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1 jul 2019 - 14h32

Unidade

Quem viveu o Furacão nos anos 80 e 90, especialmente antes da inauguração da Arena, sabe que existe uma visão romântica e saudosista da época. A realidade é que nossos públicos via de regra eram baixos, nossas médias de público muito mais baixas que atualmente, e a torcida ia mesmo nos grandes jogos, ou clássicos decisivos. As aspirações também eram mais modestas. Queríamos a volta pra Baixada e uma estrelinha amarela no peito.

Hoje chegamos num patamar que não tínhamos sequer sonhado. Um título nacional e um internacional. Presença frequente na Libertadores. Uma distância abissal dos rivais. Jogos contra os grandes do Brasil e da América. Uma Arena moderna, já em sua segunda geração. Nossas médias de público são bem maiores, ainda que estabilizadas ou até mesmo caindo no momento.

Além disso, acredito que estamos estabilizando o futebol. Nos últimos anos, é possível observar que estamos revelando melhor, estamos contratando melhor ( ainda que não estejamos perto das contratações sonhadas ) e vemos que os nossos jogadores ficam aqui mais tempo, o que ajuda o time a manter uma base e faz muita diferença num futebol tecnicamente nivelado por baixo como o brasileiro.

Mas tem algo errado, e bem errado.

Naqueles sofridos anos 80 e 90, mesmo nos jogos com 200 pessoas, mesmo nos jejuns de títulos, mesmo com os piores times, havia uma unidade. Nenhum atleticano se achava melhor que outro. As pessoas eram diferentes, mas o Atlético era um ponto comum. Não existia essa diferença absurda entre torcedores que existe hoje.

Hoje em dia temos correntes de torcedores. Os tradicionalistas que torcem o nariz pras mudanças. Os modernos que compram tudo. Os fãs do Petraglia que apoiam tudo irrestritamente. Os odiadores do Petraglia, para quem nada está bom. Nossa torcida organizada mesmo mudou demais, e hoje é difícil de ver a Arena pulsar como antigamente.

Pra quem acessa com frequência as redes sociais, é muito comum observar a turminha da lacração, seja ela a favor ou contra. O nosso torcedor deixou de enxergar nossa torcida como uma coisa única e agora age individualmente. De acordo com sua condição pessoal, seja porque pode ou não pode pagar, seja porque gosta ou não gosta de listra diagonal, gosta ou não do nome com H, seja porque acha ou não acha que o estádio tem que estar sempre cheio, existe não só uma, mas várias divisões entre torcedores.
Algumas figuras carimbadas da torcida passam a ser odiadas ou amadas, conforme o seu posicionamento agrade ou não. Deixamos de ser simples atleticanos para nos tornarmos uma torcida dividida demais.

O fato é que uma coisa importantíssima se perdeu. O coração. Não totalmente, há esperanças. Nossa torcida ainda é capaz de entregar grandes espetáculos, como na decisão da SulAmericana e nos jogos contra Boca e River. Mas isso acontece cada vez com menos frequência.

Hoje se discute demais se o preço é caro ou barato, se a torcida organizada presta ou não presta, e de menos se ir ao estádio é uma experiência de atleticanismo.

Nos últimos anos o nosso clube trabalhou a experiência do estádio para o conforto europeu, sendo que o torcedor padrão tem um perfil argentino. Evidente que o conforto é bom, mas o estádio não pode ser gelado.

Fazer essa correção de rota é essencial para que possamos chegar na grandeza definitiva. O torcedor precisa ser unido e colocar o Furacão como prioridade, mas pra que isso aconteça, é preciso que a nossa direção de um passo definitivo sepultando conceitos que não funcionaram. Se queremos 40 mil sócios, e podemos ter, mesmo nos preços atuais, mesmo na crise econômica atual, não podemos impor padrões de comportamento.
Se o torcedor gosta de caveira, que tenhamos caveira no estádio. Se o torcedor gosta de faixa, que tenhamos faixa. Se gosta de rubro-negro, o estádio não pode ser cinza. Se gosta de comer comida feita na hora, não pode vender alimento embalado num pacote. Se gosta de listra vertical igual ao Milan, não pode forçar a gostar de listra diagonal porque é diferente. Se quer assistir o jogo no seu espaço, não pode ser forçado a conviver com torcedor de outro time.
Se fosse verdade que o torcedor só gosta da vitória, nosso estádio estaria lotado com o calendário desse ano. Se fosse verdade que o plano de sócio é caro, ou que o cara é sócio apenas porque fica mais barato ir a todos os jogos, não teríamos tantos jogos com público baixo e com tantos sócios ausentes.
Urge recuperar a identidade. Urge recuperar a unidade. Urge trazer tanta gente afastada de volta, pois são estes que garantem as novas gerações.
Todo mundo quer que o dinheiro da venda dos nossos jogadores seja revertido em reforços. Se dependesse de mim, corrigia tudo o que foi feito de errado na Arena. Troca todas as cadeiras por cadeiras rubro-negras, isso pra começar. Ah, mas o filho do Petraglia vai ganhar dinheiro, dirão alguns. De boa? Dane-se. É hora de arrumar o que foi feito errado lá atrás, unir com o que é feito certo hoje, e finalmente trazer nosso povo pra convergir em uma só direção.

Caso contrário, continuaremos aprofundando a divisão, o que só interessa aos rivais.



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