13 jul 2012 - 17h39

Por um time com mais “macacos velhos”

O projeto do Atlético para este ano se baseava na aposta em jovens jogadores revelados nas categorias de base. Desde os primeiros jogos, o torcedor se acostumou a ver os talentos surgidos no CT do Caju vestindo a camisa da equipe profissional.

O número de garotos que fizeram parte do elenco principal em 2012 é expressivo. Rodolfo, Santos, Paulo Otávio, Manoel, Bruno Costa, Héracles, Deivid, Renan Foguinho, Renato, Cleberson, Harrison, Lucas Sotero, Bruno Furlan, Edigar Junio, Marcelo, Pablo e Taiberson. Em comum, todos passaram pelas categorias inferiores do Rubro-Negro, têm entre 18 e 23 anos e já foram titulares do profissional neste ano.

Não demorou muito para o técnico Jorginho detectar que o excesso de atletas inexperientes é inviável para formar um time vencedor. Nos últimos dias, o treinador falou sobre o assunto e deixou claro os riscos que essa política envolve. “Eu tinha, se eu não me engano, quase dez atletas entre 19, 20 e 21 anos. É muito, gente! Para uma equipe que quer ganhar, é muito. Não existe isso. Desculpe, mas não existe”, declarou Jorginho na coletiva depois do jogo contra o Ipatinga.

Na visão do técnico, é uma responsabilidade muito grande para os garotos, que podem ficar “queimados” caso os resultados positivos não sejam conquistados. “Ainda vejo um outro pedindo certos jogadores que nós vamos acabar com eles. Porque se não for bem, esse menino vai ficar às traças, vai ficar perdido, uma coisa que poderia vir na frente a ser muito boa. Então, não podemos perder isso, cara! Está totalmente errado. Um colega de vocês me perguntou no intervalo: “Ah, mas você tem o Paulo Baier e o Luiz Alberto!”. Eu falei: “Mas teria que ser o contrário! Teria que ser dois garotos e o restante já macaco velho, já esperto”. Não atleta já quase em condições de querer parar, mas com 26, 27, 28 anos, que você está na flor da idade, mas com muita rodagem, com muito calo já”, explicou.

Amadurecimento

O processo de “amadurecimento” da equipe fica evidente pelas recentes contratações. Nesta semana, por indicação de Jorginho, desembarcaram no CT do Caju o lateral-direita Maranhão (26 anos), o lateral-esquerda Wellington Saci (27 anos) e o volante João Paulo (27 anos). O clube negocia ainda com o volante Derley (26 anos), que pode assinar contrato na próxima semana.

Todos estão na faixa etária da “flor da idade” mencionada por Jorginho. Ainda foram contratados o lateral Daniel e o zagueiro Renato Chaves, ambos na faixa de 22 anos, mas com experiência em Campeonatos Brasileiros.

Jorginho explicou a diferença de uma equipe que conta com jogadores mais rodados: “Faz com que você consiga ter um time mais maduro, saber a hora de tocar, a hora de dar velocidade, de perder menos a bola, definir na hora certa, entendeu?”.

Apesar de confiar nos reforços para mudar o panorama do Atlético no campeonato, Jorginho foi sincero e admitiu que não é possível saber de antemão se eles vão se “encaixar” na equipe. “Não sei se esses atletas vão chegar e vão conseguir jogar. Muitas vezes a pressão vai continuar e eles não vâo conseguir jogar. Os caras que estão chegando, caso cheguem, e tenham condições, porque chegar é uma coisa, ter condições de jogo é outra, aí sim nós vamos tentar ver se melhora e dá uma tranquilidade maior para esses atletas novos conseguirem ter o seu espaço”, ressaltou.

Preparação

O técnico atleticano acredita que a pressão está muito grande para os mais jovens. “São garotos que estão jogando numa pressão danada. E é muito difícil, é querer demais desses garotos, é exigir demais isso. Então, nós temos que valorizar muito o que eles estão fazendo, parabenizá-los muito bem, mas continuar cobrando para que eles possam dar mais, porque eles têm condições de melhorar”, disse.

Na semana passada, ainda antes do jogo contra o Ipatinga, Jorginho já havia falado do assunto e observado que o processo de revelação de talentos não se faz da noite para o dia.

“Nós temos poucas opções. Os outros são meninos. Hoje nós vamos ter seis [garotos no time titular]. Isso é impossível. O Barcelona levou mais de dez anos para fazer um time com nove jogadores da equipe. Mais de dez anos! Tanto é que um que começou lá atrás, que é o melhor jogador hoje, que é o Iniesta, tem 32 anos (*). E ele começou lá atrás com 20, então são 12 anos. Não se faz isso em seis meses, né? Mesmo porque nós não temos nem condições financeiras de ficar segurando um atleta da qualidade de um Iniesta. Ou mesmo daqui a pouco não vamos conseguir segurar o Manoel. A qualidade que ele tem, daqui a pouco não consegue segurar. Então, para você ver o que é difícil o futebol. Muitas vezes nós precisamos das coisas de imediato e hoje nós estamos acabando com os garotos com o imediatismo, colocando eles muito jovens para jogar e acabando com algumas etapas de aprendizado deles. E isso vai ficando difícil cada vez mais”, destacou.

Depois do último jogo, um repórter questionou Jorginho se pelo menos alguns desses meninos não estariam prontos. Citou especificamente o meia Harrison e o atacante Taiberson, que despertam atenção pelo talento individual. A resposta de Jorginho para a pergunta se eles estariam prontas não deixou dúvidas: “Nâo. Nem um pouquinho”.

Pelas declarações do técnico, existe um temor de prejudicar o desenvolvimento desses jogadores em função de uma precipitação. “Tem que ter calma, não adianta. O menino [Harrison] entrou no jogo contra o Bragantino e nâo pôs o pé na bola. E aí? Vai resolver o nosso problema? Não pode colocar isso nas costas do garoto. Isso aí, desculpa, é uma grosseria fazer isso com esse garoto. Ele tem que estar num time bom, para que ele possa entrar e, aos poucos, ele ir criando casca grossa para que no futuro ele seja esse cara decisivo, que o Atlético não tenha que ir buscar. E aí ele vai estar aí”, completou.

“Esses garotos [Harrison e Taiberson] são isso. Eles não podem resolver agora. Com certeza, nenhum dos dois é o Neymar. E o Neymar não jogou assim! O Neymar foi chamado pelo Vanderlei [Luxemburgo] de filé de borboleta! Então, tem de ter um pouquinho de calma. Eu acho que as pessoas, muitas vezes, exigem um pouquinho, mas sem saber o que é lá dentro. Sem saber como foi um garoto, porque muitos não foram garotos ou muitos têm uma qualidade excepcional e chegaram como garotos e conseguiram isso, mas não só porque eles tinham qualidade, mas porque o time era muito bom. Hoje, nosso time está numa bagunça tremenda. Nós ainda não temos 11 jogadores. Então, nós temos que ir arrumando a casa para que esses jogadores lá na frente, daqui um, dois anos, realmente consigam ser muito bons jogadores pelo Atlético”, concluiu.

(*) Nota da Furacao.com: o meia Andrés Iniesta tem 28 anos e estreou no time principal do Barcelona em 2002, aos 18 anos, passando a alternar jogos com o Barcelona B. Foi promovido definitivamente na temporada 2004/2005.



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