18 set 2019 - 0h01

O tempo é o senhor da emoção

Dia desses, em meio a esse alvoroço sentimental que nos acomete durante jogos decisivos, me peguei pensando sobre aqueles que chamo de “leigos”, que nada mais são do aquelas pessoas que conseguem encarar o futebol como um hobby, uma válvula de escape ou um mero entretenimento. Aqueles que torcem de maneira mais discreta e que suas vidas não são impactadas por um “mero” jogo de futebol.

Por alguns segundos cheguei a invejá-los. Durante esses poucos instantes, imaginei o quanto me sobraria de tempo para tantas outras coisas, todas as tretas que evitaria, quantos julgamentos deixaria de sofrer, quantos impropérios não teria que ler e ouvir, quantos protocolos malucos não precisaria me submeter e quanto sofrimento seria evitado.

Mas não demorou muito para o contraponto aparecer e eu percebi que desconheço outro jeito de encarar a vida. Assim como tantos outros atleticanos, não conheço outra realidade que não seja essa de vivenciar o Athletico com toda a dedicação que ele merece. E posso dizer com toda a convicção, que muitos dos valores, lições e construções pessoais pelas quais passei são provenientes exatamente dessa relação com o clube do coração.

Tenho que falar que aprendi sobre superação, quando vi times limitados jogando com uma raça absurda, quando forçamos aquele grito de apoio mesmo sem voz ou quando vejo uma remontada histórica como a ocorrida na semi da Copa do Brasil.

Que experimentei a esperança com a lendária história do Ziquita e me tornei a personificação desse mesmo sentimento naquele pênalti desperdiçado pelo Barrera.

Exercitei minha paciência até o tão sonhado título nacional e pela derrubada do muro do Expoente.

Que entendo por união, as milhares de vezes que vi a nossa torcida em plena sinergia com o time ou quando vejo a solidariedade do torcedor nos momentos de perrengue.

Que a generosidade é desenvolvida nas caronas dos amigos e naquela vaquinha do ingresso de quem está sem grana.

Que praticamos a empatia quando resistimos à cornetagem ou quando sofremos a suspensão do Thiago Heleno e Camacho junto com eles.

Tornei-me apreciadora de arte quando vivenciei a temporada de 2004 e me refestelei com ela ao ver Bruno Guimarães e Lodi em campo.

Também aprendi muito sobre estratégia, trabalho e necessidade de planejamento, ao acompanhar um Clube com o nosso contexto conquistando um espaço inimaginável até alguns anos atrás.

Sinto a gratidão presente a cada muro que o Furacão derruba!

Que não há lugar para preconceito dentro de um abraço espontâneo de comemoração.

Que exercito a minha fé a cada gol nos acréscimos que marcamos e, também, naqueles que deixamos de levar.

E que oportunidade maior de desenvolver a resiliência do que após uma grande frustração? Certamente aquela final arrancada da Baixada e a sensação de ter chego tão perto daquela Libertadores me transformaram demais!

Também pratico o amor incondicional mesmo quando o time não vai bem e sequer passa pela minha cabeça jogar tudo para o alto.

Constatei que nem todos os dias são de paz e que em muitos tem que ser na base do “time de guerra” mesmo.

Soube o que era confiança quando mesmo nas escalações mais polemicas, acreditei no trabalho e bom senso do Tiago Nunes.

Também aprendo a cada dia mais sobre respeito, quando mesmo sabendo que a minha opinião possa destoar, ainda assim a minha voz não é calada.

Sinto orgulho cada vez que vejo mais mulheres na Baixada e quando percebo que já estou longe de ser uma exceção.

Afirmo que vivencio a plenitude quando estou na minha amada Baixada, ao lado da minha família da arquibancada, resenhando, torcendo e fazendo parte de mais um capítulo da história do meu Furacão!

Falei de mim, mas certamente você também se viu nessas passagens! Assim como eu, você também não consegue renunciar a tudo isso. Quando se experimenta as emoções que o futebol nos proporciona, não tem essa de “se poupar”. E hoje, nessa final, não será diferente. Estaremos todos com a nossa bagagem de atleticano, com todos esses aprendizados, com os prós e contras desse amor. E, se eu te ver chorando antes mesmo do jogo começar, eu te entendo! Porque não será só o jogo, não é entretenimento, você certamente estará “assistindo” ao filme de toda a sua história rubro-negra.

Atleticano, o tempo é o senhor de toda essa emoção!



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