratados e alguns jogadores que não estavam sendo aproveitados no time principal. Já o segundo grupo, comandado por Casemiro Mior, teria os atletas considerados titulares e ainda os reforços contratados para a Libertadores. Na teoria, o plano era adequado para formar um time forte para a competição sul-americana e não desgastar os atletas. Na prática, revelou-se inaplicável, por diversas razões.

O técnico Casemiro Mior foi o primeiro a abandonar o plano, rechaçando a idéia de "dois" Atléticos. Porém, isso provocou o "inchaço" do plantel. O Furacão passou a contar com muitos jogadores, alguns dos quais sequer receberam oportunidade para atuar. O defeito foi detectado pelo experiente Antonio Lopes logo no dia em que assumiu o comando técnico do Rubro-negro. "Hoje em dia um trabalho técnico é praticamente individualizado. Se você vai dar um trabalho para 40 jogadores, começa no primeiro, passa para o segundo, terceiro e assim por diante. Até voltar para o primeiro, já acabou o treinamento. Então, trabalhar desse jeito é improdutivo", afirmou Lopes. Na última quinta-feira, no dia seguinte à vitória sobre o Santos, na primeira oportunidade que teve para traçar seu planejamento, Lopes reuniu a comissão técnica e integrantes da diretoria e resolveu "enxugar" o elenco. Ou seja, selecionar os principais jogadores e passar a comandar apenas esses atletas no dia-a-dia. Os demais continuarão no Atlético, mas terão outra rotina.

Reduzindo o elenco

Pelas contas da Furacao.com, o Atlético contava com 42 atletas no elenco profissional (quatro goleiros, seis laterais, sete zagueiros, seis volantes, oito meias e 11 atacantes) – está fora desse cálculo o atacante Dagoberto, ainda se recuperando de uma cirurgia no joelho direito. Lopes não quis indicar o número ideal de atletas, mas confirmou que a quantidade era excessiva. "A gente vai trabalhar com o número ideal. Não adianta você trabalhar com um grupo muito grande de jogadores porque daí vai atrapalhar o trabalho. Um grupo muito grande prejudica a qualidade", disse. "Em torno de 30 (jogadores) é o número melhor para você fazer o trabalho", indicou.

Ao jornal Estado do Paraná, o técnico rubro-negro afirmou que os jogadores que não permanecerão no grupo principal não serão afastados ou dispensados. Eles continuarão treinando, mas separadamente. Se surgir a necessidade, Lopes poderá selecionar algum deles para voltar a compor o plantel principal. Por conta disso, o clube não pretende também divulgar de forma oficial uma lista de "dispensa" ou indicar expressamente quais jogadores treinarão em separado. Segundo a Furacao.com apurou, dirigentes entendem que a divulgação de uma lista de afastados no início de maio produziu efeitos indesejados e gerou desgaste dos próprios atletas. Por isso, oficialmente não se fala em lista de "dispensas".

O primeiro nome excluído do grupo é o do atacante Maciel, cujo contrato com o Atlético se encerra no final deste mês, mas que já foi liberado e acertou seu regresso ao União de Leiria, de Portugal. Além dele, não faz mais parte do elenco o volante Jairo, devolvido ao Paysandu. No treinamento da última sexta-feira, alguns jogadores como Jonatas (atacante), Caetano (atacante), Netinho (meia), Rodrigo Souto (volante), Andrey (goleiro), Simão (meia) e Dennys (atacante) também não treinaram com o grupo principal, o que significa que, a princípio, eles não fazem parte dos planos imediatos de Lopes.

Aproveitamento dos jovens

Doa atual elenco, 12 jogadores foram revelados nas categorias de base do Atlético. Antonio Lopes pretende trabalhar com esses atletas e lançá-los no time, algo costumeiro em sua carreira. "Eu acho que o Atlético tem potencial pelo trabalho de base que realiza. O Atlético sempre foi voltado para a formação de jogadores", declarou o técnico. O primeiro indício da aplicação dessa filosofia foi o lançamento do meia Evandro, 18 anos, como titular da equipe na partida contra o Santos.

Além disso, Lopes já solicitou a integração do volante Marcus Winícius, 20 anos, ao time profissional. Outros que podem receber chances são os atacantes Anderson Aquino e Schumacher. "Já procurei me informar e sei que tem muito garoto bom em condições de ser trabalhado para ser lançado na equipe principal. Nós vamos fazer isso, sem dúvida nenhuma. Vamos trabalhar em conjunto com a equipe de juniores, que é de onde a gente tira o jogador para ser aproveitado em cima", declarou.

Condicionamento físico

Durante a próxima semana, haverá uma ênfase nos treinamentos físicos. O preparador físico Riva de Carli já elaborou um plano para tentar melhorar o desempenho dos atletas nessa área, apontada como deficiente por todos os treinadores do Atlético neste ano. "Estamos dando bastante ênfase ao trabalho físico e por isso estamos em regime de concentração, regime fechado, para que a gente possa dar bastante treinamentos, um volume bom e o grupo também possa se recuperar de um trabalho para outro", afirmou Antonio Lopes, explicando o motivo pelo qual decidiu por manter os atletas concetrados no CT do Caju até o jogo contra o Figueirense.

De acordo com Riva, o principal problema relacionado ao aspecto físico diz respeito aos níveis distintos de preparação. Alguns atletas estão no nível ideal, mas outros estão muito abaixo do razoável para suportar um jogo inteiro. Esses que estão em condições deficientes receberão atenção especial e só voltarão a ser liberados para os jogos quanto atingirem os patamares designados pela comissão técnica.



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