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22 ago 2016 - 12h25

Torcer, simplesmente

As restrições impostas pela Diretoria do CAP à maior torcida organizada do clube poderiam até se justificar, não fossem os motivos que as determinaram e a forma de que se revestiram. O crescimento descontrolado de grupos que deveriam, em tese, apenas “torcer” por seus times gerou problemas graves em todo o País. A questão não é clubística, mas social. Daí a necessidade de estabelecimento de novas relações entre as partes envolvidas.

A expressão violenta das organizadas é, evidentemente, um mal a ser combatido. No âmbito interno dos clubes, os remédios são limitados, mas existem. Não parece razoável que tais associações, ditas recreativas, interfiram na vida dos jogadores, ameaçando-os, ou se apropriem de espaços de convivência, negando aos torcedores “comuns”, de modo unilateral e agressivo, o direito de expressão, de um agir que não seja aquele determinado pelos “comandos”. É legítimo que os clubes fixem normas a esse respeito, mas não é legítimo que seus dirigentes se comportem como ditadores.

A insegurança que toma conta das ruas tem a ver com a indigência do Estado no trato das questões sociais. E é nesse contexto que as torcidas organizadas se colocam. No imaginário da cartolagem – e da polícia –, porém, elas incorporam a pobreza que o futebol moderno quer expulsar dos estádios. Em regra, seus integrantes, em grande parte vindos da periferia das cidades, dispõem de recursos financeiros parcos. Seriam, numa visão estreita e simplista, consumidores pequenos, marginais, que não interessam ao “negócio”.

Movidas por argumentos comerciais, as gestões que se sucedem no CAP desde 1999, quando a nossa primeira arena foi inaugurada, repetem falsidades. O discurso é sempre o mesmo, e se baseia no preconceito raso que atribui às camadas mais pobres da população a responsabilidade pela violência, como se os endinheirados fossem inexoravelmente cordiais, generosos e livres do pecado. O coronel do CAP, pioneiro na europeização do esporte, nunca escondeu suas intenções elitistas. Com esse pensamento tosco, acumulou fracassos, sem nenhuma autocrítica.

O estádio belo e cinza está lá, erguido, à disposição dos cidadãos “de bem”, das famílias, dos turistas. O detalhe é que lhe roubaram a alegria. Ficou frio e caro para a “massa”, sem panos vermelhos e pretos a aterrorizar nossos adversários, sem a vibração louca que nos unia em cantos ensurdecedores, sem alma e sem democracia. Quem ganha com essa destruição da nossa identidade? Que transações esquisitas motivam os usurpadores da nossa paixão a construir um cenário de gelo em nossa própria casa?

Talvez a derrota para o Palmeiras, num domingo que poderia ser de festa, tenha sido o melhor retrato da insanidade de uma direção que não sabe nada de futebol. Na apresentação dos nossos jogadores, o telão do estádio incluiu Anderson Lopes, que mudou de ares há cerca de dois meses, entre os titulares (!). Para piorar, um torcedor aboletado no setor “nobre” do estádio protagonizou uma cena vergonhosa de racismo. E agora? A imbecilidade será punida pelo clube ou o clube será punido pelos códigos do esporte? Onde estão as notas oficiais, os queixumes, as providências para enquadrar o criminoso bem-nascido? O que dizem os teóricos da modernidade? São a favor do racismo? Calam-se, porque nada é mais excludente e nojento do que as regras que defendem, o mundo que imaginam e os conceitos que reproduzem.

O que nós – muitos de nós, eu creio – queremos é simples: torcer. Nós queremos bandeiras, batuques, cerveja, caveira e emoção. Queremos o nosso Clube Atlético Paranaense de volta, sem frescuras.



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