30 ago 2005 - 13h44

1970, o Título da Raça: Nilson Borges

Se o Atlético é hoje um dos maiores clubes do Brasil deve muito disso ao que foi construído ao longo de seus 80 anos de história. Se hoje a torcida tem a oportunidade de vivenciar um momento histórico fantástico, há algumas décadas a situação era bem diferente. Mais precisamente nos anos 60, quando o clube atravessou um de seus momentos mais complicados. Depois de doze anos sem conquistar um título, o Atlético foi campeão paranaense de 1970 e, com uma conquista histórica, proporcionou uma das maiores festas de que se tem notícia na história do futebol paranaense.

Para comemorar os 35 anos da conquista do Estadual de 70, os sites Furacao.com e RubroNegro.Net publicarão uma série de entrevistas com personalidades atleticanas. Ex-jogadores, dirigentes, técnicos e apaixonados atleticanos revelarão detalhes daquela conquista épica.

A segunda entrevista da série é com o ex-ponta-esquerda Nilson Borges, um dos grandes ídolos da história atleticana. O título de 1970 foi o único que ele conquistou com a camisa rubro-negra, por isso é relembrado com muito carinho. Atualmente, Nilson é auxiliar-técnico de Antonio Lopes. Confira a entrevista com o ex-jogador:

Em setembro, comemoram-se 35 anos da conquista do título paranaense de 1970 pelo Clube Atlético Paranaense. Qual a importância daquele título no contexto em que foi conquistado?
Sem dúvida foi uma conquista muito difícil. Eu vim para o Atlético em 68, através do Jofre Cabral, e a intenção era ganhar o título. Ele trouxe diversos jogadores de nome de São Paulo, mas infelizmente perdemos para o Coritiba no último jogo e aquilo ficou engasgado nos jogadores, na torcida e na diretoria. Então, o título de 70 foi muito importante. Tanto que depois disso passaram-se 12 anos para o time conseguir um título novamente. Nós ganhamos com muito esforço, com uma dificuldade muito grande, principalmente financeira. Com a união dos jogadores e dirigentes, conseguimos ganhar o título.

Os mais novos talvez não saibam, mas o Atlético enfrentava graves dificuldades financeiras naquele início dos anos 70. Você lembra disso e de algum episódio que retrate a situação precária em que o clube se encontrava?
Nós chegamos a ficar seis meses sem receber. A gente vivia de vale, não tinha salário. Quem tinha um pouquinho de condição ia levando a vida e tinha de ajudar os outros. Esse ano foi muito difícil. O presidente Passerino Moura se fardava, ficava na porta da antiga sede para parar os Oficiais de Justiça. Os caras rspeitavam a farda do homem e iam embora. Naquele ano, a gente lutava pela renda do jogo para ver se a gente conseguia receber algo.

Como foi a comemoração do título no jogo em Paranaguá e depois, em Curitiba?
Eu lembro muito bem da comemoração. Foi uma coisa que você não esquece mais. Nós chegamos em Paranaguá e a nossa torcida foi chegando e tomou conta do estádio. Com a força da nossa torcida, nós vencemos. Acabou o jogo e ficamos praticamente pelados. Tiraram tudos, só não tiraram a sunga porque não tinha jeito. Depois, subimos no ônibus para voltar para Curitiba e aí foi um Deus nos acuda. Era carro de Paranaguá até Curitiba. A torcida do Atlético tinha descido toda lá pra baixo. Aqui em Curitiba fomos para a Rua XV e foi um carnaval, um espetáculo.

Qual o momento mais marcante da trajetória do Atlético no Campeonato Paranaense de 1970?
Acho que foi um jogo contra o União Bandeirante, na Baixada. O União começou ganhando de 1 a 0 e teve um pênalti para a gente. O Dajlma Santos bateu lá no ginásio (risos). Mas viramos o jogo para 2 a 1, com dois gols do Sicupira, um deles em cruzamento meu. Acabou o jogo e todo mundo chorava. Antes do jogo, também houve uma história curiosa. Eu tinha sido expulso na rodada anterior, contra o Coritiba. Perdi a paciência e dei um pontapé no Passarinho. Foi a minha primeira expulsão. O árbitro era o Waldemar Antonio de Oliveira. Mandado por alguém, ele pegou a súmula, se mandou lá para as praias e não entregou a súmula na Federação. Com isso, eu não poderia jogar. Mas o pessoal do Atlético foi até a Federação, conseguiram fazer o julgamento e eu fui absolvido por unanimidade: 7 a 0.

Naquela época, falava-se em uma possibilidade de fusão do Atlético com algum outro clube de Curitiba em função de dificuldades econômicas. Isso existiu mesmo?
Nessa época eu não lembro. Lembro que um pouco depois surgiu um negócio de fusão com o Pinheiros, mas foi só papo.

Você acha que o título de 1970 pode ser chamado de "O Título da Raça"?
Acho que sim, sabe por que? O nosso time era modesto. O time do Coritiba era melhor individualmente do que o nosso, pois eles traziam muitos jogadores do Santos, muitos jogadores de nome. O nosso era modesto, não tinha grandes expressões. Mas nosso time era muita garra, muita vontade. Em uma situação difícil, a gente ia pro pau. Não tinha moleza, todo mundo corria, todo mundo se ajudava e era uma familia.



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