4 nov 2005 - 20h01

Biasotto assume a supervisão do departamento de formação

Sem muito alarde, o Atlético promoveu nos últimos meses uma alteração no comando das categorias de base do clube. Desde 2001, o departamento era coordenado pelo ex-atleta Vinícius Soares Eutrópio. Em abril, logo após a demissão de Casemiro Mior, Vinícius passou a exercer a função de auxiliar-técnico do time profissional. Durante certo período, chegou a acumular as duas funções. Em setembro, o Atlético acertou a contratação de Marco Antônio Biasotto. Com a experiência de ter trabalhado por mais de dez anos no Paulista, o novo supervisor chegou ao Atlético disposto a fortalecer a filosofia de revelação de talentos, que já rendeu ao clube craques do quilate de Kleberson, Dagoberto, Jadson, Fernandinho e Evandro. Nascido em Jundiaí em 23 de julho de 1969, Marco Antônio foi um habilidoso meia que jogou pelo São Paulo (juniores), Paulista, Mogi Mirim, Sãocarlense e no futebol japonês. Em meados dos anos 90, logo após encerrar a carreira como atleta, foi convidado a trabalhar como técnico no Paulista e dirigiu equipes do infantil, juvenil e júnior. Depois, passou a supervisor das categorias de base (revelando atletas como Danilo, Cristian, Thiago Almeida, Marcinho, Nenê e Márcio Mossoró) e auxiliar-técnico do time profissional. Teve ótima sintonia com o técnico Zetti, com quem foi vice-campeão paulista de 2004. Acompanhou o treinador como seu auxiliar em suas passagens pelo Fortaleza, São Caetano e Bahia.

Há alguns meses, recebeu o convite para trabalhar o Atlético e não titubeou. "Depois que eu conheci o CT, não pensei duas vezes", afirma, empolgado com a oportunidade. Na semana passada, a Furacao.com conversou com Marco Biasotto sobre sua carreira e o planejamento para as categorias de base do Furacão. Desde o início, ele deixou claro que pretende dar continuidade ao ótimo trabalho desenvolvido por seu antecessor. "O Vinícius fez um ótimo trabalho e está me ajudando muito", revela. Mesmo sem pretender mudanças radicais, Biasotto já começa a implementar seu estilo. A medida que mais chama atenção até o momento é a alteração do nome de categorias de base para departamento de formação. "Qual é o nosso trabalho aqui? Não é formar atletas? Então nada mais justo do que chamar de departamento de formação", explica. Confira a entrevista exclusiva concedida por Marco Antônio Biasotto à Furacao.com:

Como surgiu o convite para trabalhar no Atlético?
Eu já trabalhei nesta função durante praticamente dez anos, primeiro na Lousano, em 1995 e depois na Parmalat, no então Etti Jundiaí. Quem me fez o convite foi o Dr. Mario Celso Petraglia. Ele foi até São Paulo, nós tivemos duas ou três reuniões e depois eu vim conhecer o clube. A partir do momento em que eu conheci o clube, eu fiquei com uma grande vontade de vir trabalhar aqui e acabou dando certo.

Você trabalhou como auxiliar-técnico do Zetti no Paulista, Fortaleza, São Caetano e Bahia. Havia uma pretensão de iniciar uma carreira de treinador?
Na verdade, eu gosto de fazer esse trabalho como coordenador. É o que eu realmente sinto prazer em fazer. Como surgiu essa oportunidade de voltar a trabalhar nesta função, eu não titubeei, não pensei duas vezes e vim para cá.

Qual foi a situação que você encontrou em termos de estrutura e organização das categorias de base?
O Atlético sempre foi muito bem organizado e é muito bem falado no Brasil todo. Isso me fez acreditar no processo de formação do clube. Existia um coordenador aqui que se chamava Vinícius (Eutrópio), que fez um trabalho maravilhoso. O que a gente veio fazer aqui é nada mais do que dar continuidade ao processo que ele iniciou alguns anos atrás.

O Vinícius implementou uma metodologia que a torcida do Atlético já conhece. Você pretende realizar modificações na forma de organização das categorias de base?
Isso nós teremos de conversar com a direção para ver se é viável fazer alguma alteração ou não. Mas o segredo do Atlético é que a coisa anda muito bem. Como eu já disse, é um clube muito bem organizado. Mas é óbvio que com o passar dos anos algumas mudanças se farão necessárias, até em virtude das próprias mudanças do futebol. Se não me engano, já existe uma previsão de alterar o calendário para 2007 e isso vai afetar todo o departamento. Nós vamos procurar ir melhorando de acordo com as necessidades. A princípio, nós vamos dar continuidade ao trabalho que foi iniciado há alguns anos. Já fiz duas ou três reuniões com o Vinícius e aprendi muito com ele. Acho importante esse contato porque daqui a pouco esses jogadores que estão embaixo vão estar na mão dele. Então, temos de falar a mesma língua.

Um dos projetos do Atlético é investir nas categorias de base para revelar atletas, mais até do que lutar por títulos. Permanece sendo esse o pensamento?
Nós temos de trabalhar os níveis: iniciar a especialização aos 13, 14 anos, dar continuidade aos 15, 16 e 17 e depois projetar a subida do atleta ao profissional. A gente vai dar continuidade a essa metodologia. Nós temos os professores Antonio Carlos (Gomes) e Oscar (Erichsen), que trabalham muito bem nessa área, e tudo vem pronto para que a gente aplique dentro de campo. Nós temos de continuar com o que está dando certo. Temos de dar parabéns a esse pessoal que está aqui há tanto tempo formando tantos jogadores com qualidade.

Trabalhando por tanto tempo em Jundiaí, você adquiriu grande conhecimento do mercado do interior paulista, que é uma grande fonte de atletas. Isso resultará na indicação de jogadores para o Atlético?
O Atlético tem quatro observadores: Ticão, Bugrão, seu Geraldo e o Zé Bisteca. Esses profissionais têm a rede de olheiros deles. Obviamente que eu, como trabalhei em um clube grande, também tenho conhecimento de várias pessoas no Brasil que me mandavam jogadores. Essas pessoas já souberam que eu estou no Atlético e já estão me ligando para trazer jogadores para avaliações. Isso é uma coisa natural. Quando você vai para um clube do porte do Atlético, as pessos obviamente querem oferecer seus jogadores. Estamos conversando com pessoas do interior de São Paulo e do Brasil todo. Essa rede tem de aumentar cada vez mais para que possamos ter uma captação de jogadores com ainda mais qualidade.

Vários jogadores do elenco profissional do Atlético trabalharam com você nas categorias de base do Paulista: Danilo, Cristian e Thiago Almeida. Qual o seu comentário sobre esses atletas?
Como homens, nota dez. Como jogadores, nota onze. São excelentes pessoas, são garotos que nunca me deram problema. Nenhum dos três. O Thiago Almeida chegou a algumas seleções brasileiras, o Cristian já teve participações fora do país, já jogou na Coréia, e o Danilo sempre foi esse menino que vocês conheceram aqui: um garoto muito sério, que fala pouco, e muito humilde. Ele vai crescer muito ainda no futebol pelo caráter que ele tem e pela qualidade que ele tem.

Agradecimentos a Rafael Zochetti, colaborador da Furacao.com



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