13 jul 2005 - 2h17

Para entrar na história

De um lado o badalado São Paulo, time recheado por consagrados jogadores, tido por muitos como franco favorito. Do outro o surpreendente Atlético, time que conseguiu a classificação com muitas dificuldades e que aposta na fibra, na raça, na superação para vencer seus adversários. A descrição é muito parecida com a atual situação que vivem Atlético e São Paulo na Copa Libertadores da América. Porém, ela é o retrato do encontro dos dois times há 22 anos, pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. Se hoje vencer o São Paulo significa para o Atlético chegar à conquista máxima de seus 81 anos de história, em 1983 superar o tricolor paulista garantia o Rubro-negro paranaense na inédita semifinal da Brasileiro. E é a história desse confronto, recheado por superação, vontade e determinação, que a Furacao.com vai relembrar hoje. No final, o Brasil todo pôde ver a força do Atlético. Mesma força que um milhão de atleticanos esperam ver em ação nesta quinta-feira, para que a América seja dos atleticanos.

Brasileirão 1983

Curitiba, 04 de maio de 1983. O estádio Couto Pereira foi o palco do primeiro encontro entre os dois times, que valia vaga na semifinal da Taça Ouro do Campeonato Brasileiro. Para vencer o badalado São Paulo, a tática empregada pelo Atlético era segurar os habilidosos Careca e Renato, com Oliveira e Detti fazendo uma partida perfeita. E a principal arma para chegar ao gol são-paulino era explorar as laterais, principalmente com Capitão. Aos 20 minutos, Detti fez boa jogada pelo meio e numa falha do goleiro Valdir Peres abriu o placar. O Atlético jogava bem e Washington desperdiçou a chance de ampliar. O castigo veio aos 37 minutos: num contra-ataque em velocidade, Almir chutou na trave e, no rebote, Renato empatou a partida. Oito minutos depois, o golpe fatal. Capitão cruzou a bola e Heriberto desviou com a mão. O árbitro Arnaldo César Coelho assinalou o pênalti, que Washington cobrou com precisão: 2 a 1 Atlético. No segundo tempo, o São Paulo era todo ataque mas, com aplicação tática, o Atlético soube sair com o placar favorável. Foi a noite em que a raça e a inspiração atleticana falaram mais alto, colocando o time de Curitiba muito perto do grupo dos quatro melhores times do Brasil naquela temporada.

Com a vitória no jogo de ida, bastava um empate ao Atlético em São Paulo para assegurar a vaga. Apesar da vantagem, os jogadores atleticanos mantiveram o discurso de tranqüilidade, sabendo que o favoritismo era do lado paulista, por jogar em seu estádio, apoiado por sua torcida. Para empurrar o Rubro-negro no Morumbi, a torcida “Guerrilheiros da Baixada” promoveu uma grande excursão rumo à capital paulista.

São Paulo, 07 de maio de 1983. Quando pisou no gramado do estádio Cícero Pompeu de Toledo para aquela partida, o Atlético sabia exatamente o que precisava fazer para sair de lá com a classificação. 90 minutos separavam o Furacão de seu grande sonho: as semifinais do Campeonato Brasileiro. E para vencer o tricolor em seus domínios, a tática do técnico Hélio Alves era atacar. O treinador adotou o discurso de que o Atlético precisava encarar o adversário consciente de sua força.

No dia seguinte, os jornais de Curitiba estampavam a manchete: “Atlético arranca um vitória sensacional”. E foi mesmo! Sem se dar conta do favoritismo são-paulino, tocando a bola com tranqüilidade, anulando as ações das principais peças do adversário, o Rubro-negro foi absoluto no gramado. Resultado: deixou o Morumbi com uma consagradora vitória. O placar foi mínimo, 1 a 0. Placar necessário para levar o time da Baixada a sonhar um degrau mais alto na competição.

Em campo, o Atlético teve a tranqüilidade tão pedida pelo treinador, anulando a pressão são-paulina. Mesmo assim, o time da casa teve duas boas chances de marcar o gol: aos 37, Dario chutou forte e a bola bateu na trave.

Cinco minutos depois, Zé Sérgio chutou, o goleiro Roberto desviou e a bola novamente bateu na trave. No segundo tempo, o Atlético deu seu golpe fatal. Tocando a bola com calma e esperando o momento certo para contra-atacar, o time chegou à esperada vitória: aos 30 minutos, Sotter cobrou uma falta na meia-direita, Assis recebeu na grande área e desviou para o gol: 1 a 0 Atlético.

Nesta quinta-feira, 14 de julho, o cenário em São Paulo será bastante semelhante. Um Morumbi lotado de torcedores são-paulinos tentando empurrar seu time, considerado pela imprensa favorito ao título da Libertadores. Ao Atlético basta acreditar na raça, na superação, na vontade e na certeza de que se o Morumbi estará lotado por 70 mil torcedores do São Paulo, há um milhão de fanáticos atleticanos espalhados por todos os cantos do planeta totalmente concentrados nesta partida, enviando muitos pensamentos positivos para ajudar a empurrar o Furacão. Que a lição de 22 anos atrás sirva de exemplo e inspiração a estes heróis vestidos de vermelho-e-preto. Boa sorte, Atlético!

07/05/1983 – São Paulo 0 x 1 Atlético
árbitro: José Roberto Wrigth
Gol: Assis, aos 30 minutos do segundo tempo.

São Paulo: Valdir Peres; Paulo, Gassen, Dario Pereira e Nelsinho; Almir, Heriberto e Renato; Agnaldo, Careca e Zé Sérgio.

Atlético: Roberto; Sotter, Jair Gonçalves, Oliveira (Flávio) e Sérgio Moura; Detti, Assis e Nivaldo; Capitão (Ivair), Washington e Abel.



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