11 nov 2019 - 20h43

Geninho ou Tiago Nunes? Saem os treinadores, ficam as taças

Não é fruto do acaso a formação de ídolos. Isso exige um contexto extremamente complexo: diretoria, objetivos, ambição, qualificação, calendário, planejamento, elenco, equipe técnica, logística, preparação física, apoio do torcedor, resultados, confiança.

Tiago Nunes, Geninho… Certamente os dois nomes serão para sempre lembrados pelos torcedores atleticanos. Foram os responsáveis por comandar, à beira dos gramados, equipes campeãs e pelos títulos que estarão marcados de forma indelével na história do Furacão.

Mas afinal, quem é o maior? A certeza é de que cada um deles, em seus respectivos contextos, são gigantes.

Eugênio Machado Souto

Geninho foi o técnico certo, na hora certa e no time certo. Assumiu um time em crise. Mas com seu jeito bonachão, camarada, conseguiu unir “bandidos”, festeiros e, claro, craques de um elenco desacreditado num único objetivo.

O resultado foi que o Furacão tornou-se imbatível sob seus domínios, trunfo fundamental para a conquista do possível maior título de todos os tempos do clube.

De comandante da conquista do Brasileirão em 2001, Geninho retornou em 2008 ao clube com o status de “santo”. O rebaixamento para a segunda divisão nacional parecia iminente. Mas o técnico operou a improvável salvação.

Em 2009, deixou mais uma vez sua marca e colocou mais uma taça na galeria do clube: campeão pranaense.

A última passagem pelo Atlético (grafia da época) ocorreu em 2011. Após apenas 10 jogos à frente da equipe e mesmo com aproveitamento de pontos de mais de 80%, foi demitido do comando técnico.

Tiago Retzlaff Nunes

Nosso agora ex-treinador é merecedor de todos os louvores, desde a formulação tática eficiente à consistência emocional do grupo. Se o Athletico é organismo que supera todos os parâmetros em que é examinado, se o colesterol bom está ótimo, se os triglicerídeos estão uma beleza, o reconhecimento ao trabalho do treinador se faz justo e necessário.

2018 trouxe um enredo épico, digno daqueles grandes contos: Tiago Nunes, campeão do Campeonato Paranaense dirigindo o grupo de Aspirantes, assumiu a função de técnico interino da equipe principal – desacreditada e que beirava o rebaixamento no Brasileirão – para, no fim, conquistar a Sulamericana e terminar a competição nacional na sétima colocação.

Não bastasse o primeiro título internacional conquistado na história do Athletico, o então comandante rubro-negro e seus atletas emplacaram logo outro, na sequência: a J. League/Conmebol.

Ainda deu tempo de Tiago Nunes levantar a taça de um dos principais títulos do quase centenário clube: a milionária Copa do Brasil. Gigantes desbancados: caíram Flamengo, Grêmio e Internacional e o Brasil inteiro se curvou ao Furacão.

O final de um ciclo, o desfecho de uma história, talvez seja a oportunidade mais clara para um treinador demonstrar gratidão: por tudo aquilo conquistado e pelas condições providas para o desenvolvimento de um trabalho.

Tiago Nunes perdeu a chance de consolidação e – infelizmente – desviou-se do caminho óbvio e natural. O comandante, que tinha tudo e todos em suas mãos para tornar-se (talvez sem muito debate) o “maior de todos os tempos”, por um “descuido”, apequenou-se. Terrivelmente.

Em contraditória entrevista pós-desligamento do clube, o anunciado treinador do Corinthians sucumbiu aos fatos e saiu menor do que entrou. Sentimento de decepção geral.

O futuro

“O projeto não depende apenas de nomes, mas de um conjunto de ações e ideias de vencedor.”

Como dito em nota oficial do clube, o pensamento é claro e parte de uma premissa básica, conceitual, da gestão de futebol rubro-negra: não fazer loucuras orçamentárias e comprometer uma estrutura sólida que apresenta resultados na sua prática.

Para nós, torcedores, a fórmula é simples, mas extremamente complexa: consiste em focar apenas nos momentos gloriosos e inesquecíveis. A realidade é nua e crua e coloca o sentimento de gratidão ao lado da sensação de “traição”.

Tiago, Geninho… Ambos receberam missões, adequaram-se ao projeto e realidade da instituição e cumpriram, com maestria (e há que se destacar isso), seus objetivos. Gratidão pelos feitos é palavra de ordem.

Técnicos vencedores virão e irão, inevitavelmente. E seguirão seus caminhos – a forma como isso acontece é que poderá gerar mais ou menos conflitos e indagações.

No mundo do futebol – esse grande e atrativo negócio movido cada vez mais pelo dinheiro -, sentimentos como paixão, amor e gratidão, invariavelmente devem restringir-se aos torcedores.

Como todos os ciclos, mais um se encerrou. Durante o período que foi vivido, o amor foi autêntico e genuíno. Ao fim, balançou, misturou-se a ira e decepção pela forma com a qual a situação transcorreu.

Mas o legado e as conquistas deixadas para sempre reverberarão através do tempo – idefectível e incorruptível – que é e sempre será o senhor da razão.

Geninho ou Tiago Nunes? No final das contas, o saldo é positivo: saem os treinadores, mas ficam as taças.



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