26 nov 2012 - 17h53

Marcelo, o artilheiro da retomada

Marcelo tem apenas 20 anos, mas acumula experiências de um profissional muito mais experiente. Por mais de uma vez em sua carreira, foi do céu ao inferno e retornou ao céu. Enfrentou momentos de muita dificuldade, mas soube reunir forças para desfrutar o sucesso. A trajetória de Marcelo se assemelha à do próprio Atlético nesta Série B do Campeonato Brasileiro. Não é por acaso que ele lidera a enquete da Furacao.com sobre o jogador mais importante da competição.

Marcelo Cirino da Silva é natural de Maringá e começou sua carreira no São Caetano, clube de futsal da cidade. Passou a jogar futebol de campo no extinto Galo Maringá. Habilidoso e veloz, rapidamente chamou a atenção de observadores do Atlético. Foi contratado no final de 2007, às vésperas de completar 16 anos.

No CT do Caju, sua projeção foi imediata. Foi artilheiro do Campeonato Paranaense Juvenil de 2008, com 8 gols, e convocado para a Seleção Brasileira Sub-16 em agosto, ao lado de jogadores como Neymar e Philippe Coutinho. Com as boas atuações, foi promovido ao time júnior para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009. Reserva da dupla Eduardo Salles e Patrick, Marcelo entrou em vários jogos e conquistou a fama de "amuleto", ao marcar gols importantes no final dos jogos. Ele deixou sua marca contra o Cruzeiro, nas quartas-de-final, e contra o São Paulo, na semifinal. O Rubro-Negro foi vice-campeão e Marcelo passou a ser conhecido pela torcida atleticana.

Estreia precoce

A excelente participação na Copa SP rendeu a Marcelo uma convocação para disputar o Sul-Americano Sub-17 de 2009 pela Seleção Brasileira. Alegando problemas particulares, ele pediu dispensa e não disputou a competição. O corte custou a Marcelo espaçõ na Seleção.

Ainda com idade juvenil, tornou-se titular da equipe júnior do Atlético em 2009 e chegou a ser promovido ao time profissional pelo técnico Antonio Lopes. Sua estreia foi em um jogo contra o Atlético Mineiro, na Arena, entrando no lugar do paraguaio Julio dos Santos. A derrota por goleada e a disputa para escapar da zona de rebaixamento prejudicaram sua sequência. Depois de dois meses treinando com os profissionais, ele voltou ao time júnior e só teria uma nova chance no Brasileirão cinco meses depois, contra o Fluminense, no Maracanã. Neste jogo, ele marcou seu primeiro gol com a camisa rubro-negra.

Dificuldades

Em 2010, a jovem revelação iniciou a temporada no grupo principal, como reserva imediato do ataque e atuando também na lateral-direita. Participou dos primeiros oito jogos e marcou dois gols. Em um jogo contra o Vilhena, pela Copa do Brasil, Marcelo sofreu uma contratura muscular de grau dois na na parte posterior da coxa direita, mas permaneceu em campo no sacrifício porque a equipe já havia feito três substituições e lutava para segurar o empate por 2 a 2.

Nessa época, a parte política do clube estava tumultuada, em função da disputa entre Marcos Malucelli e Mario Celso Petraglia. O empresário de Marcelo, Alexandre Rocha Loures, chegou a ser criticado publicamente pelo então presidente Malucelli. Durante o tratamento médico, o jogador deixou Curitiba e voltou para Maringá, sem dar satisfações ao clube.

Ao mesmo tempo, Antonio Lopes, primeiro treinador a dar uma oportunidade ao atacante, foi demitido. Ele jogou sob o comando de Leandro Niehues, mas já sem o mesmo prestígio. Com a chegada de Carpegiani e a contratação de jogadores mais experientes, como o equatoriano Guerrón, perdeu espaço.

Empréstimo e recomeço

Desprestigiado, acabou sendo envolvido em uma negociação com o Vitória no início de 2011. Foi emprestado ao clube baiano em troca de Adaílton. Mesmo assim, seguiu sendo convocado para as Seleções Brasileiras de base, tendo sido chamado por Ney Franco para a Sub-18.

Voltou ao Atlético no início de 2012. Começou a temporada como reserva, mas fez boas atuações e renovou o contrato, que acabaria neste ano, por mais três temporadas. Ao longo da passagem do uruguaio Juan Ramón Carrasco, perdeu espaço para Guerrón, Ricardinho, Bruno Furlan e Edigar Junio.

O início com Jorginho

Quem começou a mudar o destino de Marcelo no Atlético foi o técnico Jorginho. Logo em seu primeiro treino coletivo, Jorginho testou Marcelo na equipe e gostou da sua movimentação. Depois de quatro meses sem jogar, Marcelo estreou na Série B logo no primeiro jogo sob o comando de Jorginho, contra o Bragantino, entrando no lugar de Pablo.

No jogo seguinte, contra o América, Marcelo entrou no intervalo no lugar de Alan Bahia e deu outra cara ao time, que estava perdendo por 2 a 0. Foi o que bastou para lhe garantir a posição de titular já no jogo seguinte, contra o Ipatinga. Mas foi no terceiro jogo consecutivo como titular, contra o Avaí, que a estrela de Marcelo começou a brilhar. Ele marcou os dois gols da vitória fora de casa e passou a se tornar um jogador importante para o time.

Altos e baixos

Cumprindo um roteiro digno de filme, Marcelo despencou logo no jogo seguinte, contra o Vitória, em Paranaguá. Ele perdeu duas chances incríveis para marcar e o Atlético perdeu o jogo por 1 a 0. Mais uma vez, o técnico Jorginho se revelaria importante na trajetória do garoto. Ainda no vestiário, saiu em defesa de Marcelo, apontado pela imprensa como responsável pela derrota.

"Eu acho que você, com a sua pergunta, já poderia ter ajudado, né? Ele nem foi ao céu nem foi ao inferno, graças a Deus. Mesmo porque ele está aqui na Terra, vivinho, graças a Deus, esperamos que ele continue assim, de cabeça erguida. É um garoto, de 20 anos, talvez como um filho seu amanhã, com essa idade, possa vir a ter o mesmo problema e uma outra pessoa afirmar uma coisa dessa é muito triste. É um menino, é um garoto, que é do Atlético e que nós temos que dar o máximo de apoio possível e máximo de força para conseguir com que ele continue jogando, e jogando bem, porque está nos ajudando e muito", defendeu Jorginho.

Jorginho manteve Marcelo no time titular por mais dois jogos, mas a equipe enfrentou dificuldades e o treinador acabou demitido. Com o retorno de Ricardo Drubscky, Marcelo voltou para o banco, sempre entrando no segundo tempo.

Arracada impressionante no segundo turno

Contra o Boa Esporte, na terceira rodada do returno, Marcelo passou a se firmar como titular absoluto da equipe. Ele entrou aos 26 minutos do primeiro tempo no lugar de Felipe e fez os dois gols da virada atleticana. Ao final do jogo, ganhou o apoio do capitão Paulo Baier: "O Marcelo é muito importante pra nós, o Marcelo faz a diferença, é um jogador diferenciado. E quando está com confiança, como hoje, a tendência agora é que ele cresça cada vez mais. É um menino muito bom, é um menino que às vezes é cobrado, lógico, mas é cobrado porque tem potencial, se não, não é cobrado. Então acho que hoje ele conseguiu, hoje pra mim foi o melhor em campo, disparado, e conseguiu nos ajudar".

Depois desse jogo, Marcelo foi titular em todas as 16 partidas restantes para o Atlético na Série B. Marcou 14 gols somente no segundo turno, tornando-se o artilheiro do Atlético na temporada (com 17) e o quarto maior goleador da competição. Marcou gols importantes, como nas vitórias sobre o ABC, Goiás e no decisivo jogo contra o São Caetano, no Anacleto Campanella.

No último jogo, teve nos seus pés a chance de se consagrar e encerrar a Série B com chave de ouro. A 15 minutos do fim, arrancou com a bola em direção ao gol do Paraná e sofreu pênalti. Mesmo com o experiente Paulo Baier em campo, pegou a bola e partiu decidido para a cobrança. A bola explodiu no travessão e custou 15 minutos extras de sofrimento para a nação atleticana.

Para muitos, o lance poderia representar um desgaste insuperável. Para Marcelo, é mais uma fase de uma carreira pródiga em recomeços. Que o ano de 2013 traga ainda mais alegrias.

Confira a ficha técnica do jogador:

Nome: Marcelo Cirino da Silva
Posição: atacante
Peso: 74 kg
Altura: 1.82 m
Data de nascimento: 22/01/1992
Clubes em que atuou: departamento de formação e Vitória



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