17 abr 2019 - 7h45

Lado cabeça: o aspecto psicológico do Furacão

Os últimos jogos do Athletico na Libertadores evidenciaram um aspecto que vem sendo trabalhado fortemente por Tiago Nunes e sua comissão técnica: o fator psicológico.

O Tolima, último adversário a jogar na Arena na fase de grupos, jogou de maneira “copeira”. Aproveitando seus jogadores de maior envergadura, a equipe colombiana atuou muito fechada, jogando com uma intensidade física acima do normal, às vezes até apelando para jogadas maldosas.

O Furacão teve poucas chances claras, muita posse de bola e dificuldades de infiltração. Pela característica da torcida – que valoriza um time de velocidade, vertical e “raçudo” –, era previsível que esse jogo fosse muito tenso. A reação de parte da torcida foi até exagerada: uma onda desesperada de vaias (principalmente após a saída do Nikão) e inúmeras reclamações, como se a equipe estivesse jogando mal.

Maturidade psicológica

Após o jogo, Tiago Nunes participou da coletiva de imprensa com um tom diferente do habitual. Foi categórico em várias respostas e deu um puxão de orelha com muita classe em alguns jornalistas e em parte da torcida. O técnico discordou de quem não gostou da atuação e defendeu a sua visão de que o Furacão jogou muito bem.

Por mais de uma vez, Tiago citou a maturidade mental e psicológica do time, que foram fundamentais – juntamente com o aspecto tático – para vencer. Além disso, cobrou uma postura mais “paternal” da nossa torcida, que em um jogo difícil como aquele contra o Tolima, deveria incentivar ainda mais para dar “aquele gás” para os nossos atletas.

Não é a primeira vez que o técnico faz referências e dá pistas do trabalho “mental” e psicológico do time. No jogo contra o Boca Juniors, por exemplo, ele comentou a dificuldade de comunicação com os jogadores durante a partida pelo enorme barulho que a torcida estava fazendo. Por isso, exaltou a maturidade tática do time e o aspecto de tomada de decisão dos jogadores.

A psicologia no futebol

O papel da psicologia no esporte de alto rendimento ainda é complexo de explicar para quem não é da área. O trabalho individual com atletas leva em consideração diversos aspectos, que quando traspostos no trabalho com modalidades coletivas, “implica em um grau extra de trabalho no sentido de compreender não somente as contingências controladoras de cada membro do grupo, mas de compreendê-las entrelaçadas” (Eduardo Neves P. de Cillo em “Análise do Comportamento e Esporte”).

Quando o trabalho é bem feito, o fator psicológico fica evidente. Quando algo sai errado, isso também epode ser notado. Basta lembrar como o público ficou abismado com o descompasso emocional da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014. Mesmo assim, não é raro encontrar profissionais envolvidos no esporte que desdenham da importância de se ter um trabalho específico de psicologia, principalmente no futebol.

O trabalho de psicologia no futebol gira em torno de diversos fatores: integração e coesão do grupo, aspectos de atenção e concentração, memória, trabalhos focados em lideranças, trabalho no desenvolvimento de repertório para melhores tomadas de decisão dentro de campo, trabalhos com variáveis como cobranças, estresse, raiva, angústias e trabalhos em níveis emocionais.

O fator psicológico trabalhado no Furacão

Diante da complexidade dessa atuação, é importante destacar como o Athletico vem trabalhando bem no aspecto psicológico. O time tem demonstrado muitos desses aspectos desde o ano passado: um grupo fechado, concentrado do início ao fim do jogo, trabalhando muito bem taticamente e que, quando precisa trabalhar as individualidades, também realiza a contento.

Nos bastidores, os líderes da equipe estão conseguindo convergir os interesses e vaidades pessoais para desempenho coletivo da equipe. Isso fica claro quando surgem várias lideranças em momentos decisivos. A faixa de capitão, símbolo maior da liderança em campo, circula entre Lucho González e Thiago Heleno sem que haja mudança no comportamento do time e evidência de alguma disputa interna por essa posição.

Além disso, é impressionante que jogadores muito jovens, como Bruno Guimarães, Renan Lodi e Léo Pereira, sejam protagonistas em diversos jogos importantes. Isso mostra que os jogadores mais experientes têm trabalhado como mentores desses garotos – algo reconhecido por eles mesmos em entrevistas.

Por fim, as declarações dos jogadores que vêm se destacando nesses primeiros jogos da Libertadores mostram que há uma clara preocupação em enaltecer o trabalho coletivo, e não o brilho individual. O maior exemplo disso foi a conduta de Marco Ruben. Mesmo depois de marcar três gols contra o Boca, preferiu exaltar o rendimento do grupo: “Fazer três gols significa principalmente que a equipe atuou à perfeição”.



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