6 set 2005 - 13h30

1970, o Título da Raça: Júlio

Se o Atlético é hoje um dos maiores clubes do Brasil deve muito disso ao que foi construído ao longo de seus 80 anos de história. Se hoje a torcida tem a oportunidade de vivenciar um momento histórico fantástico, há algumas décadas a situação era bem diferente. Mais precisamente nos anos 60, quando o clube atravessou um de seus momentos mais complicados. Depois de doze anos sem conquistar um título, o Atlético foi campeão paranaense de 1970 e, com uma conquista histórica, proporcionou uma das maiores festas de que se tem notícia na história do futebol paranaense.

Para comemorar os 35 anos da conquista do Estadual de 70, os sites Furacao.com e RubroNegro.Net publicarão uma série de entrevistas com personalidades atleticanas. Ex-jogadores, dirigentes, técnicos e apaixonados atleticanos revelarão detalhes daquela conquista épica.

A sétima entrevista desta série é com o lateral-esquerda Júlio, considerado por muitos os melhor da história atleticana na posição. Júlio começou sua carreira no Nacional, de São Paulo, e foi trazido ao Atlético pelo técnico Alfredo Ramos. Originalmente lateral-direita, ele passou a atuar pela esquerda e conquistou a torcida por seu esforço e pela vontade de vencer. Certamente um dos grandes símbolos daquele time, Júlio relembra como foi a conquista do título paranaense de 1970:

Em setembro, comemoram-se 35 anos da conquista do título paranaense de 1970 pelo Clube Atlético Paranaense. Qual a importância daquele título no contexto em que foi conquistado?
Foram 11 anos de espera e foi com muitas dificuldades que conseguimos chegar ao titulo. Acredito que a importância da conquista do título no contexto da época é que ajudamos a manter o Clube Atlético Paranaense um dos melhores clubes do Brasil.

Os mais novos talvez não saibam, mas o Atlético enfrentava graves dificuldades financeiras naquele início dos anos 70. Você lembra disso e de algum episódio que retrate a situação precária em que o clube se encontrava?
Muitas dificuldades existiam no Atlético naquele tempo. Os salários estavam atrasados em seis meses, os bichos também estavam atrasados e o prêmio da conquista do campeonato foi dividido em dez vezes. Uniformes, chuteiras, meias, ataduras se encontravam em péssimas condições de uso.

Como foi a comemoração do título no jogo em Paranaguá e depois, em Curitiba?
O título foi comemorado com a grande torcida rubro-negra, que tomou conta do estádio em Paranaguá. Na volta a Curitiba tivemos uma grande surpresa ao nos depararmos com a grande massa atleticana nos esperando na serra. Quando chegamos a Curitiba, fomos direto à Boca Maldita, e a festa durou até às 5 horas da manhã.

Qual o momento mais marcante da trajetória do Atlético no Campeonato Paranaense de 1970?
O fato mais marcante foi o jogo do Atlético e União numa quarta-feira à tarde em que o empate já era um resultado ruim. Aos 10 minutos de jogo, o União fez o primeiro gol e logo em seguida teve um pênalti para o Atlético. Djalma Santos bateu por cima da trave e saiu dando risada. Aquilo não abateu nosso time, pois no decorrer do jogo duas jogadas iguais entre mim e o Nilson e cruzamento para o Sicupira, que marcou dois belíssimos gols para o Atlético. Naquele dia eu senti a faísca de campeão.

Naquela época, falava-se muito em uma possibilidade de fusão do Atlético com algum outro clube de Curitiba em função de dificuldades econômicas. Isso existiu mesmo ou era mais uma lenda?
Acredito que o título veio a despertar a grande massa atleticana a lutar pela não realizaão da fusão. Pois uma vez Atlético, sempre Atlético.

Você acha que o título de 1970 pode ser chamado de "O Título da Raça"?
Sim, foi o título da raça. Pode ser difícil de acreditar, mas naquela época o Atlético não tinha 11 jogadores para colocar em campo. Com o decorrer do campeonato, Alfredo Ramos, nosso treinador, formou uma verdadeira família dentro do plantel. Foram chegando reforços, como Vanderlei, Toninho, Nelsinho, que vieram agigantar o nosso grupo. O mérito da conquista na minha opinião foi do nosso treinador Alfredo Ramos.



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