10 maio 2019 - 9h15

O Craque da Camisa 8

Lapa, 10 de maio de 1944. Nascia Barcímio Sicupira Junior.

Segundo o próprio, “quem se chama Barcímio Sicupira não pega apelido nunca”.

Bom, talvez não seja bem assim.

Não se pode dizer que houve apelido para Barcímio Sicupira. Mas muitos preferiam chamá-lo de “O Craque da camisa 8”. Mas Sicupira foi e será sempre único, ainda que existam outros dois de mesmo nome (seu pai e seu filho). Sicupira craque da camisa 8 só existe um.

Quis o destino que o grande Sicupira começasse no coxa. Treinava nas categorias de base do Coritiba e morava próximo a Fedato, coxa dos grandes com quem tinha bom relacionamento. Por pouco não virou coxa. Para nossa sorte, os elitistas de coxas brancas não viram no menino franzino grande potencial. Primeiro grande engano esse dos coxas.

Seu pai Barcímio, por outro lado, era Ferroviário, mas não queria que o filho jogasse por lá, pois tinha medo do trilho do trem às margens da Vila Capanema. Mas mesmo assim Sicupira jogou por lá. Estreou profissionalmente aos 18 anos, contra o Operário e fez logo 3 gols. Aliás, este é outro detalhe marcante da brilhante carreira do nosso craque da 8: ele sempre estreou marcando gols.

Foi então jogar no Botafogo do Rio, de 64 a 67. Jogou no time que tinha Manga, Nilton Santos, Gérson, Didi, Garrincha, Jairzinho e Zagalo. E tinha Sicupira. E Sicupira estreou marcando, numa vitória diante do Bangu. Mas no meio de tantas estrelas precisou se adaptar, mudando de centroavante para o meio, adotando a posição que o eternizou como o craque da 8. Que baita privilégio tiveram estes craques de jogar ao lado de Sicupira.

Seguiu então para o Botafogo de Ribeirão Preto, onde também marcou seu gol na estreia, contra o Borussia.

Depois dessa curta passagem pelo Botafogo de Ribeirão, Sicupira voltaria para Curitiba, disposto a jogar, pasmem, no Coritiba. Munir Calluf do coxa não se interessou e até esnobou o nosso craque. Segundo grande erro esse dos coxas.

Surgiu então a figura de Airton Araujo, diretor do Atlético, que comprou o passe de Sicupira e o entregou para o Atlético do então presidente Jofre Cabral e Silva.

Aos 24 anos e já ostentando seu indefectível bigode, estreou pelo Atlético. E por aqui fez história.

Novamente marcou na estreia, na Vila Capanema, contra o São Paulo pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. E não foi um gol qualquer. Foi um gol de bicicleta. Esta era uma outra característica dentro de seu vasto repertório: o craque da 8 tinha relacionamento muito próximo com os gols de bicicleta.

Por aqui marcou muitos gols. Algumas fontes citam 154, outras 156 ou 158. O fato é que cansou de balançar as redes com nossa camisa. Liderou o time campeão estadual de 1970, após 12 longos anos de espera por títulos. Foi artilheiro daquele ano e também em 72.

Como o Atlético não disputou o Brasileiro em 72, foi emprestado ao Corinthians, voltando logo após para o Atlético, onde ficou até 75. Lá marcou um gol histórico contra o Ceará, no Pacaembu lotado com mais de 68000 pessoas. Era um jogo de classificação onde só a vitória interessava. No time em que jogava Rivellino, Sicupira marcou.

Encerrou a carreira precocemente, aos 31 anos. Talvez porque percebesse que nada mais precisava fazer para eternizar seu nome na história do maior clube do Paraná.

Nos tempos atuais do futebol moderno, dificilmente alguem superará sua marca como maior artilheiro da história do Athletico. E ainda que isso um dia aconteça, ninguém será o nosso craque da 8.

Afinal, como disse nossa Atleticaníssima futura presidente Michele Toardik, “Seus feitos no passado fazem com que sua glória persista no presente e no futuro.”

Dizem que 75 anos de casamento são bodas de brilhante. Nada mais brilhante do que o casamento deste craque com a história do nosso Athletico.

Parabéns, Sicupira! Parabéns, Bigode! Vida longa ao nosso eterno craque da 8.

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