21 abr 2008 - 15h00

Um drible na pirataria

Há um famoso ditado que diz: “se não pode com ele, junte-se a ele”. Foi com mais ou menos esse lema que o Atlético lançou um programa pioneiro de combate à pirataria de produtos com a marca do clube. A principal ação, lançada em 2005, foi a de legalizar e licenciar camisas temáticas, vendidas exclusivamente nos varais e no comércio de ambulantes. Aliado a isso, o clube incentiva e promove o licenciamento cada vez maior de produtos com a marca do Atlético.

“Contratamos, em parceria com a Umbro, uma empresa para atuar especificamente no controle e fiscalização dos produtos falsificados com a marca do clube. A alternativa que encontramos foi a de chamar os ambulantes e mostrar que estamos ao lado da lei. Fizemos reuniões com o Sindicato dos Vendedores Ambulantes e mostramos que essa briga é de força, mas nós não queremos prejudicar ninguém. Por isso, desenvolvemos uma linha temática, com preço acessível, semelhante ao valor cobrado pelo produto pirata, com a vantagem de que ele é licenciado pelo clube e, portanto, é legal”, explica o diretor de Marketing do Atlético, Mauro Holzmann. Atualmente, existem no mercado cinco modelos de camisas licenciadas pelo Furacão, à venda exclusivamente no mercado de ambulantes.

Essas camisas não concorrem com a venda da camisa oficial do clube, fabricada pela Umbro, já que não são semelhantes às camisas utilizadas pelos jogadores nos jogos. “Os produtos à venda nos varais são temáticos, que fazem referência ao Atlético, mas são bem diferentes da nossa camisa oficial”, diz. Na semana passada, o Atlético lançou a nova coleção de camisa oficial do clube, fabricada pela Umbro, e que está à venda na Arena Store e lojas de materiais esportivos.

Incentivo à política de licenciamento
Aliada à venda de produtos temáticos com a marca do clube, o Atlético mantém constantemente ações policiais e jurídicas para impedir a venda de produtos piratas. Segundo Holzmman, no jogo contra a falsificação de produtos com a marca Atlético, o grande aliado é o licenciamento de produtos. “Quanto mais produtos licenciados você tiver para oferecer ao consumidor, melhor você combate a pirataria. Por isso, sempre que encontramos um novo produto ilegal, a nossa primeira tentativa é de avaliar a qualidade e utilidade dele e procurar o fornecedor para legalizar o produto”, informa. Estima-se que o Atlético tenha atualmente cerca de 200 produtos licenciados com a sua marca, que vão desde chaveiros, produtos para festa infantil, canetas e adesivos até cadernos, camisas e relógios.

O trabalho de combate à pirataria rendeu ao clube um prêmio na Câmara dos Deputados, em 2005, quando o Atlético foi convidado a participar do 1° Seminário de Combate à Pirataria do Brasil, organizado pela Frente Parlamentar de Combate à Piraria e Sonegação Fiscal, com o clube apresentando suas ações no combate à venda de produtos falsificados. Na oportunidade, o Atlético reproduziu um varal semelhante aos que comercializam camisas piratas nas proximidades de diversos estádios do país, com a peculiaridade de que no varal atleticano todos os produtos serem oficiais e licenciados pelo clube.

Segundo Holzmann, a iniciativa atleticana é pioneira no futebol brasileiro e serve de modelo para outros clubes do país – Internacional e Figueirense já manifestaram interesse em adotar essas estratégias. “Muitos clubes fazem ações isoladas no combate à pirataria. Mas o grande diferencial do projeto do Atlético é de que a gente fez uma ação interligada com os vendedores ambulantes, não apenas apreendendo o produto falsificado, mas criando opções de venda para o mercado de ambulantes”, explica.

Na avaliação do clube o resultado é satisfatório, já que praticamente se eliminou a venda de camisas falsificadas do Atlético, beneficiando todos os pilares desse sistema: os ambulantes, que vendem um produto legalizado; o clube, que encontrou uma nova fonte de receita; e os torcedores-consumidores, que podem adquirir produtos do seu clube do coração com a garantia de que a compra vai reverter em ganhos para o time.

Pirataria traz prejuízos no Brasil
Os produtos falsificados são cada vez mais populares no país. Pesquisa divulgada no final do ano passado pelo Instituto Ipsos com a Fecomércio-RJ revela que 42% dos brasileiros consomem produtos piratas, o que causa um prejuízo de R$ 30 bilhões na arrecadação brasileira. Dados do Ministério da Justiça estimam que anualmente 2 milhões de pessoas perdem seus empregos devido ao comércio de produtos piratas.

Na lista dos produtos preferidos estão CD’s e DVD’s, além de cigarros, óculos, calçados, tênis, relógios e medicamentos. A justificativa para o consumo de produtos piratas é, para 97% dos entrevistados, o preço baixo.

A preocupação no combate à falsificação reflete também na organização da Copa 2014 no Brasil. No mês passado, a Fifa assinou um documento com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, na tentativa de combater a pirataria de produtos oficiais da Copa do Mundo de 2014. “O trabalho será realizado por meio de seminários e workshops que promoveremos a partir do segundo semestre desse ano, e terá um caráter eminentemente educativo e preventivo. Levando-se em conta que o futebol envolve o Brasil como um todo, a Copa do Mundo de 2014 será um caminho interessante para que esse trabalho alcance o maior número de pessoas”, explica o advogado da Fifa e especialista na área de Propriedade Intelectual, Pedro Bhering.



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