5 jun 2008 - 0h09

Reforços agora para não sofrer no fim do ano

Tomando por base o discurso dos últimos dias, o técnico Roberto Fernandes e a torcida rubro-negra estão falando a mesma língua. Desde que chegou ao Atlético, há cerca de dez dias, o treinador já afirmou em diversas oportunidades que é necessário reforçar o elenco. A opinião é compartilhada pela torcida – pelo menos é o que mostra o resultado de uma enquete promovida pela Furacao.com nos últimos dias. Em um universo de mais de oito mil votos, a ampla maioria da torcida (88,4%) acha que a principal solução para a equipe voltar a jogar bem é a contratação de reforços

Apesar da indiscutível necessidade de melhorar a qualidade do time, recorrer ao mercado implica a superação de alguns obstáculos. O primeiro é relacionado à urgência de buscar novos jogadores. Como as transferências internacionais estão vedadas até a janela de agosto, resta ao Atlético recorrer ao mercado nacional se quiser melhorar o time imediatamente. Isso restringe a procura a atletas que disputam a Série A (e não tenham ultrapassado o limite de seis jogos na competição) e a jogadores vindos de times das outras divisões do futebol brasileiro.

A proibição de transferências internacionais é uma determinação da FIFA. Segundo o que determina o artigo 6 do Regulamento sobre o Estatuto e as Transferências dos Jogadores da entidade, cada associação nacional de futebol estabelece seus períodos de inscrição de atletas vindos de outros países. Diante disso, a CBF fixou duas janelas de transferências internacionais: a primeira no período de 2 de janeiro a 25 de março; e a segunda, de 3 a 31 de agosto.

Até a janela se reabrir e permitir a inscrição de reforços vindos de fora há um longo caminho a ser percorrido pelo Furacão no Campeonato Brasileiro. A liberação dos reforços “internacionais” ocorrerá justamente na data da antepenúltima rodada do primeiro turno do Brasileirão – no dia 3 de agosto, o Atlético recebe o Botafogo na Arena da Baixada. Até lá já terão sido disputadas 16 rodadas do Campeonato Brasileiro, o equivalente 42,10% de toda a competição. Aguardar tanto tempo para reforçar o time significa assumir riscos muito elevados. Em outras palavras: pode ser tarde demais.

Adriano, que não acertou com o Goiás, em seu primeiro retorno ao Atlético [foto: arquivo]


Outro obstáculo são os valores elevados praticados no futebol brasileiro nos dias atuais. Custa caro bancar a rescisão contratual de um atleta e seus salários. Hoje, porém, o Rubro-Negro pode se orgulhar de desfrutar de uma situação financeira invejável em relação a outros clubes brasileiros. A gestão profissional de administração do clube cumpriu a meta de sanear as dívidas e há receitas fixas garantidas com ampliação do quadro associativo – atualmente, são quase 16 mil cadeiras vendidas a sócios.

Ainda no aspecto financeiro, o Atlético tem por política não ultrapassar determinado teto salarial, estimado atualmente em cerca de R$ 50 mil mensais. Em ocasiões anteriores, o presidente Mario Celso Petraglia explicou que o desnível salarial entre os jogadores causaria problemas de relacionamento incontornáveis. “Se fizéssemos um esforço, como o do Alex Mineiro, como administraríamos o grupo, o salário do Netinho, do Rhodolfo, do Danilo?", declarou em uma entrevista realizada em março. Porém, outros clubes conseguem administrar com sucesso a diferença salarial entre suas principais estrelas e o restante do elenco – são os casos de Internacional, Grêmio, Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras e Santos, entre outros.

Assim, apesar de todas as dificuldades, é possível melhorar a qualidade do time através da contratação de reforços. Nenhuma conquista atleticana foi fácil ao longo de mais de oito décadas de história. Mas graças à dedicação de seus dirigentes, funcionários, jogadores e torcedores, o clube superou adversidades, injustiças e momentos de turbulência.

Mesmo em um momento em que há escassez de bons jogadores, o Atlético tem à disposição alguns nomes que poderiam ser fundamentais para recomposição da equipe, que perdeu peças importantes neste ano. Na mesma entrevista de março, Petraglia assegurou: "Vamos trazer reforços. Gostaria de trazer alguns nomes, mas só comunicamos no momento que tivermos assinados. Mas vai ter gente boa por aí”.

A Furacao.com buscou alguns nomes de “gente boa” para reforçar o elenco atleticano ainda no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. A pesquisa se restringiu apenas aos setores mais carentes do elenco. Confira o resultado.

Para a lateral-esquerda, posição em que o Furacão necessita de reforços mesmo com a chegada de Márcio Azevedo, seguem alguns nomes compatíveis com as condições atleticanas:

LATERAIS-ESQUERDAS

Júlio César (Goiás)
Fernandinho (Cruzeiro)
Anderson Pico (Grêmio)
Bruno Recife (Portuguesa)
Alex Cazumba (São Paulo)
Avine (Bahia)
Everton (Paraná)
Guigov (Barueri)
Triguinho (Botafogo)

Merecem destaque Triguinho e Fernandinho – o primeiro teve boas passagens no futebol brasileiro, sobretudo quando atuava pelo São Caetano. O jogador de 29 anos não vem atuando pelo Botafogo e cairia como uma “luva” na equipe do técnico Roberto Fernandes. O segundo é conhecido do futebol paranaense. Ex-jogador do Paraná, Fernandinho formou um quadrado ofensivo de respeito. Passou também por Criciúma e Vasco. No Cruzeiro, atua na lateral, mas se destacou no Paraná jogando no meio-campo.

No meio-campo, apenas Netinho é um jogador de armação. Esta é uma carência muito grande no grupo atleticano. Com o possível reforço do ídolo Kelly, outros nomes também seriam importantes para a recomposição do elenco neste setor:

MEIAS

Renato (Ponte Preta)
Vitor Júnior (Santos)
Kássio (Sport)
Julio dos Santos (Grêmio)
Rodrigo Tabata (Santos)
Romerito (Goiás)
Dinelson (Corinthians)
Adriano Gabiru (Internacional)
Adrianinho (Brasiliense)
Rodriguinho (Iraty)
Rafinha (Corinthians)
Rafinha (São Caetano)
Marquinhos (Vitória)

Julio dos Santos, 24 anos, é um nome forte nesta lista. O paraguaio está emprestado ao Grêmio, mas não vem atuando pela equipe gaúcha. Ele foi sondado pelo Atlético logo depois do confronto direto contra seu clube, o Cerro Porteño, nas oitavas-de-final da Libertadores de 2005. Na ocasião, o Bayern de Munique levou a melhor e contratou Dos Santos, que atualmente está emprestado ao Grêmio. Além dele, Tabata, Vítor Júnior e Renato também já estiveram perto de acertar com o Rubro-Negro.

Julio dos Santos, que já foi sondado pelo Atlético em 2005: em disponibilidade [foto: arquivo]


Se o técnico Roberto Fernandes entender que a equipe precisa de experiência, Adriano Gabiru, velho conhecido da torcida, e Romerito são as opções. Adriano está vinculado ao Inter e quase foi negociado com o Goiás, mas o negócio fracassou. Romerito deixou o Sport e retornou ao Goiás ao final de um empréstimo que não foi renovado porque o time pernambucano não pagou o valor pedido.

A lista também contempla algumas jovens revelações, casos de Kássio (21 anos), Rafinha (20 anos) e Marquinhos (18 anos).

Ao contrário da defesa, o ataque do Atlético tem deixado a desejar nesta temporada. Por este motivo, esta posição também foi lembrada pela equipe da Furacao.com:

ATACANTES

Adriano (Internacional)
Gil (Internacional)
Lenny (Palmeiras)
Somália (Fluminense)
Alex Terra (Goiás)
Jonas (Grêmio)
Lima (Corinthians)
Vandinho (Avaí)
Weldon (Cruzeiro)
Nenê (Cruzeiro)
Rômulo (Cruzeiro)
Luan (São Caetano)
Jean Coral (Criciúma)
Mendes (Juventude)
Danilo Neco (Ponte Preta)

Para este setor, vale ressaltar a identificação do atacante Lima com a torcida atleticana e a habilidade do atacante Gil. Lima atuou pelo Corinthians na partida contra o Fortaleza, pela Série B do Campeonato Brasileiro, mostrou estar em forma e com muita vontade de jogar. Certamente, seria um reforço comemorado pela torcida atleticana.

Gil e Jonas são atacantes que iniciaram a carreira no futebol paulista e hoje estão na reserva de times gaúchos. Nos últimos dias, os dois vêm sendo alvo de especulações de outras equipes – um sinal de que estariam disponíveis para negociação.



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