23 maio 2019 - 16h59

Somos todos negros

Nikão foi duramente ofendido nas redes sociais por torcedores do River Plate. Pelo menos três perfis comentaram uma foto publicada pelo jogador do Athletico com comentários como “negro horrible hijo de puta; negros de mierda brasileros; macacos de mierda”.

Nikão foi xingado por jogar futebol. E defender – muito bem, por sinal – a camisa de um time adversário. A escolha da ofensa não poderia ter sido mais cruel: a cor de sua pele.

Parece inacreditável, mas estamos em 2019 e ainda existe quem discrimine, ofenda e humilhe outro ser humano porque é negro.

Uma das explicações para que isso continue acontecendo é o silêncio ou pouco caso daqueles que discordam. É preciso falar sobre o assunto. Não dá para fazer pouco caso. Respostas como “ah, sempre foi assim”; “isso é normal no futebol”; “não dá para controlar as redes sociais” não apenas varrem o problema para baixo do tapete. Elas permitem que essas ofensas se perpetuem.

No próximo jogo, ou quem sabe daqui a algum tempo, Nikão ou outro jogador do Furacão poderá ser novamente vítima de injúria racial. Até quando vamos achar que isso é normal? Que faz parte do jogo?

É preciso combater o racismo e qualquer forma de preconceito. A esposa de Nikão foi corajosa. Poderia ter ignorado as ofensas que humilham a alma. Mas não se calou. Expôs o problema e levantou a discussão. É preciso que a Conmebol e o River Plate se manifestem e tomem atitudes para combater o preconceito. É papel das instituições ajudar a mudar o estado das coisas.

Nikão e Izabela, estamos com vocês. Também não ficaremos calados. Somos todos negros. Afinal, rubro-negro é quem tem raça e não teme a própria morte.

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