26 ago 2019 - 22h52

Terra arrasada?

Após a derrota do Athletico para o Grêmio no último sábado (ou até mesmo antes disso), começou uma série de comentários nas redes sociais da torcida rubro-negra em clima de “terra arrasada”. Não é para menos. Com esse jogo, o time acumula 5 derrotas nos últimos 7 jogos. O time que vinha muito bem após a parada para a Copa América, inclusive disputando com o São Paulo no jogo anterior, qual deles teria o melhor desempenho no Brasileirão após este intervalo, caiu de produção em determinados momentos.

Mas, deixando de lado por um instante, a emoção e a vontade alucinada por vitórias comuns aos atleticanos: há motivos para esse sentimento?

As 5 derrotas do Furacão neste período foram: Boca Juniors (F), Botafogo (F), Grêmio – CdB (F), São Paulo (C), Grêmio (F).

Analisando superficialmente, foram 4 jogos fora de casa contra grandes clubes e um na Arena contra o São Paulo, derrota esta que pode-se lamentar pelo histórico do confronto que carrega certa rivalidade por parte da torcida rubro-negra. A partida contra o Botafogo também poderia ser ganha. Nesta, o fator arbitragem claramente afetou o resultado do jogo contra o Athletico, que foi superior na partida. Perder fora de casa para Grêmio e Boca Juniors, não podem ser considerados resultados alarmantes.

Mas não é apenas isso. Não se trata apenas de resultado. Muitas das reclamações se referem à postura do time em campo. Até uma das poucas unanimidades da torcida começou a ser contestada. Sim, o técnico Tiago Nunes. O técnico tem sido questionado, principalmente em relação à escalação, alterações durante a partida, tempo para realização de mudanças e por qual motivo não utiliza determinados jogadores, especialmente os jovens destaques da base.

A perda de jogos decisivos, tais como a Recopa, a eliminação da Libertadores da América, o jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil para o Grêmio, aliada à falta de competitividade da equipe nesses jogos, contribuiu para o clima de negatividade visto nas arquibancadas e redes sociais.

Porém o Furacão vinha se recuperando, fazendo ótima campanha pós-Copa América, sendo um dos melhores aproveitamentos no Campeonato Brasileiro.

Analisando mais profundamente as duas últimas partidas, houveram pontos positivos significativos a serem considerados. Porém, em ambas, o que realmente afetou o rubro-negro foram os resultados finais.

Contra o São Paulo, o Furacão dominou amplamente o jogo. O time paulista jogou na defensiva e com uma bola conseguiu fazer o gol. O Athletico conseguiu muita posse de bola, mas pouca verticalidade e quase nenhuma chance real de gol. Talvez não merecesse vencer pois não ofereceu perigo, mas também não merecia perder. Pontos a serem observados: sensível melhora na postura do time; treinador realizou mudanças proveitosas no time.

Já contra o Grêmio, a partida foi um pouco mais aberta e equilibrada. Porém, o Athletico sofreu os gols em duas grandes falhas do sistema defensivo. Falhas que não deveriam acontecer. Ambos os times jogaram com muita qualidade, apesar de vários desfalques. O Athletico testou opções interessantes nesse jogo: Cittadini no meio e Khellven na lateral direita foram muito bem na partida. Pontos a serem observados: time volta a jogar com amplitude e velocidade, tentando envolver o adversário; mais alterações do técnico visando criar novas possibilidades ao time.

Claro que a fase poderia estar melhor e a torcida esperava mais do tal “protagonismo”. Mas é preciso analisar o cenário com calma para que tudo isso não acabe menosprezando a luta que o Athletico enfrenta para alcançar o que vem alcançando nos últimos tempos. Aqui vale lembrar alguns fatores: folha salarial do Athletico é uma das mais baixas da Série A, temos a 13ª melhor média de público do campeonato (baixa arrecadação), baixo número de sócios torcedores em comparação aos outros grandes clubes, sem contrato assinado com PFC, entre outros aspectos.

De qualquer forma, não é nenhum demérito estar no patamar em que estamos com todas essas circunstâncias. Muito pelo contrário. A torcida rubro-negra tem que sentir orgulho de estar onde está e ter o clube que tem. É preciso ter essa consciência e fazer o papel de torcedor: apoiar e incentivar o clube.

Não é hora para “terra arrasada”.

Nos próximos confrontos, o Athletico necessita pontuar no Campeonato Brasileiro, além de tentar reverter o resultado na Copa do Brasil. Para tanto, a meta é fazer de 6 a 7 pontos na competição de pontos corridos. Os confrontos serão: Ceará (C), Santos (F) e Avaí (C). Dessa forma, podemos fechar o primeiro turno próximo ao G6.

Dois jogos em casa, duas vitórias. O apoio da torcida será fundamental. Pra cima Furacão.

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