13 maio 2019 - 21h07

A bola, a rede e a história

Aos 7 minutos do segundo tempo, em um Atletiba disputado no dia do trabalhador em 2016, a bola estufava a rede pela primeira vez no jogo. Thiago Heleno, até então sem patente, cabeceou forte para o gol e dali pra frente não demoraria muito a ser chamado de General. O zagueiro não sabia, mas com aquele gol e a comemoração furiosa que se seguiu, estava virando uma página no futebol do estado.

Thiago Heleno não era sequer jogador do Atlético antes daquele ano, mas quando entrou em campo ele sentia na boca o amargor dos 7 anos sem títulos rubro-negros. Sentia a raiva dos recentes anos de domínio do rival em clássicos. Mas sentiu, também, no estádio, naquele dia, que a arquibancada da Arena da Baixada era combustível puro. Valente, ousou atear fogo. E desde então a chama que mais brilha no estado está no fim da Rua Engenheiros Rebouças, e não parece que vai apagar tão cedo.

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Já era dia 13 de dezembro de 2018 e ainda não havia terminado o jogo iniciado no dia 12.

A bola repousou na marca do pênalti. Já havia estado ali várias vezes nos últimos minutos. Havia sobrevoado as arquibancadas da Rua Buenos Aires na prorrogação e assistido lá de cima o sorriso aliviado de 40 mil pessoas. E agora descansava sendo observada pelas mesmas pessoas, que a essa altura já não respiravam mais.

Quem ajeitou a bola, desta vez, sabia que estava prestes a virar uma página. E chutou com a mesma raiva com que cabeceou a bola dois anos e meio antes, naquele Atletiba.

A rede do gol da Buenos Aires hoje é tatuada de um lado com o cabeçaço de 2016 e do outro com o petardo de 2018. O General marcou a fogo as redes da Baixada. E comemorou desejando um 2019 de muita paz ao seu povo, como um outro careca havia feito em 2001.

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Infelizmente quis o destino que em 2019 estivéssemos em paz como desejou Thiago Heleno, mas que a notícia do doping dele e do volante Camacho viesse para tirar um pouco desse sossego. O clube fez seu dever, eximindo os atletas de qualquer culpa e os colocando na justa posição de vítimas. E não houve um só torcedor do Athletico que não ficasse triste com a possibilidade de ver um de seus mais simbólicos atletas ser penalizado sem ter culpa.

A torcida, agora, só espera que a punição aos dois atletas seja branda (se houver punição). Até que isso seja julgado, restará esperar sem poder contar com o General em campo. Mas também sabemos que até voltar, ele vai estar sentindo o amargor e a raiva. E quando o General sente raiva, ele marca a bola, a rede e a história.

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