30 set 2009 - 21h28

“Não foi da boca pra fora. Quero ficar aqui”, diz Baier

Líder, camisa 10, cérebro, inteligente, audacioso, milimétrico nos passes, mestre em bolas paradas. Sobram adjetivos para falar de Paulo Baier, dono da camisa 10 e capitão do Atlético. Ele, que chegou em junho com a difícil missão de liderar a equipe rubro-negra, rapidamente conquistou a torcida e está figurando como peça fundamental no segundo semestre da temporada 2009. Além da reconhecida qualidade técnica que agrega ao time, a vinda do capitão assumiu definitivamente o posto de jogador mais importante do Furacão.

Mais que a postura de líder, Paulo Baier chamou para si a responsabilidade de ajudar os mais jovens do grupo e confirmou sua fama de maestro, chamando o jogo, rolando a bola no chão e ditando o ritmo da equipe. E é com estas atitudes que o meia vem conquistando espaço no coração da torcida e sendo a grande aposta do clube para permanecer no próximo ano.

Na noite de ontem, o jogador esteve presente no VI Espetinho Solidário em benefício da Associação Alirio Pfiffer, que faz parte do projeto Furacão Social. Em entrevista exclusiva à Furacao.com, Paulo Baier reafirmou a intenção de encerrar a carreira no Furacão e defendeu Netinho e Marcinho. Além disso, falou sobre sua personalidade, se intitulando “o mais chato de todos” e elogiou a torcida atleticana, a qual tranquilizou sobre a reta final do Brasileirão. “Temos uma sequência difícil, mas vamos tentar o melhor possível e sem sofrimento”, garantiu.

Confira abaixo a entrevista exclusiva com o capitão rubro-negro:

Paulo, quem te trouxe para o Atlético? Com quem você teve o primeiro contato?
Na realidade, mesmo, quem me trouxe foi o Geninho. Foi ele quem me indicou, ele me fez o convite. E logicamente que, depois, foi o presidente que entrou em contato. Entretanto, o primeiro contato foi mesmo com o Geninho. Foi ele quem me ligou, me procurou, porque eu tinha saído do Sport, e toda aquela confusão com o Nelsinho (Batista, então treinador do Sport).

Depois do jogo contra o São Paulo, na Baixada, você chegou a dizer que gostaria de encerrar a carreira no Atlético. Foi fogo de palha ou essa é mesma a sua vontade?
A minha intenção é essa, desde que eu cheguei. Hoje, o Atlético tem uma estrutura que, pra mim, é a melhor do Brasil. Além disso, o Atlético tem um torcedor que é fantástico. Você vai à Arena e vê, é impressionante. O clube dá todas as condições de um atleta jogar. Eu cheguei em um certo ponto em que eu tenho que me estabilizar. E eu estou em um clube que paga em dia, que tem uma torcida muito fera, tem uma estrutura bacana. Então, não tem por que eu sair. A minha preferência, eu já falei com o meu procurador, a minha intenção é renovar, é ficar aqui, é permanecer, porque as pessoas estão me tratando bem, e isso é importante, você estar feliz. Não foi na emoção do jogo, não foi na emoção por ter feito o gol ou da boca pra fora, na realidade é isso mesmo que eu quero, permanecer aqui.

Você é polivalente. Ao longo da sua carreira você já atuou em várias posições. Hoje você atua no meio-campo, uma posição carente no Rubro-Negro. Além de você, temos o Marcinho, e agora a volta do Netinho. O Atlético tem agora um meio-campo mais sólido?
O Marcinho está começando a ter um momento muito bacana, é um cara de quem eu gosto muito, o grupo inteiro gosta dele. No último jogo na Baixada, contra o Sport, ele resolveu o jogo pra nós, e isso é importante, ter jogadores que estão ali ajudando. Em relação ao Netinho, antes de vir pro Atlético eu já sabia do potencial dele. É um garoto bom e querido por todos no grupo, que gostam muito dele. É um jogador muito talentoso, e isso foi mostrado agora, no último jogo contra o Palmeiras, ele entrou muito bem na partida e tem tudo para voltar a ser o Netinho que todo mundo espera. Nós temos um grupo muito jovem. Uma garotada que quer crescer e vencer. Então, a gente tem a hora de cobrar, tem a hora de passar a mão na cabeça: ‘olha, é assim que funciona’. A gente já conviveu com isso e sabe como é. Então, o presidente falou assim: ‘Olha, Paulo. Eu preciso de você aqui pra ajudar o clube e ajudar essa garotada’. E eu disse que seria um prazer muito grande. Estou muito feliz, estou vivendo um momento bom. Momento de fazer gols, de jogar bem, de ajudar.

O Atlético anda carente de ídolos. Recentemente tivemos o Claiton e o Alex Mineiro, que voltaram agora. Você chegou como capitão da equipe, um líder. Com a sua vinda para o Furacão, a torcida pode dizer que, hoje, você é um ídolo aqui.
Mesmo se eu não fosse capitão, eu exerceria essa liderança. Eu sou de ganhar, nem em “rachão” eu gosto de perder. É a minha característica, é o meu jeito de ser. Se eu tiver que cobrar alguém, eu vou cobrar seja quem for. Se perguntar para a molecada (jogadores do Atlético) eles vão falar: ‘o Paulo é o mais chato de todos’. Eu gosto das coisas perfeitas, eu gosto de ver o time jogar bem, eu gosto de ver o time vencer. Porque, assim, a gente vai ajudar a equipe e vai ajudar o torcedor, isso é importante. Assim a gente vai estar com um nível lá em cima. A melhor coisa é a vitória, e temos que trabalhar em cima delas. Essa é minha maneira de ser, minha maneira de trabalhar, e isso não vai mudar.

Qual é o seu recado para a torcida do Atlético? O que ela pode esperar do time nessa reta final de Brasileirão e, ainda, o que ela pode esperar do Paulo Baier com a camisa rubro-negra?
Eu tenho um carinho muito grande pelo Atlético. Eu fui muito bem recebido, muito bem acolhido aqui. A cidade em geral, pelo torcedor, nós temos muito pra crescer. Se Deus quiser, no próximo ano, a gente permanecendo, nosso time com a volta do Claiton, do Alex Mineiro e com mais alguns jogadores experientes, essa garotada que está jogando o primeiro ano, e terão mais experiência também, teremos um elenco bastante equilibrado. Queremos terminar bem este campeonato, nesses 12 jogos que restam, temos uma sequência difícil agora nesses três próximos, vamos tentar o melhor possível, sem sofrimento, não é? E pode ter certeza que esse ano não deve ter sofrimento porque a gente está trabalhando muito. O Lopes (Antonio) é um cara que trabalha muito e dá todas as condições pra que a gente entre bem em campo. A gente queria estar na briga pelo título, ao menos a Libertadores. Não deu neste ano, mas quem sabe no próximo. E neste jogo contra o Corinthians pode ter certeza que haverá muita determinação, vontade, e buscar a vitória vai ser muito importante para nós todos.

Colaboração: Monique Silva



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