25 jan 2008 - 9h26

Claiton, o novo rei da raça

Pode observar. Ele grita, chama o jogo para si, briga, toca o time para frente e parece estar em todos os cantos do gramado. Convoca a torcida, agradece a força vinda das arquibancadas e parece ser uma espécie de termômetro e referência da torcida em campo, pedindo o apoio dos atleticanos nos momentos mais críticos dos jogos do Furacão. Lidera os companheiros com sua experiência e é o jogador de confiança do técnico Ney Franco. Mais que isso, ele encarna a camisa rubro-negra com raça e determinação e enche os olhos da torcida atleticana.

É desta forma que o volante Claiton está marcando sua passagem pelo Atlético, desde que chegou à equipe em julho do ano passado, quando o time era comandado por Antonio Lopes. Aliás, na ocasião de sua contratação, o delegado bem profetizou: "É um jogador de técnica boa, que conhece bem a posição de volante, é um líder, um guerreiro. Eu acho que a torcida do Atlético vai gostar muito dele. Ele vai ajudar a qualificar muito o time". Não só qualificou como mudou o perfil do grupo, ajudou a resgatar a confiança da torcida e, a cada jogo, vem conquistando seu merecido espaço de ídolo no Furacão.

Sua estréia foi discreta, contra o América de Natal, no dia 21 de julho. Ele havia se apresentado dias antes e não chegou a realizar nenhum treinamento no CT do Caju. Viajou para Natal no dia seguinte e participou de apenas um treino sob o comando de Antonio Lopes. Antes de vir para o Furacão, Claiton passou por times como Vitória, Bahia, Servette, Santos e Nagoya Grampus Eight. O pontapé inicial na carreira de jogador aconteceu no Internacional, onde atuou por vários anos, mas foi no Rio de Janeiro que ele voltou a ter destaque no cenário nacional. Depois de uma excelente temporada no Botafogo, Claiton foi contratado a peso de ouro pelo Flamengo e a esperança era a de que ele fosse um líder do rubro-negro carioca na Libertadores da América. Porém, os planos não saíram como desejados e o jogador não conquistou a confiança da torcida, embora tivesse grande influência no elenco.

Situação que acontece totalmente ao contrário no Atlético. Claiton é jogador que interage muito com a torcida, que se encanta com seus gestos e jogadas de raça. O reconhecimento veio em setembro, quando assumiu a braçadeira de capitão na vitória sobre o Paraná Clube por 2 a 1. No mês seguinte, o jogador deu uma entrevista exclusiva à Furacao.com e falou sobre a confiança de todos em seu trabalho. "Quando houve o convite do Atlético, o Antonio Lopes e o Petraglia falaram que o time estava carente de um líder. Sempre tive essa característica por onde passei. No Flamengo, em uma semana eu era capitão, assim como no Botafogo. Então é maneira de eu tratar, de eu lidar. Eu sou um jogador muito emotivo, dentro de campo eu até me transformo um pouco, quero ganhar, quero vencer, sei cobrar e ser cobrado, e aonde eu chego sou bem aceito", comentou o jogador, que começou a ser chamado pela torcida e pela imprensa esportiva de "Predador".

Demonstrando a velha conhecida raça atleticana, Claiton também incentivou a diretoria atleticana para realizar a promoção de ingressos no segundo turno do Campeonato Brasileiro em 2007. O único momento ruim envolvendo o jogador aconteceu após a vitória do Atlético sobre o Grêmio, quando foi agredido covardemente pelo volante Eduardo Costa. Neste último domingo, Claiton disputou seu primeiro Atletiba e comandou o contra-ataque que originou o segundo gol rubro-negro, incendiando a torcida atleticana presente no Couto Pereira.

Já são 27 jogos vestindo a camisa rubro-negra, sendo titular em 25 e entrando por duas vezes durante a partida, contra o Grêmio e São Paulo. Ajudou o Atlético a conquistar treze vitórias, seis empates e oito derrotas. Claiton foi advertido em oito oportunidades com cartão amarelo. O retrospecto do capitão atleticano em Curitiba é excelente, tendo conquistado dez vitórias (nove na Kyocera Arena e uma no Couto Pereira) e somente dois empates, permanecendo invicto na capital paranaense defendendo o Furacão. Fora de casa obteve quatro vitórias (contando novamente a do Atletiba), quatro empates e oito derrotas.

No dia em que foi apresentado ao Atlético, Claiton afirmou: "Eu vim com o intuito de ajudar da melhor maneira possível". O torcedor atleticano já sabe disso, capitão. E é por isso que o casamento foi perfeito.

A Furacao.com homenageia o jogador no dia de seu aniversário e deseja a Claiton muita saúde e felicidades, e que continue sempre honrando as cores vermelha e preta.

Colaboração: Marcel Costa

A opinião de quem conhece

Para homenagear Claiton no dia de seu aniversário, convidamos alguns colunistas da Furacao.com para escreverem sobre o jogador. Confira abaixo as opiniões:

"Há tempos não se via no Atlético tamanha identificação entre um jogador e a massa Rubro-Negra. Há tempos não se via no Furacão tanto amor de um atleta ao Manto Sagrado. Claiton, desde que chegou, trouxe à memória dos mais novos a imagem do aguerrido Cocito; trouxe à memória de outros tantos as atuações do raçudo Fião e à memória dos mais experientes as jornadas do Deus da Raça, o inesquecível lateral Júlio. É comum no futebol a gente ver jogadores vestindo a camisa de seus clubes, mas com o Claiton é diferente: ele não veste a camisa, ele encarna a camisa e as cores que defende. Nos seus 30 anos, parabéns, Claiton. Você é a alma deste Atlético 2008 vocacionado às grandes conquistas!" – Rafael Lemos, colunista da Furacao.com

"Desde o dia que colocou a tarja de capitão no braço, Claiton mudou o perfil do time atleticano. Em casa, o Furacão deixou de perder. Em campo, finalmente alguém estava sempre ao lado do árbitro elogiando-o quando preciso e criticando-o coerentemente quando necessário. O elenco parece ter resgatado a confiança com a presença de um líder entre o grupo. Claiton é um jogador que interage muito com a torcida, gosta de levantá-la com gestos e jogadas de raça. Ano passado foi um dos incentivadores para a promoção de ingressos no segundo turno do Campeonato Brasileiro e sempre fez questão de agradecer o apoio dos torcedores após o final dos jogos na Kyocera Arena. Motivado pelo clima do jogo, atuou com muita raça e técnica contra Grêmio e Coritiba, tendo feito sua melhores partidas contra estes dois times, históricos rivais atleticanos e do próprio Claiton, criado no Internacional de Porto Alegre e já identificado com o Atlético" – Marcel Costa, colunista da Furacao.com

"O Atlético se ressentia de um líder dentro de campo. Por mais que tenha sido feita a tentativa com Danilo, sua própria característica pessoal não só não o ajudou como veio a prejudicar seu futebol. Historicamente o Atlético sempre teve times competitivos quando contou com lideranças dentro de campo, quer seja na experiência de um zagueiro como Jorge Luiz em 96, pelo carisma de Ricardo Pinto na mesma época, com a força de Nem e de Cocito no time campeão de 2001, ou na garra e respeito ao torcedor que mostravam Diego e Marcão nas temporadas 2004/2005. Claiton chegou sob a desconfiança do torcedor que só ficou feliz ao ter percebido que se livrou do preguiçoso Cristian, mas com muita luta e perseverança foi conquistando seu espaço para alegria de todos nós atleticanos e para o bem do clube que se recuperou no Brasileiro do ano passado e começou bem este 2008. Mas ele não é só garra não. Tem coberto muito bem os espaços, sendo correto nos passes e, ao lado do excelente Valencia, forma uma das mais fortes duplas de volantes da atualidade no futebol nacional" – Juarez Villela Filho, colunista da Furacao.com

"Caiu-lhe como uma luva aquela camisa que Claiton tirou no fim do jogo, rodopiou sobre a cabeça e como num ato de verdadeira alegria, cantou e dançou ao ritmo da torcida atleticana. Emocionou! Jogou demais, alisou e amaciou a bola quando transpassou a pelota sobre as cabeças dos gremistas e encheu os olhos de mais de 20 mil atleticanos. Claiton já é ídolo, é da caveira, e está fazendo por merecer a tarja que Ney Franco lhe presenteou. O Atlético precisa de líderes assim dentro de campo: com voz, com força e com o sincero desejo de vencer" – Rogério Andrade, colunista da Furacao.com

"Claiton tem demonstrado uma enorme identificação com as cores rubro-negras. O jogador que a princípio viria como moeda de troca, encarnou o espírito atleticano e vem conquistando a cada jogo que passa o seu merecido espaço de ídolo da torcida do Furacão. Que essa raça e determinação possam ser contagiadas a todos do elenco e transformado em títulos"Wagner Ribas, colunista da Furacao.com



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