3 fev 2020 - 16h30

Um novo ciclo

Passada a fase mais “ativa” do mercado de transferências, o saldo para o Athletico é negativo (como quase sempre nas janelas de verão). Praticamente todas as peças chave do Furacão campeão da Sulamericana e da Copa do Brasil se despediram neste início de ano, o que já nos coloca em um 2020 que será marcado pela reconstrução. Dentro deste contexto, entendo ser necessária uma reflexão mais racional sobre o que temos e o que devemos esperar da temporada atual, passado o mágico biênio de 2018-19.

Contratações e vendas

Talvez poucos mercados de transferência tenham sido tão conturbados para o Athletico quanto o atual. A decisão de Marco Ruben em voltar para a Argentina para encerrar sua carreira, somada com as perdas de Leo Pereira, Bruno Guimarães e de Rony (esta ainda não sacramentada, mas com grandes chances de ocorrer), fizeram ruir boa parte da base do time titular.

A primeira análise racional a ser feita, portanto é: das 4 principais perdas desta janela, 3 delas são praticamente insubstituíveis num mesmo nível. Diria que apenas Leo Pereira possui substituição adequada já dentro do elenco (Lucas Halter e Robson Bambu). Os demais são peças raras que tivemos o prazer de vermos trabalharem juntas, mas devemos estar cientes de que, independentemente de quem vier para substitui-las, dificilmente estará no mesmo nível dos que se foram, pelo menos no curto prazo.

Dito isto, as contratações feitas pela diretoria foram pontuais, em posições onde perdemos peças (meio de campo e pontas) e precisarão ser avaliadas sem comparar com o que tínhamos no time. Lembrando: 2019 foi, provavelmente, o melhor elenco da nossa história. Qualquer comparação a partir disso só vai deixar a torcida frustrada. O elenco de 2020 inicia uma nova história e se não for avaliado assim, correremos o risco de queimar bons jogadores.

Neste tópico, apenas considero inadmissível não termos contratado um centro avante mais experiente para vestir a camisa titular. O jovem Bissolli deixou uma boa impressão nos primeiros jogos, porém é temerário pular a etapa de transição de um jogador promissor e lança-lo como esperança de gols do time em uma Libertadores. Pode ser que dê certo, mas é um risco que o clube não deveria correr.

Dorival Junior

Tiago Nunes entra junto com os jogadores anteriormente citados na lista de insubstituíveis. Sua saída conturbada obviamente desagradou a torcida, mas é impossível não reconhecer a qualidade do profissional, que não à toa foi o mais vitorioso treinador da nossa história.

O treinador Dorival Junior não era a primeira escolha da diretoria do Athletico e desagradou boa parte da torcida, que esperava um fato novo. Mas cabe lembrar que até pouco tempo atrás trazíamos como fato novo Fabiano Soares, Miguel Angel Portugal, Milton Mendes, Fernando Diniz, dentre outros. Ou seja, a “novidade” não é garantia de qualidade. Pelo contrário, os exemplos do Athletico mostram que com muito mais frequência o clube errou nestas apostas.

Dorival vem como uma contratação “de segurança”. Com poucos títulos no currículo, Dorival possui um histórico de ser contratado para apagar incêndios. Desta vez terá a chance de iniciar um trabalho com uma base relativamente boa e entrosada, em que pese todas as perdas significativas que tivemos no elenco. Oportunidade para fazer um trabalho sólido e manter o Athletico competitivo ao longo da temporada.

Os primeiros passos de Dorival não me agradaram, pois a princípio imaginei que seria mantida a forma de jogar, fazendo apenas ajustes para se adaptar às características dos titulares do elenco atual. O novo treinador atleticano, entretanto, optou por iniciar um trabalho praticamente do zero. Tanto com a bola como sem ela, o Athletico joga de maneira diferente do biênio anterior, portanto Dorival terá mais dificuldade para deixar o time como deseja, uma vez que os jogadores já tinham enraizada e automatizada uma forma de jogar.

Mesmo assim, acredito que é possível que o trabalho do treinador seja bem-sucedido dentro da realidade oferecida pelo clube. E aí entra o próximo tópico.

Expectativas

Afinal, quais as expectativas para a temporada atleticana? Isso é algo totalmente pessoal, por óbvio. Mas só acho possível avaliar se um trabalho é bem-sucedido ou não se forem estabelecidos parâmetros para tal.

Diante do cenário de reconstrução, na minha projeção, 2020 será um grande ano se conseguirmos atingir os seguintes objetivos:

  • Tricampeonato Paranaense;
  • Manter a competitividade, não desgrudar do “pelotão de cima” no Brasileirão e beliscar uma vaga para a Libertadores de 2021;
  • Classificação para as oitavas da Libertadores 2020;
  • Conseguir promover para o time principal ao menos 3 jogadores do atual time de aspirantes (talvez o time com mais jogadores talentosos desde o começo do projeto dos aspirantes) e consolidar Erick e Pedrinho – os dois jovens mais promissores da nova geração – no time titular para assumirem o protagonismo em breve.

São objetivos relativamente modestos, mas realistas com relação ao momento de reconstrução do elenco e suficientes para que o Athletico siga trilhando seu crescimento e podendo sonhar com coisas maiores adiante. O que vier além disto pode ser considerado excepcional diante das limitações.

Mas cabe ressaltar: os últimos anos mostraram que o Athletico tem capacidade de fazer coisas excepcionais. Sinto que nestes últimos anos perdi o direito de duvidar da nossa capacidade de surpreender.



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