1 set 2005 - 23h04

1970, o Título da Raça: Valério Hoerner Júnior

Se o Atlético é hoje um dos maiores clubes do Brasil deve muito disso ao que foi construído ao longo de seus 80 anos de história. Se hoje a torcida tem a oportunidade de vivenciar um momento histórico fantástico, há algumas décadas a situação era bem diferente. Mais precisamente nos anos 60, quando o clube atravessou um de seus momentos mais complicados. Depois de doze anos sem conquistar um título, o Atlético foi campeão paranaense de 1970 e, com uma conquista histórica, proporcionou uma das maiores festas de que se tem notícia na história do futebol paranaense.

Para comemorar os 35 anos da conquista do Estadual de 70, os sites Furacao.com e RubroNegro.Net publicarão uma série de entrevistas com personalidades atleticanas. Ex-jogadores, dirigentes, técnicos e apaixonados atleticanos revelarão detalhes daquela conquista épica.

A quarta entrevista da série é com o professor Valério Hoerner Júnior, membro da Academia Paranaense de Letras. Hoerner é co-autor da obra "Atlético, a Paixão de um Povo", que se repousa nas prateleiras dos atleticanos mais fanáticos. Confira a opinião do professor sobre o título de 70:

Em setembro, comemoram-se 35 anos da conquista do título paranaense de 1970 pelo Clube Atlético Paranaense. Qual a importância daquele título no contexto em que foi conquistado?
O título de 1970 não foi fácil para o Atlético. Há doze anos o Atlético não sabia o que eram faixas de campeão, desde aquela maravilhosa conquista de 1958 com Caju, Jackson e Stenghel Guimarães no comando técnico. Rubens Passerino Moura foi eleito presidente e, apesar das dificuldades, prometeu o título. Do notável esquadrão dos anos anteriores, restaram Gildo, Djalma Santos, Dorval, Nilson Borges, Nair e Sicupira. A estes juntou-se Lourival. Os demaise eram “prata da casa”.

Os mais novos talvez não saibam, mas o Atlético enfrentava graves dificuldades financeiras naquele início dos anos 70. Você lembra disso e de algum episódio que retrate a situação precária em que o clube se encontrava?
O Atlético lidava com uma crise financeira acima de meio milhão de cruzeiros novos. Esta era a moeda da época. Na verdade, todos os clubes passavam por essa crise em razão de suas próprias situações e do fator econômico do Brasil. A crise era tão feroz que, durante o campeonato, os atleticanos instalaram três bancas no centro da cidade esperando que os torcedores depositassem qualquer quantia, por menor que fosse. A campanha deu certo resultado e o Atlético foi respirando.

Como foi a comemoração do título no jogo em Paranaguá e depois, em Curitiba? Recorda-se de algum detalhe da festa da torcida e dos jogadores?
Antes de o jogo começar, o estádio já havia sido tomado pela galera atleticana. Depois do quarto gol atleticano, a torcida invadiu o campo. O Estádio Orlando Mattos foi literalmente tomado faltando ainda quatro minutos para o término. Só se ouvia “É campeão! É campeão! É campeão!”. A Polícia Militar retirou os torcedores do campo com muita dificuldade. Depois, a festa foi total na subida da Serra. Não houve quebradeira, agressões e o que mais é hoje tão comum. Os festejos até Curitiba foram com entusiasmo. Mesmo em Paranaguá. E chegando na cidade, a euforia varou a madrugada.

Qual o momento mais marcante da trajetória do Atlético no Campeonato Paranaense de 1970?
O Atlético não foi bem nos primeiros jogos. A torcida temia, silenciosa, a repetição dos acontecimentos de 1967. Na quinta rodada aconteceria o famoso e temido Atletiba. O presidente Rubens Passerino Moura determinou que a partida fosse realizada no Estádio Joaquim Américo, o que gerou críticas intermináveis da crônica esportiva. Passerino entendia que não estava em jogo o conforto dos radialistas e sim o campeonato. E manteve a decisão. O resultado foi 1 a 0 para o Atlético, gol de Zé Leite. Esse momento significou o início da recuperação. E começou a vencer. Pouco tempo depois era o líder isolado da competição.

Você acha que o título de 1970 pode ser chamado de "O Título da Raça"?
Veja bem, o Atlético era um clube pequeno e sem dinheiro. E foi assim durante todo o tempo, melhorando na década de 80. Mesmo assim, sempre teve personalidade. Sempre levantou a torcida, mesmo humilde. Em situação ruim, o que aconteceu durante muitos anos, o Atlético enchia a modesta Baixada, o que deixava os jogos serem difíceis para os adversários. O Caldeirão sempre teve seus encantos e sua mística.



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