22 ago 2019 - 18h14

Só a vista por amor

Sou chato. Costumo dizer que já sou um velho faz uns vinte anos (e com o tempo só piora). Assim como boa parcela da torcida atleticana (felizmente) sou crítico. Acho que por vezes demais, mas sem nunca deixar de oferecer alternativas ou caminhos para tentar corrigir aquilo com que não concordo.

Sou atleticano e daqueles apaixonados.

Talvez tenha sido mais. Pensei nisso ao ficar bastante afastado entre 2016 e 2017. Mas você sabe, bastam umas vitórias à la Atlético que a gente já se derrete e volta ainda mais louco e apaixonado.

Me preocupa, portanto, ver o que aconteceu com nossa torcida. Sou crítico (de novo!) ao elitismo que o clube implementa há 20 anos e seguido da gourmetização das arenas esportivas pós Copa do Mundo. Pro atleticano que acha que a nossa torcida é a mais chata do mundo eu tenho uma má notícia: podemos estar a caminho, mas ainda tem MUITA torcida mais chata. Esse caneco (ainda) não é nosso.

Posto isso queria lembrar aquela parcela que já foi insignificante, passou por minoria, cresceu, passou a ser ouvida com mais nitidez e que hoje representa quase metade dos frequentadores do estádio e parece estar em crescimento, que somos torcedores do Athletico Paranaense, agora com H.

Não fomos torcedores do Real ou Barcelona, nem da Juventus que é hegemônica, nem dos gigantes Boca e River. Não torcemos para o time de maior torcida do Brasil, quiçá do mundo, o Flamengo multiestrelado. Não temos o dinheiro e a galeria de títulos nem de craques do Palmeiras que de novo disputará a ponta do campeonato.

Somos Clube Athletico Paranaense, um clube que ocupa um lugar esquisito hoje, pois se desgrudou daqueles outrora do seu tamanho como o Coxa, Sport Recife, Bahia mas ainda não conseguiu entrar na bolha composta pelos oito grandes do eixo mais as duplas gaúcha e mineira, marcas regionais fortíssimas e que quase sempre estão chegando em nível nacional.

Temos conquistado um espaço só nosso e nesse caminho temos e teremos vitórias, derrotas, alegrias, decepções. Já escrevi por aqui mesmo que jogar contra o Boca Juniors na minha infância era somente um sonho. Vivi o suficiente para jogarmos contra eles 4 vezes em somente um ano, sendo eliminados sim, mas aplicado um 3 x 0 que não sai da nossa memória.

Lembro que em 2020 nosso time disputará somente pela segunda vez em quase 100 anos de história, a chance de ser tricampeão. Nunca fomos um time super campeão. Vivemos longos jejuns  e nossa história é rica em lendas, mitos, muita alegria, ídolos mas não muitos canecos.

E independentemente disso sempre fomos apaixonados e tivemos aquilo que nosso hino reza sobre nossa camisa: só a vestimos por amor. E o amor companheiro…….. ahhhh o amor é incondicional.

O amor, como está nas sagradas escrituras “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Não dá pra amar o Athletico só quando ele vence. Daí fica fácil né?! Daí vamos torcer pros clubes citados acima neste texto.

O time tropeçou contra o São Paulo, tentou, se empenhou especialmente no segundo tempo (sim, o primeiro deu sono, olha eu crítico de novo), mas enfrentamos simplesmente o melhor time no Brasileiro pós Copa América. Um time que jogou por uma bola e que infelizmente cedemos essa uma bola. Um time que jogou com até 8 jogadores atrás da linha da bola, que se defendeu, amorcegou e fez cera boa parte do jogo. Faz parte do jogo perder, até mesmo de forma injusta como foi.

O que não se pode é exigir sempre vitória só porque se joga em casa. Houve, há e haverá jogos bons e ruins em casa e fora, nosso time ainda oscila bastante. Mas se amamos o time temos que apoiar, acreditar e principalmente amar de forma incondicional durante o jogo.

Em breve teremos mais uma importante decisão e a torcida terá papel fundamental. A missão de reverter diante do bom e copeiro Grêmio é difícil, mas não impossível. E mesmo que se a missão não for completada mas nossos jogadores se postarem com hombridade, com luta, tendo deixado em campo tudo que podiam, talvez mereçam nosso aplauso e reconhecimento. Nem sempre se vence e o Athletico está longe de ser uma máquina imbatível.

Mas nosso clube deve ser amado e esse amor deve ser incondicional. Pois como finaliza em 1 Cor 13 “agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor; estes três, mas o maior deles é o amor”.

 

Juarez Villela Filho, fundador e colaborador da furacao.com 



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