25 nov 2005 - 0h30

Dagoshow versão 2006

Passaporte carimbado e viagem ao exterior marcada. O que poderia ser uma transação milionária para um grande clube, transformou-se no maior pesadelo da carreira do atacante Dagoberto. Há um ano ele chegava aos Estados Unidos para operar o joelho esquerdo machucado numa partida contra o Paraná Clube. Com o ano de 2004 já perdido, assim que voltou ao Brasil restou ao craque a torcida das arquibancadas pelo título nacional. O bicampeonato não veio, mas os momentos que passou longe dos gramados foram suficientes para que Dagoberto amadurecesse como pessoa. "Eu comecei trabalhando na roça com os meus pais. De onde eu saí, você via um mundo fechado. Aos poucos eu fui crescendo e aprendendo coisas novas. Essa contusão acabou sendo um fator fundamental para isso. Antes passava alguém, eu cumprimentava meio tímido, até com vergonha", admite.

Em uma conversa bastante descontraída, a equipe da Furacao.com entrevistou o atacante Dagoberto no escritório da Massa Sports, empresa que gerencia a vida do craque. O retorno aos gramados no ano que vem, a garantia da permanência no Rubro-Negro, a vida pessoal e a paixão pelo clube que o acolheu são alguns dos assuntos destacados no bate-papo, organizado por temas. Além da entrevista abaixo, Dagoberto gravou um vídeo falando dos objetivos para a próxima temporada. Clique aqui e veja a gravação em windows media player.

CONTUSÃO

Nesta semana está completando um ano da sua operação nos Estados Unidos. Que balanço você faz da sua carreira e da sua vida nesse período?
Muitas pessoas falam que é um ano para ser esquecido, mas eu não penso dessa maneira. Eu tirei lições, aprendi muito do lado pessoal e profissional também. Infelizmente aconteceram coisas que ninguém quer que aconteçam, mas a que estamos sujeitos. Foi um ano de aprendizado. Felizmente nos jogos que eu pude participar a equipe se sobressaiu e eu também pude mostrar meu futebol. Tomara que 2006 possa ser só de alegrias.

O fato de ter sofrido essa grave lesão lhe trouxe alguma coisa positiva?
Muito, muito. Eu procurei ver as coisas em outras dimensões, parando um pouco para analisar muitas coisas na minha vida. Quando acontece uma coisa errada, você tem de aprender com o erro e não passar por cima dele. Dentro de campo eu procurei mudar meu modo jogar e eu cresci muito no meu lado pessoal também.

Mas o lance da contusão foi um erro?
Foi um lance bobo. O Levir (Culpi, ex-técnico do Atlético) pedia bastante para a gente voltar para marcar e eu estava me aperfeiçoando bastante nisso. Num lance em que eu voltei para marcar infelizmente aconteceu a lesão. Depois eu voltei para o jogo, até por ser leigo e não saber avaliar a gravidade. Infelizmente, estourou meu joelho, mas foi uma fatalidade. Foi uma coisa que ninguém quer que aconteça.

Quando você percebeu que a lesão era grave?
Eu fui ter idéia no hospital. Eu fiz a ressonância e quando saiu o resultado minha mãe começou a chorar. Quando o médico disse que o ano tinha acabado para mim, aí caiu a ficha mesmo.

"Num lance em que eu voltei para marcar
infelizmente aconteceu a lesão" [foto: GPP]

Como foi acompanhar o restante do Brasileiro de 2004 fora do campo?
Horrível. Eu ia à Arena torcer para os amigos. Nós passamos um ano todo juntos e estávamos num momento tão bom que sair assim me deixou muito triste, bastante chateado. Mas são coisas que infelizmente acontecem na carreira e a gente tem de superar.

Ainda no ano passado, você dizia que queria se recuperar a tempo de jogar a Libertadores pelo Atlético. Foi uma frustração não ter podido participar da Libertadores pela segunda vez na carreira?
A Libertadores é um campeonato muito bom, muito importante, em que você é mostrado para o mundo todo. Dá para ver pelos companheiros: todo dia tinha alguma coisa falando dos que jogaram. Era um sonho poder jogar, uma vontade muito grande, mas não adiantava nada eu passar por cima de algumas coisas. Tivemos calma, fizemos tudo o que tinha de ser feito e eu fiquei na torcida, mas com certeza eu queria estar lá dentro.

Qual foi o momento mais difícil em todo esse período?
Eu passei maus bocados no pós-cirúrgico, lá nos Estados Unidos. Mas o momento mais complicado foi ver minha mãe chorando quando o médico disse que o ano tinha acabado para mim e que eu só voltaria em 2005. Ali foi um momento muito complicado.

A Revista Placar publicou uma reportagem sobre sua recuperação e afirmou que você passou por um momento de depressão. O que há de verdade na matéria da revista?
Primeiro que ninguém conversou comigo. Disseram que eu tinha brigado com o pessoal da Massa Sports, mas basta dizer que no dia que eu tive a contusão o pessoal todo estava comigo lá em casa. Depois, o Marquinhos viajou comigo para Campinas para a fase do pré-operatório. Somos acima de tudo uma família, há muita admiração e respeito. Eles só me passaram uma coisa até hoje: trabalho sério e honesto. Quanto ao fato de eu estar deprimido, eu sempre deixei bem claro: se todo cara estivesse deprimido como eu estava, então todo mundo ia querer ficar deprimido. Eu tenho uma família maravilhosa, tenho amigos ótimos, então eu só tenho a agradecer a Deus por tudo o que ele colocou na minha vida.

Algumas pessoas chegaram a duvidar de que você teria condições de voltar a apresentar o mesmo nível de atuações. Você ficou magoado com esse tipo de comentário?
Eu penso assim: tudo na minha vida nunca veio fácil. Sempre teve desconfiança das pessoas. Quando eu estava no juvenil, muitos diziam: "Sem condições desse cara chegar no júnior ou no profissional". Quando eu comecei no Atlético, me chamavam de fominha, mas eu sempre joguei procurando ajudar o time, abrindo espaço para um companheiro. Eu não sou pago para falar, sou pago para jogar futebol. Antes mesmo do fim do prazo que o Dr. Freddie Fu havia estabelecido para eu voltar, a galera começou a falar um monte de coisa. Eu respeito todos os que falam, não tenho que discordar. Eu estava ciente que eu tinha de fazer fisioterapia e eu estava fazendo a minha parte.

"Eu não sou pago para falar, sou pago para jogar
futebol" [foto: FURACAO.COM]

A contusão atrapalhou suas chances de ir para a Copa do Mundo?
Eu sou muito otimista, acima de tudo. Enquanto há uma luz no fim do túnel eu vou lutar por ela. A Copa é no meio do ano que vem, ainda. Em 2006 eu vou fazer o que eu sempre fiz. Para chegar na Seleção, eu tenho de fazer o meu melhor no Atlético e fazendo isso eu sei que vou chegar lá.

Mesmo tendo ficado afastado dos gramados por lesão, você chegou a ter uma seqüência de jogos e realizou grandes partidas. Na sua avaliação você chegou a atingir a forma ideal ou ainda pode subir de produção no próximo ano?
Eu posso melhorar muito. Neste ano eu não fiz uma pré-temporada legal, que com certeza nós vamos ter no início do ano. Isso deixa o jogador muito bem para todo o ano. Eu fiz um trabalho muito bom, mas faltou tempo para eu me condicionar melhor. Se eu tivesse 30 dias de pré-temporada isso teria me ajudado bastante.

ATLÉTICO

O que representa o Atlético para você?
Eu aprendi com o tempo a gostar do Atlético. Eu posso falar hoje que eu tenho carinho e admiração por tudo no Atlético. É um clube maravilhoso, que proporciona tudo ao jogador, você só precisa se preocupar em jogar futebol. Eu aprendi a ser um torcedor do Atlético, acima de tudo. Para onde quer que eu vá um dia eu vou estar sempre torcendo pelo Atlético.

A torcida do Atlético tem um grande carinho por você. Nos dois jogos da sua volta aos gramados, contra Coritiba e Flamengo, toda a torcida se levantou para aplaudi-lo de pé e gritar o seu nome. O que você sentiu naqueles momentos?
Uma satisfação muito grande. Eu estava ali do lado do campo me aquecendo e todo mundo pedindo para eu entrar. Só tenho de agradecer à torcida do Atlético porque o que eles fizeram para mim foi uma coisa maravilhosa. Os companheiros mesmo me falaram que esse carinho da torcida comigo é coisa de outro mundo. Fazer uma coisa que você ama e ser valorizado por isso não tem preço. Eu vou procurar sempre fazer o meu melhor para que eles possam continuar tendo esse carinho por mim.

"O que a torcida fez para mim foi uma coisa
maravilhosa" [foto: GPP/arquivo]

Como é a sua relação com a torcida atleticana?
Olha, vou contar um negócio que aconteceu esses dias que foi bacana. Eu estava num shopping e um molequinho disse: "Eu vou no jogo só para ver você jogar. Se você não joga, eu não vou no jogo". Escutar isso de uma criança é maravilhoso. Onde eu vou a galera demonstra um carinho por mim. E eu vou procurar continuar fazer o meu papel dentro de campo para continuar com esse carinho.

Qual foi seu melhor jogo pelo Atlético?
Foi contra o América Mineiro, com certeza. Foi um jogo difícil. O Atlético precisava ganhar e nós estávamos perdendo de 2 a 0. Eu fiz dois gols e foi um jogo importante, não só pelos gols, mas pelo jogo mesmo. Eu era um moleque, estava me firmando ainda e o time tinha Kléber, Alex Mineiro. É um jogo para não sair da memória (Nota: o Atlético venceu o América por 4 a 3, em 14/04/2002, no Estádio Independência, pela Copa Sul-Minas)).

A impressão que nós temos é que neste ano você está mais "solto". Um exemplo disso é que sempre que a torcida canta a música em sua homenagem (Dago, Dago, Dago, Dago, é Dagoberto!) você balança os braços, dança junto com a galera. Você está mais feliz jogando futebol?
Eu comecei trabalhando na roça com os meus país. De onde eu saí, você via um mundo fechado. Aos poucos eu fui crescendo e aprendendo coisas novas. Essa contusão acabou sendo um fator fundamental para isso. Antes, passava alguém, eu cumprimentava meio tímido, até com vergonha. Eu fui amadurecendo, crescendo e posso falar que perdi a timidez. Hoje eu brinco, dou risada, tiro onda.

Qual o melhor jogador com quem você já jogou?
No Atlético foi o Jadson. A gente tinha um ótimo entrosamento. Na Seleção Brasileira, o Daniel Carvalho e o Robinho. Mas eu me entendia muito bem com o Daniel Carvalho.

E a melhor dupla de ataque, com quem foi?
Acho que com o Washington. Com ele dava certo porque o grupo era maravilhoso, tinha o Ivan, o Jadson, o Fernandinho, que vinham matando. Com o Alex Mineiro eu joguei pouco, mas fomos muito bem.

CONTRATO E ESPECULAÇÃO

Você tem contrato com o Atlético até julho de 2007. Você quer jogar no clube no próximo ano ou existe alguma possibilidade de você se transferir?
Não existem propostas concretas. Meu pensamento nem é esse. Meu pensamento é voltar bem em 2006, quero jogar, buscar meu espaço novamente. Meu pensamento é fazer um excelente ano e sem contusões. Quero fazer uma boa pré-temporada no início do ano, voltar muito bem e dar seqüência à minha carreira.

Existiu alguma sondagem do Palmeiras para sua contratação?
Do interesse eu fiquei sabendo só pela imprensa. No Brasil tem grandes clubes, mas meu grande sonho é jogar na Europa. Eu quero fazer o meu melhor no Atlético, buscar meu espaço a cada dia aqui para algum dia ir para fora.

"Eu quero fazer o meu melhor no Atlético"
[foto: FURACAO.COM]

Você faz uma programação na sua carreira para ir jogar na Europa ou acha que isso é algo que deve acontecer naturalmente?
Em 2004 eu tinha um planejamento de chegar na Bola de Prata e estava indo muito bem, mas infelizmente depois do acontecido o pessoal subiu e me passou. Meu planjeamento para o ano que vem é fazer uma excelente Copa do Brasil, que é uma competição que nos dará a oportunidade de chegar à Libertadores, e também o Campeonato Paranaense.

BRASILEIRÃO 2005

Recentemente, no jogo contra o Paraná, você foi expulso pelo Márcio Rezende de Freitas por supostamente simular um pênalti. Depois, o próprio árbitro reconheceu que houve o pênalti, mas disse que você se jogou de modo espalhafatoso. Como foi esse lance?
Eu tenho consciência de que posso ter passado um pouco dos limites na reclamação que gerou o cartão amarelo. Foi um lance que todo mundo viu que foi falta, não sei porque ele não deu. Depois, o cara fez pênalti e ele não deu. É complicado. É o mesmo que aconteceu no jogo Corinthians e Inter. Eu não penso que ele (Márcio Rezende de Freitas) é mal intencionado, ele é ruim mesmo.

Quem você prefere que seja campeão: Corinthians ou Internacional?
Eu queria que fosse o Atlético (risos). Acho que está tudo nas mãos do Corinthians. Foi uma injustiça muito grande o que aconteceu com o Inter, mas acho que o Corinthians tem tudo para ser campeão.

Quem é o maior destaque individual deste Brasileirão?
Nilmar. Eu joguei com ele na Seleção, ele é muito gente fina. É um grande jogador.

E o Tevez? Você jogou muito contra ele nos campeonatos sub-20, não?
É verdade. Ele é um jogador esforçado. Ele volta para marcar, corre o jogo todo. Você veja que no Paulista ele só apanhava e ainda assim corria. Mas ele é um craque. Ele se sobressai, é lutador, merece estar onde ele está. Acho que temos características diferentes. Ele é um jogador de força, de drible curto, mas é um cara a ser admirado.

RIVAL

Como você avalia a situação pela qual o Coritiba está passando?
Em 2002 nós passamos por uma situação parecida e eu sei que é muito complicado. Eles começaram a cair na reta final e isso é ainda mais complicado. Você tem de tirar forças do além. Eu só posso desejar boa sorte a eles.

A torcida do Coritiba te provoca muito?
Isso eu acho que é normal. Várias pessoas vêm falar comigo e dizem: "Eu sou coxa-branca, mas eu admiro muito você". Isso é coisa de torcedor, é normal, ele age pela emoção. Eu respeito muito. Cada um torce para seu clube e não vai querer que um cara vá la e faça o gol no time dele. Mas quando nós ganhamos lá (no Couto Pereira), eu fui lá comemorar com a torcida. Foi muito gostoso ganhar aquele Atletiba, a cidade inteira estava falando do jogo.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Adriano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Robinho. Dentre esses cinco, qual tem o futebol que você mais gosta de ver?
Eu procuro aprender com os bons, tiro lições de caras inteligentes. O Ronaldinho Gaúcho é o top hoje em dia, ele faz a diferença. O Ronaldo Fenômeno tem uma arrancada incrível, mas o Ronaldinho Gaúcho com certeza é o top.

"Para chegar na Seleção, eu tenho de
fazer o meu melhor no Atlético"

A contusão atrapalhou suas chances de ir para a Copa do Mundo?
Eu sou muito otimista, acima de tudo. Enquanto há uma luz no fim do túnel eu vou lutar por ela. A Copa é no meio do ano que vem, ainda. Em 2006 eu vou fazer o que eu sempre fiz. Para chegar na Seleção, eu tenho de fazer o meu melhor no Atlético e fazendo isso eu sei que vou chegar lá.

FORA DOS GRAMADOS

Quais as suas atividades no momento de folga?
Eu sou um cara tranqüilo. Procuro viver de um modo normal. Eu sou um ser humano, gosto de sair com os amigos, é tudo normal.

Às vezes os torcedores reclamam dos jogadores que freqüentam casas noturnas ou que saem para se divertir nas horas de folga. Qual a sua opinião sobre isso? Qual é o limite desse tipo de cobrança, se é que ela deve existir?
Eu saio quando posso sair. Vou a barzinhos para jogar conversa fora com os amigos e até mesmo para as baladas. Mas, na boa, eu sou muito consciente. Já aconteceu de torcedor chegar em mim e de apoiar, dizer: "É isso mesmo, tem de aproveitar, tem de se divertir". Eu sou um cara consciente.

A fama atrapalha o jogador de futebol?
Se você não estiver preparado, atrapalha. Tem moloques que têm tudo, mas não conseguem ir para frente. Eu me considero um predestinado. Quando eu nasci, ganhei uma chuteirinha do meu irmão, que eu guardo até hoje. Sou um privilegiado por poder jogar futebol e ajudar minha família. Sou muito feliz.

Como começou sua relação com a Massa Sports?
O Marquinhos (Malaquias, um dos proprietários da empresa) estava no CT um dia e nós ficamos conversando. Depois, fomos para a praia e ficamos conversando durante um final de semana. Depois de muita conversa, nós sentamos e fechamos. Eu só tenho a agradecer eles por tudo. A galera da Massa é show de bola. Gerencia a minha vida de forma total. Uma coisa que eles me disseram e que ficou gravada é a seguinte: momento de folga é momento de folga. Antes, eu tinha de ir para fila de banco, às vezes perdia a manhã inteira no banco. Hoje eles cuidam de tudo isso. Futebol é complicado porque tem muito cara safado. Mas aqui todo mundo é transparente.

"A galera da Massa é show de bola" [foto:
FURACAO.COM]

CARTOLA

O Ricardo Teixeira anunciou que a CBF pretende adotar uma europeização no calendário brasileiro a partir de 2007. Qual a sua opinião sobre o assunto?
Acho que seria bom, desde que tivesse uns 20 dias de férias no final do ano para a galera dar uma pausa, descansar, pegar a família e viajar. Não perdendo nosso direito de trabalhar o ano todo e ter férias dignas no final do ano, eu sou a favor.

Você não acha que a classe dos atletas profissionais é desunida e pouco mobilizada?
Eu acho que não somos unidos. Não sabemos da força que nós temos. Temos muita força e não sabemos usá-la. A galera tinha de ser mais unida.

Este Brasileiro ficou marcado pelo escândalo da arbitragem, protagonizado pelo Edílson Pereira de Carvalho. Você ficou surpreendido pela confissão dele de que apitava beneficiando algum time?
Para ser sincero, eu não esperava isso. É uma coisa que muita gente ficou de boca aberta. Envolve muitas coisas, uma paixão dos torcedores, é algo complicado. Mas no Brasil existem tantas desonestidades fora do futebol. Quem sabe esse episódio sirva para melhorar o futebol.



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