22 fev 2008 - 16h38

Conheça melhor os craques do Furacão de 49

As homenagens prestadas aos heróis do Furacão de 49 tornaram o dia 20 de fevereiro de 2008 uma data importante na história do Clube Atlético Paranaense. Os jogadores remanescentes daquela equipe e os familiares dos craques que já faleceram receberam o justo reconhecimento da instituição, na pessoa de seus dirigentes e da torcida atleticana, representada pelas 15 mil pessoas presentes nas arquibancadas da Kyocera Arena.

Durante toda a quarta-feira, os seis ex-jogadores foram o centro das atenções. Laio, Nilo, Waldomiro, Viana, Jackson e Cireno conversaram com os atletas atuais, deram entrevistas à imprensa, recordaram de fatos do passado e falaram sobre as diferenças do futebol de seis décadas atrás.

Apesar de todo o destaque dado aos craques de 49, um aspecto acabou não tendo a devida atenção na cobertura do evento desta semana: a lembrança dos feitos dos jogadores daquela equipe. A Furacao.com levou um puxão de orelha do professor Valério Hoerner Júnior, co-autor do livro "Atlético: a paixão de um povo" e um dos maiores conhecedores da história do nosso Rubro-Negro. Para reparar esta falha apontada pelo professor Valério é que a Furacao.com apresenta, com alguns dias de atraso, os grandes craques homenageados pelo Atlético na última quarta-feira:

LAIO

Antonio Alves dos Santos, o Laio, foi goleiro do Atlético por mais de uma década. Nascido em Curitiba em 1918, começou sua carreira de futebolista no extinto Britânia, ainda como amador, e jogou ainda no Savóia. Chegou ao Atlético em 41 e permaneceu no clube até 51, ano em que encerrou a carreira. Seu momento de maior destaque no clube foi, sem sombra de dúvida, a campanha do Furacão de 49. Ele foi titular em todas as doze partidas do Campeonato Paranaense de 49.

Por suas atuações destacadas no Atlético, Laio recebeu o apelido de "A Fortaleza Voadora". Era essa a impressão que ele passava a quem assistia aos jogos do Atlético. Ágil e bem colocado, o goleiro parecia intransponível e fazia defesas em lances nos quais já se esperava o gol adversário.

Laio, a Fortaleza Voadora [foto: JORNAL DO ESTADO/Franklin de Freitas]


Além da camisa rubro-negra, Laio vestiu também os uniformes do Savóia e da seleção paranaense. Foi contemporâneo de Caju, o maior goleiro da história do Atlético. Em algumas temporadas, o clube se dava ao luxo de contar em seu plantel com os dois melhores guarda-metas do estado.

Além de jogador de futebol, Laio foi policial militar. Aposentado, divide seus dias entre Matinhos e Curitiba. Apesar de não freqüentar mais os estádios, esteve na Kyocera Arena em pelo menos dois momentos marcantes: na inauguração do novo estádio, em 99, e na última quarta-feira, ocasião em que foi homenageado pela diretoria ao lado de seus colegas de 49.

NILO

Nilo Izidoro Biazetto é um atleticano de "quatro-costados", como se costuma dizer. Vive intensamente o clube há 68 anos, desde que trocou o Coritiba pelo Atlético, em 1940, atendendo a um convite da família de Jofre Cabral (o pai de Jofre, João Alfredo Silva, foi presidente do clube anos mais tarde). Ele costuma contar que começou a jogar bola no Coritiba porque o clube era mais perto de sua casa, no bairro Juvevê, mas logo acabou indo vestir a camisa rubro-negra. Jogou no Atlético por doze anos e foi campeão paranaense três vezes.

Nilo atuava como centro-médio, posição que hoje equivaleria à de quarto-zagueiro. Naquele tempo, prevalecia o sistema tático WM, no qual dois defensores eram os responsáveis por fazer a última barreira antes da meta. Nilo era um desses. Alto e forte, era especialista nas jogadas aéreas e detinha extraordinária capacidade de liderança. Por isso, era o capitão do time.

Ao mesmo tempo em que jogava futebol, iniciou uma carreira no Banco do Estado, fundamental para desenvolver o conhecimento que o levaria a se tornar, anos mais tare, presidente da Associação Banestado e, depois, um empresário de sucesso. A qualidade do zagueiro Nilo era tanta que ele recebeu propostas de clubes importantes do futebol brasileiro, como Flamengo, Fluminense e Botafogo, mas nunca quis deixar Curitiba e o Atlético.

Nilo e Claiton, os capitães dos times que fizeram história [foto: JORNAL DO ESTADO/Franklin de Freitas]


Na campanha de 49, Nilo participou dos primeiros jogos e foi capitão do time, mas nas últimas partidas não teve a oportunidade de atuar e seu lugar foi ocupado por Délcio. Naquela época, o futebol ainda era amador e Nilo tinha compromissos profissionais que às vezes o impediam de atuar. Foi por isso que encerrou sua carreira prematuramente, com menos de 30 anos.

Depois de pendurar as chuteiras, Nilo Biazetto tornou-se conselheiro do Atlético e chegou à presidência do Conselho Deliberativo do clube em 2002. Esteve em São Caetano do Sul e assistiu à conquista do Campeonato Brasileiro no estádio.

WALDOMIRO

Waldomiro Lopes da Silva foi um dos melhores zagueiros da história do Atlético. Dessa afirmação não divergem os principais historiadors do clube. Começou sua carreira no Vasco da Gama, mas foi no Atlético que conquistou a identificação com um clube e viveu seu momento mais importante na campanha de 49.

Nilo e Waldomiro Galalau, dupla de área entrosada [foto: JORNAL DO ESTADO/Franklin de Freitas]


Participou de todos os jogos daquele campeonato, formando a dupla de área ora com Nilo, ora com Délcio. Vestiu a camisa rubro-negra por doze anos. Sua forma física lhe rendeu o apelido que o acompanha até hoje: Galalau. Depois que encerrou a carreira, continuou acompanhando de perto o Atlético. Por muitos anos, era figura certa nos jogos de masters do Atlético.

Waldomiro gosta de ir aos jogos na Arena e já esteve algumas vezes no CT do Caju, em ocasiões festivas como a da última quarta-feira.

VIANA

Moacir Ubirajara Viana era o ponta-direita do célebre Furacão de 49. Participou de todos os jogos daquela conquista e marcou três gols no campeonato. Assim como a maior parte dos jogadores daquele time, tem profunda ligação com o Atlético. Jogou por doze anos no clube. Sua família inteira torce para o Rubro-Negro.

Um fato curioso em relação à trajetória de Viana é que ele teve sua carreira de jogador interrompida em 1944 em função da II Guerra Mundial. Ele foi um dos pracinhas brasileiros que combateram na Itália servindo a Força Expedicionária Brasileira. Na época da Guerra, Viana serviu ao Exército Brasileiro com o centroavante Neno, que na época atuava no Coritiba. Depois, os dois voltariam a se encontrar no Atlético. Neno foi artilheiro do Campeonato de 49 e fez vários gols graças às jogadas de Viana.

Viana e Cireno, os pontas de 49 [foto: JORNAL DO ESTADO/Franklin de Freitas]


O ataque daquele time entrou para a história, pois foram os gols que renderam o apelido de Furacão ao time. Viana, Rui, Neno, Jackson e Cireno. Esta linha de frente é citada por gerações de atleticanos há seis décadas. Viana era o ponteiro-direito e tinha grande entrosamento com Rui, que jogava pela mesmo lado do campo.

JACKSON

Jackson Nascimento, parnanguara de nascimento e atleticano de coração. Nascido exatos cinco meses após a fundação do Atlético, Jackson se tornou um dos mais brilhantes jogadores da história do clube. É o segundo maior artilheiro do Rubro-Negro, com 140 gols, atrás apenas de Sicupira. Muitos consideram que Jackson foi o melhor jogador que já vestiu a camisa atleticana. Não é para menos: os seus feitos, jogadas, lances e gols são lembrados até hoje.

Começou a jogar bola no Atlético Antoninense, no litoral paranaense. Mudou-se para a capital para estudar e recebeu um convite para jogar nos médios do Atlético, o que hoje seria equivalente aos infantis. Em 44, fez sua estréia no time principal substituindo o então ídolo Lupércio, meia-direita do time campeão paranaense em 1943.

O craque Jackson cumprimenta o técnico Ney Franco na festa de quarta-feira [foto: JORNAL DO ESTADO/Franklin de Freitas]


Jackson fez algumas partidas nesta função, mas quando passou a jogar como meia-esquerda seu futebol se destacou e foi com a camisa 10 que ele se destacou. Durante anos, conciliou o futebol com os estudos na Faculdade de Direito, onde se bacharelou em 1951. Antes disso, já havia conquistado um posto mais importante: "doutor em futebol", ao lado dos craques do Furacão de 49.

Habilidoso, dono de um chute potente e preciso, Jackson era símbolo da classe ao jogar futebol. Nunca foi expulso em toda a sua carreira, o que lhe rendeu o Prêmio Belfort Duarte, uma de duas maiores honras. Sua fama nos campos paranaenses alastrou-se para São Paulo e foi contratado pelo Corinthians em 1951. Foi bicampeão paulista e ídolo também da fiel torcida conrintiana.

Mas voltou a Curitiba para encerrar a carreira no Atlético, em grande estilo. Basta dizer que foi artilheiro do Campeonato Paranaense de 1953, com 21 gols. Durante muitos anos, foi o craque e principal jogador do Atlético. Ao encerrar a carreira, continuou ligado ao clube. Foi técnico campeão em 58, diretor de patrimônio e diretor de futebol. Uma vida dedicada ao Atlético.

CIRENO

Cireno Brandalise foi o ponta-esquerda do Atlético por mais de dez anos. Conquistou os títulos paranaenses de 43, 45 e 49. Seu nome é sempre citado nas eleições dos melhores jogadores da história do Rubro-Negro, e não é por favor; é pela qualidade de Cireno dentro das quatro linhas.

Nascido em Mallet, começou sua carreira no juvenil do Guarani de Ponta Grossa, o único time em que jogou além do Atlético. Recebeu propostas para jogar por outros clubes, mas as recusou por sentir que não se sentiria bem vestindo outra camisa que não a rubro-negra. Sua identificação com o Atlético foi profunda e duradoura.

O início foi difícil. Desconhecido dos principais dirigentes do Atlético, Cireno acabou não recebendo muitas oportunidades. Aceitou então um convite de amigos que jogavam no Juventus e, durante uma semana, treinou nos dois clubes. O Atlético só decidiu pela sua contratação quando ele estava quase tomando o rumo dos polacos.

Sua grande chance aconteceu no primeiro jogo do Campeonato Paranaense de 1942, contra o Brasil. O goleiro Caju, líder do time, aceitou uma sugestão de Claro Américo Guimarães e determinou que Cireno jogaria como centroavante. Ele marcou três gols e o Atlético venceu por 3 a 1. Iniciava ali uma trajetória de sucesso, que poderia ter sido interrompida não fosse a bravura de Cireno.

Foto histórica, reunindo os integrantes de 49 e 2008 [foto: JORNAL DO ESTADO/Franklin de Freitas]


Em 43, ele sofreu uma grave contusão no joelho. Naquele tempo, a ruptura dos ligamentos representava o fim da carreira. Não para Cireno. Ele lutou e conseguiu "driblar" a contusão. Passou a jogar com um protetor no joelho e apredeu quais movimentos poderia fazer sem sentir dor. Foi jogando assim que se tornou um dos maiores jogadores da história do futebol paranaense.

A partir de 44, já adaptado, conseguiu uma vaga no time titular e só saiu de lá quando pendurou as chuteiras. Participou ativamente do título de 45. Mas seu nome ficou cravado na história do clube e do futebol paranaense pela brilhante participação no Furacão de 49, considerado até hoje o melhor time do futebol do Estado.

No mesmo ano em que o Furacão encantava os quatro cantos do Paraná, Cireno viveu o ápice de sua carreira. Foi um dos primeiros jogadores paranaenses convocado para a Seleção Brasileira, chamado pelo técnico Flávio Costa para o time que se preparava para a Copa do Mundo de 1950. Ficou concentrado 25 dias em Poços de Caldas, mas foi cortado, injustamente, dando lugar ao vascaíno Chico.

Mas a carreira de Cireno não foi marcada apenas por gols e títulos. Ele também aprontou muito, com jogadores adversários e torcedores rivais. A história mais conhecida é do famoso Atletiba dos 8 minutos, quando, depois que o Atlético empatou o jogo (gol de Jackson), Cireno, por pura malandragem, arrancou o gorrinho do goleiro Belo, do Coritiba. Desesperado, o coxa-branca agrediu Cireno e acabou expulso. Revoltados, os jogadores do Coritiba se recusaram a continuar o jogo, que foi encerrado aos 8 minutos do primeiro tempo.

Cireno encerrou a carreira em 1952, aos 30 anos, depois de ter marcado 112 gols pelo Atlético. Formou-se em Direito e foi advogado da Caixa Econômica Federal. Em 68, voltou ao Atlético para ser dirigente do clube. Nunca deixou de ser um torcedor fervorosos. Nos anos 80, era comum encontrar Cireno em frente à Baixada com a faixa de campeão paranaense no peito e relembrando os feitos do passado. Sua casa é inteiramente decorada com objetos do Atlético, símbolo de uma paixão eterna.

OUTROS CRAQUES

Outros jogadores, já falecidos, também fizeram parte do histórico Furacão de 49. Para saber mais sobre eles, consulte os arquivos da Furacao.com: Jogadores, Títulos e Hot Site 80 Anos.

A reportagem acima foi produzida com base em pesquisa efetuada nos livros Atlético: a paixão de um povo (HERIBERTO IVAN MANCHADO e VALÉRIO HOERNER JÚNIOR), Atletiba, a paixão das multidões (ANTONIO CARLOS CARNEIRO NETO), Futebol, Paraná, História (HERIBERTO IVAN MACHADO), no Hot Site dos 80 Anos produzido pela Furacao.com, em matérias do site oficial do Atlético, em entrevistas com os próprios jogadores e em arquivos de jornais paranaenses.



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