2 jul 2019 - 11h35

A importância dos “aspiras”

Durante a pausa no futebol brasileiro para a Copa América de seleções, novidades são aguardadas no time principal do Athletico, em especial, contratações, que tornem o time mais competitivo para os muitos desafios do segundo semestre.

Uma novidade, porém, passou despercebida. Na última sexta-feira, o rubro-negro anunciou mudanças nas categorias de formação, visando “melhorar a formação dos atletas e acelerar a exposição em jogos de maior nível contra jogadores mais velhos”:

“Reconhecidamente um clube inovador e formador, o Athletico iniciou as mudanças no mês de abril e vem se mantendo nas primeiras colocações das competições. As equipes, que antes estavam divididas em Sub-15, Sub-17 e Sub-19, agora são Sub-14, Sub-15, Sub-16, Sub-18 e Aspirantes.”

O clube esclareceu ainda que Rafael Guanaes, técnico que conquistou o Campeonato Paranaense de 2019, continua à frente da equipe de aspirantes que, contando com atletas maiores de 18 anos, disputará não apenas o Brasileirão de Aspirantes, mas também Campeonato Brasileiro Sub-20.

Trata-se de apenas mais uma etapa de um projeto de anos. Afinal, desde 2013, a equipe sub-23 ganhou força, sendo utilizada em quase todos os campeonatos estaduais desde então, sendo a atual bicampeã paranaense.

Segundo a Gazeta do Povo, que já em 2015 destacava a aceleração da transição de atletas da base para o profissional, essa estrutura foi iniciada pelo então dirigente atleticano, Sandro Orlandelli e, atualmente, deve contar com a direção do ex-zagueiro Paulo André, confirmado pelo clube como novo diretor geral de futebol (confira aqui sua entrevista para o Site Oficial do clube).

Vale destacar que Paulo André, mesmo antes de confirmar sua aposentadoria (e enquanto atuava tanto pelo time principal quanto pelo time de aspirantes no Paranaense de 2019), já vinha trabalhando nos bastidores como dirigente, não apenas nas contratações do time principal, mas também de olho constante nos garotos da base:

Essa aceleração na transição de garotos para o competitivo futebol profissional encontrou seu auge, no Athletico, em 2018. Afinal, a equipe de aspirantes campeã no Campeonato Paranaense daquele ano não apenas iniciou a atual hegemonia rubro-negra no Estado, como ainda forneceu técnico e jogadores mais do que importantes para a primeira conquista internacional da história do clube.

Afinal, é indiscutível a relevância não só de Thiago Nunes (que substituiu Fernando Diniz no comando técnico da equipe principal na pausa do futebol para a Copa do Mundo de 2018) para a conquista da Sul-americana, como também dos jovens jogadores que, promovidos dos aspirantes, foram fundamentais naquele segundo semestre, com o óbvio destaque para Bruno Guimarães, Léo Pereira, Renan Lodi.

Esse último, inclusive, que figura em discussões sobre ser maior lateral esquerdo da história do clube, se despede do clube em uma negociação que, quando concretizada, será a maior da história do Athletico, com um lucro que pode alcançar 25 milhões de euros (sendo 5 milhões de euros variáveis, ou seja, conforme convocações, jogos disputados, conquistas, etc.):

Com isso, é coroado mais um ponto positivo do time de aspirantes: o retorno financeiro. Em levantamento realizado pelo portal Trétis, o Rubro-negro já faturou R$ 130 milhões com revelações do paranaense (considerando as equipes utilizadas desde 2013).

Em 2015, como visto, a Gazeta do Povo também destacou as vendas de porcentagens dos direitos de Marcelo Cirino e Douglas Coutinho para o Doyen Group, que renderam ao clube um total de aproximadamente 26 milhões de reais. Considerando o rendimento atual de ambos os atletas, o sucesso de tais negociações é inegável.

É possível concluir que a adoção do time de “aspiras”, portanto, é responsável direta por retornos financeiros e, também, competitivos (algo que muito se cobra da base no futebol como um todo: não apenas lucrar, mas também fornecer jogadores que conquistem títulos com a equipe principal).

Com esses e outros exemplos, é compreensível as constantes contratações de jovens jogadores para a equipe aspirante, visando testa-los em ambientes minimamente competitivos para, após, subirem ao profissional.

Recentemente, porém, outro objetivo será colocado à prova: a utilidade da equipe de aspirantes para recuperar jogadores lesionados e dar ritmo de jogo não apenas a jogadores voltando de lesão, mas também a atletas que compõe o time principal, mas não jogam com frequência.

Segundo o globoesporte.com, esse foi o caso dos atletas Abner, Robson Bambu, Lucas Halter e Bruno Nazário.

Esse último, inclusive, atuou como titular na equipe que disputou o primeiro amistoso do Athletico nessa pausa para a Copa América (na derrota por 2×0 para o Cerro Porteño, no último sábado), e parece despontar como esperança para Thiago Nunes.

Contratado em julho de 2018, o meia sofreu grave lesão no joelho em setembro do ano passado, e seu retorno é aguardado com expectativa de uns e desconfiança de outros, em especial diante da ausência de reforços para o meio campo atleticano até o momento.

Se Bruno Nazário virar peça importante para o Furacão para o restante de 2019 (o que parece ser muito precoce de se afirmar), será mais um ponto positivo para a equipe de aspirantes e de sua utilidade para os objetivos principais do Athletico e de sua torcida. Caso contrário, isso não afetará, ao que parece, o sucesso dos “aspiras”, que continuarão dando esperanças ao torcedor de revelar novos Renans, Brunos, Léos e Thiagos.



Últimas Notícias

Fala, Atleticano

Boa sugestão

Li em um texto que estão sugerindo o Lucho Gonzalez para ser o técnico do CAP para 2020. Foi para mim uma sugestão muito acertada…