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10 abr 2016 - 8h16

Cá entre nós e o resto do mundo

Cada vez eu me convenço, mais e mais, que o Club Athlético Paranaense, em verdade, não nasceu para lutar “pequenas batalhas” –pois essas não o motivam- e nem para obter conquistas meramente “caseiras” –quiçá por entende-las, principalmente de três décadas passadas para cá, absolutamente irrelevantes.

Na verdade, já de há muitos anos os torneios futebolísticos estaduais não possuem o mesmo charme e nem a mesma importância, em especial para os Clubes mais tradicionais dos nossos Estados –essa assertiva, nos dias que correm, para todos aqueles que, de certa forma, estão ligados direta ou indiretamente ao futebol, é inelutável-.

Entretanto, o que jamais deve faltar em cada unidade de nossa República Federativa é, no mínimo, dois Clubes mais ou menos assemelhados em torcida, patrimônio e tradição, isso para não se perder, nesse angusto âmbito territorial, uma referência positiva que um desses dois possa representar para o outro e vice-versa por se encontrar, em dado momento, em ascenção técnico-psicológica, mormente para que ambos estejam minimamente preparados para disputar as competições em nível nacional e internacional das quais participarão na sequência segundo o “calendário nacional”.

O Coritiba Foot Ball Club, por exemplo, é um dos dois grandes Clubes de nosso Estado que, no plano estadual –e não adiante querer negar, pois contra fatos não há argumentos-, é o que possui atualmente e, a rigor, sempre possuiu, a hegemonia; para se chegar a essa conclusão basta ver o majoritário número de títulos estaduais que conquistou e, no confronto direto com o seu maior adversário, também o maior número de vitórias.

O fato de o time de futebol atual do Club Athlético Paranaense, no domingo da semana anterior (dia 20/03/2016), dentro da sua própria Casa, haver sido implacavelmente derrotado pelo do Coritiba, nada mais significa do que a reafirmação de tudo o que se disse aqui até agora.

Nos últimos três ou quatro anos, à exceção deste (2016) –cuja torneio, aliás, ainda não terminou-, como todos sabemos, o Club Athlético Paranaense, por motivos ainda não suficiente e inequivocamente esclarecidos, não disputou o nosso campeonato regional com a sua equipe principal. O efeito disso, por mais paradoxal que possa parecer, ao revés de atingir unicamente o rubro-negro araucariano, afetou de maneira intensa o próprio Coritiba que, colocando-se então, sem perceber, nesses últimos transatos anos, numa espécie de “zona de conforto” –a rigor, em realidade, enquanto disputava o torneio estadual com a sua equipe principal, todas as demais agremiações o faziam com equipes menos qualificadas e/ou experientes-, acabou por estabelecer para si mesmo um referencial de qualidade futebolística inferior no plano estadual, o que implicou uma contaminação negativa da sua própria equipe em relação ao seu costumeiro e exigível comportamento técnico-tático e de motivação. O resultado de todo esse contexto em que distraidamente se inseriu acabou acarretando para o invariavelmente hegemônico alviverde –nas disputas em âmbito estadual-, dentre outras vicissitudes, as duas derrotas que sofreu no transato ano (2015) por ocasião das partidas respeitantes à final do campeonato paranaense (Operário 2 x 0 Coritiba em Ponta Grossa e Coritiba 0 x 3 Operário em Curitiba).

Enquanto isso, o seu “maior rival”, fazendo pré-temporadas completas e altamente produtivas para a sua equipe principal, acabou por fazer melhores campanhas em nível nacional nesses pregressos três ou quatro anos –e, como é de bem ver e reconhecer, por curioso, é o Coritiba Foot Ball Club quem, de regra, todos os anos, contrata jogadores experientes e de bom para ótimo nível técnico, coisa que não ocorre com o CAP que de há muito adotou a política de apostar em jogadores jovens e promissores, nada obstante tudo indicar que, a partir do corrente ano, essa orientação esteja sendo modificada-.

Há poucos dias passados, imediatamente após vencer o último Atletiba dentro da própria Casa do Furacão, a torcida coxa-branca –e com todo o direito, encareço-, maxime pela via da “mídia espontânea” veiculada pela Internet (redes sociais), iniciou a produção e subsequente publicação de uma verdadeira avalanche de memes para “zoar” o seu tradicional rival. Até aí, nada mais normal e de antemão esperado.

Dentre os inúmeros com que me deparei –as mais das vezes postados no Facebook-, todavia, um deles me chamou especial atenção: na linha do “eles mesmos reconhecem”, restaram utilizadas por torcedores coxas-brancas algumas assertivas que, encerradas num só contexto verbal, teriam sido proferidas pelo conhecido advogado e jornalista curitibano Augusto Mafuz –que de há muito se diz fervoroso torcedor do Club Athlético Paranaense-, segundo as quais o Athlético “há muito vive de factóides” e que “sempre surge um, que transfere o futuro para amanhã”, “futuro esse, que nunca chega. E a torcida apaixonada, acredita. E assim, as suas crianças se obrigam a aprender o sentido figurado da expressão ‘freguês de caderninho’ dos Coxas” (ipsis verbis).

A coluna jornalística do Mafuz, como todos sabemos, é uma espécie de “vizinha sedutora”: você sabe que nunca vai dar certo mas sempre dá uma olhadinha, pois, de repente, vai que…

Dessa arte, de uma forma ou de outra, pois, é uma coluna que muitos lêem.

Essas afirmações suso transcritas e das quais somente tomei conhecimento a partir do momento em que as mesmas corporificaram memes fabricados pela torcida coxa, com todas as vênias do universo, a meu ver, são verdadeiros exemplos de aberrações lógicas demais de incompreensíveis, quer porque pronunciadas por quem se diz “torcedor do CAP”, quer porque, no conjunto da totalidade das circunstâncias que dizem com o “futebol paranaense” em nível regional, nacional e internacional nos últimos 30 anos, são absolutamente descabidas, inverídicas, invertidas e delirantes; “desarrazoadas asnices” –como diria um estimado e sempre sensato amigo meu-.

Não desconheço que o famígero comunicador social sob narratológico enfoque, aliás, não raras vezes, também regista autênticas absurdidades em relação aos demais clubes do futebol araucariano, principalmente no que respeita aos domiciliados nesta Capital.

Entretanto, a propósito do teor das insensatezes antes destacadas, seria então de se indagar ao supracitado cronista esportivo, consideradas agora as especificidades da conjuntura em que vive o Coritiba Foot Ball Club nos últimos trinta anos, qual seria a verdadeira e inegável realidade desse tradicionalíssimo Clube do futebol paranaense dentro desse mesmo lapso temporal no cotejo comparativo com o seu maior rival? Quais seriam os fatos acontecidos nesse mesmo período que poderiam ser considerados como relevantes e significativos no plano nacional e internacional para o Clube do bairro do Alto da Glória? Quais seriam hoje, nesses mesmos planos, os seus propósitos concretos a serem atingidos no futuro? O que mais poderia ser dito as “suas crianças” além do fato de ser o Athlético Paranaense “ ‘freguês de caderninho’ dos Coxas”?

Antes de obter essas respostas diretamente do augusto comunicador ora em ressalto, até porque evidente o teor que a elas necessariamente deverá ser dado, poder-se-ia afirmar, sem a mais mínima hesitação que, enquanto o “vermelho e preto” do bairro da Água Verde, nesses últimos trinta anos, foi Campeão Brasileiro (2001); Vice-Campeão Brasileiro (2004); Vice-Campeão da Copa Libertadores (2005); Vice-Campeão da Copa do Brasil (2013); construiu, nesse período trintenário, três (3) Estádios de Futebol; tornou-se a maior torcida dentro do território do Estado do Paraná (com 2 milhões e quatrocentos mil torcedores espalhados pelo Brasil), superando a do Corinthians Paulista que hoje é a segunda maior, sendo a terceira e quarta, respectivamente, a do São Paulo e a do Palmeiras, ambos também sediados na vizinha cidade de São Paulo (pesquisas Lance/Ibope de 2012, 2014 e 2015); tornou-se também a maior torcida nos limites da Capital paranaense. O “verde e branco” do bairro do Alto da Glória, de sua vez, no plano nacional, somente logrou obter dois títulos de vice-campeão da Copa do Brasil (em 2011 e 2012), jogando ambas as partidas de cada uma dessas finais dentro de sua própria Casa. E foi só. De resto, nesses últimos trinta anos, limitou-se, no plano internacional, a disputar três ou quatro Libertadores, nas quais nunca passou da primeira fase, devendo ser registrado, ademais, que, em competições oficiais –segundo informações sujeitas a uma verificação mais aprofundadas-, jamais obteve sequer uma única vitória fora do território brasileiro.

Ao que tudo está a indicar, por diverso ângulo, inexiste qualquer projeção concreta de futuro -imediata ou mediata- para o Coritiba Foot Ball Club, a não ser talvez continuar sendo o “Campeão do Paranᔠe o maior vencedor de Atletibas, ou quiçá, ainda, a de não ser rebaixado para a segunda divisão exatamente no ano em que completar o seu bicentenário de existência, coisa que aconteceu por ocasião do ano de seu centenário (é isso que se poderia dizer as suas crianças?).

Por seu turno, o Clube que “vive de factóides”, cujo futuro é sempre diferido por alguém e vai continuar perdendo Atletibas, na verdade, possui sim um projeto definido para o futuro: ser Campeão do Mundo daqui a 10 ou 15 anos; pode ser que isso nem aconteça, mas que esse projeto/propósito efetivamente existe, existe. Como chegou a afirmar há menos de dois anos passados o laureado Mário Celso Petraglia (alguém já o chamou de “Conde Petrácula”) durante uma entrevista que concedeu a um importante canal de televisão na cidade de São Paulo, inclusive causando nessa oportunidade uma indisfarçável perplexidade a diversos componentes da denominada mídia esportiva do eixo do mal então ali presentes: “Seremos sim, com toda a certeza, dentro de no máximo dez anos, campeões mundiais…ora, o Corinthians não foi?. Eu lembro que, diante dessa afirmativa do MCP, fez-se um silêncio quase tumular no estúdio em que acontecia aquela aprazada conferência, silêncio esse acompanhado de várias imagens de rostos absolutamente surpreendidos e pasmados; afinal, eles não estão acostumados a “tanto atrevimento” proveniente do “baixo clero” do hoje assaz decadente futebol brasileiro.

O que o torcedor coxa-branca simplesmente não consegue entender ou assimilar é como se torna possível que um Clube de Futebol que historicamente é “seu freguês de caderninho” no Estado do Paraná, possuindo menos títulos estaduais e mais derrotas no confronto direto, pode ser hoje tão infinitamente maior do que ele em praticamente todos os níveis (patrimônio, organização, contínuo crescimento em proporção geométrica do número de seus torcedores, conquistas de âmbito nacional e internacional, prestígio, enfim…).

Bem, para compreender os “porquês” disso tudo, somente sendo athleticano –e isso, um coxa-branca jamais será-.

Portanto, meus amigos coxas-brancas –que não são poucos, enfatizo-, vocês jamais chegarão à conclusão acerca das efetivas e reais razões determinantes dessa esmagadora e cada vez maior preferência pelo nosso “vermelho e preto” diariamente manifestada pela grande maioria dos aficionados pelo futebol em nosso Estado e até mesmo fora dele.

É que existe alguma coisa mágica, mística, quase mediúnica que envolve o Clube cuja camisa “só se veste por amor”; se não assim, quiçá uma estranha epidemia que –como afirmou Sydehan acerca de todas as que acontecem- não se origina nem do calor nem do frio, nem da umidade nem da secura, mas que depende “de certas misteriosas e inexplicáveis alterações nas entranhas da Terra. Pelos seus eflúvios, a atmosfera torna-se contaminada e os organismos dos homens são predispostos e determinados” (Keele, Kenneth D. The Sydehan –Boyle Theory of morbific particles Medical History, 18; 240-248).

De qualquer sorte, pode-se afirmar categoricamente que os athleticanos possuem mesmo é uma alma diferenciada e que necessariamente transmite para dentro do coração de cada um deles um amor incondicional, imorredouro e inexplicável pelo Clube.

Aconselharia, por fim, o nobre ‘Augusto” ao Coxa que, para garantir a continuidade da sua existência no futuro mais remoto, prosseguisse , de qualquer maneira e a qualquer custo, ganhando campeonatos paranaenses e Athletibas? Creio que sim, pois na eventualidade de que tal comece a não acontecer a partir de agora, em menos de 10 anos, seguramente, uma de duas: ou o Coxa corre um sério risco de simplesmente desaparecer, ou então irá se tornar o “Guarani do Paraná”, coisa que nem mesmo a nós interessa que ocorra, muito pelo contrário.

A esta altura, mesmo diante do fato de poder continuar, no campo de jogo, sendo superior ao Athlético no confronto direto em nível local, devem os dirigentes do Coritiba, nada obstante, perguntar a si próprios até quando a torcida coxa-branca irá se contentar somente em ganhar Atletibas à mingua de lhe ser ao menos acenada qualquer outra meta concreta e minimamente empolgante a ser atingida pelo Clube num futuro mais próximo ou mais remoto.

Em decorrência, a indagação mais importante que se deve fazer ao decantado Angusto, digo, Augusto Mafuz, é a seguinte: diante de tudo, qual, então, dentre essas duas torcidas (CAP e CFC), a que está sendo -já de há muito, diga-se- a mais enganada? Aquela que “vive de factóides” ou aquela que vive de Atletibas?

Então, até o nosso próximo Atletiba. Lembrem-se que é vital para vocês continuarem jogando como se fossem disputar o último prato de comida existente no Planeta. Perderemos novamente, se Deus quiser, e tudo ficará bem, para ambos.

Para finalizar, um pedido: não nos odeiem tanto, pois nós não os odiamos; se muito, ficamos “meio” (só a metade) chateados quando perdemos para vocês (não com vocês, mas com os nossos jogadores, quando não honram a nossa camisa ao menos com luta e com vontade), mas é só. Ganhar, perder ou empatar faz parte do jogo (perder todas também, mas nunca jogando com apatia e sem raça). Não compreendemos, portanto, a razão desse ódio todo. Vocês sempre ganham da gente até dentro da nossa Casa e, ao contrário do que deveria ser, quem nos odeia são vocês?

Caso consigam –e isso não será nada difícil em razão de ser quem é o nosso adversário-, torçam por nós por ocasião da decisão da 1ª. Liga Nacional, ok?

Ah, e quanto a você, augusto Mafuz, no que diz com as suas críticas não raro acerbas a respeito do Club Athlético Paranaense, menos, beeeeem menos, muiiiiito menos, tá?



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