11 nov 2020 - 23h17

Aquelas blacks que tanto amamos

Tradicionalmente, o uniforme é um dos símbolos mais expressivos de um clube e, para o Athletico, é ainda mais especial, tanto que até no hino ganha uma importância ímpar: “a camisa rubro-negra só se veste por amor!”. E, se a versão em vermelho e preto tradicional reúne todo esse simbolismo, há outra máxima no universo atleticano: quando o clube lança um modelo de camisa preta, mesmo sendo o terceiro uniforme, ela logo cai nas graças da torcida.

Este ano não foi diferente: já no lançamento da campanha “Vista a Revolução”, em setembro, a novidade principal ficou com o uniforme número 3 na cor preta, a primeira black com o novo símbolo, e, claro, foi aprovadíssima!

Para quem estuda a história das camisas do Athletico, essa preferência pela versão preta tem uma explicação: normalmente os torcedores se identificam mais com uniformes que seguem as cores principais do clube.

“Sempre acho interessante os uniformes que usam as cores do clube, sou bem conservador nessa parte. As blacks normalmente têm aceitação e acho espetacular, não curto camisas com outras cores”, disse o colecionador de camisas do Athletico, Sandro Michailev, acrescentando: “Sei que é uma tendência, a moda atual, mas isso não me desce [camisas com outras cores].”

O conceito de terceiro uniforme é uma ação relativamente recente no universo atleticano. Segundo o pesquisador da história do clube, Jefferson Gabardo, o primeiro modelo lançado foi no final da década de 90, na cor cinza. A primeira camisa preta veio mais ou menos na mesma época, em 1998, mas só foi utilizada uma vez pelo time profissional: contra o Rio Branco, no Pinheirão, pela Copa Paraná, na expressiva vitória atleticana por 8 a 0, nas quartas de final da competição vencida pelo Furacão.

Primeiro modelo de camisa preta [imagem: reprodução]
Primeiro modelo de camisa preta [imagem: reprodução]

Outras tentativas foram feitas: a polêmica dourada de 2003, que praticamente não agradou ninguém; a laranja ou as que homenagearam seleções da copa, como a azul e a amarela (que também gerou muita polêmica e pouca aceitação).

Já as pretas, bem, essas dispensam qualquer comentário: “A cor preta sempre foi muito marcante mesmo e ficou mais intensa ainda quando o Carneiro Neto [um dos ícones do jornalismo esportivo do Paraná, locutor e colunista da Gazeta do Povo] sugeriu calções e meias pretas, a partir de 1997”, contou Jefferson Gabardo, numa combinação irretocável do uniforme atleticano!

O próprio uso do terceiro uniforme não é algo tão automático: o clube precisa solicitar, via ofício para a Federação, o uso de um outro modelo que não seja os homologados como uniforme número 1 e número 2, como ação pontual para uma partida.

Camisa polêmica de um jogo só

Os irmãos Sandro e Rogério Michailev lembram de outra tentativa de inovação no uniforme, em 1978, numa variação usando o preto com destaque maior junto ao vermelho: “Ela era bem dividida entre vermelho e preto, mas na parte da frente tinha mais preto e, na de trás, tipo um negativo do que tinha na frente. Enfim, é uma camisa diferente, eu acho até interessante porque usava as cores do clube”, destacou Sandro.

A novidade não foi muito bem aceita na época, tanto que o uniforme só foi usado uma vez, contra o Matsubara, no estádio Joaquim Américo, pois “não foi do agrado da torcida”: “O desenho é de três listras pretas finas em cada lado, com duas mais largas ao centro da camisa. O calção todo preto com duas listras laterais dos lados. As meias foram as de sempre. Este uniforme ainda não foi registrado na Federação. Quando da entrada do time em campo, a torcida não gostou, vaiou e pediu o tradicional, com listras vermelhas e pretas horizontais”, citou reportagem da época. O fato inusitado foi destacado em reportagem da Furacao.com de 2019: A camisa que durou um jogo só

Uniforme de 1979: modelo de um jogo só [imagem: reprodução]
Uniforme de 1978: modelo de um jogo só [imagem: reprodução]
Uniforme de 1979: modelo de um jogo só [imagem: reprodução]
Uniforme de 1978: modelo de um jogo só [imagem: reprodução]
 

As tentativas mais atuais de camisa preta, entretanto, caíram no agrado do público! A “Black Edition” lançada no início de 2017 foi um sucesso arrebatador e, devido às poucas unidades confeccionadas, é inclusive item colecionável mesmo sendo uma peça bem recente.

“O clube fez poucas unidades, a galera se encantou com a camisa… as outras [versões, lançadas pelo clube gradativamente] não são raras, encontramos com relativa facilidade”, analisa Sandro. “Uma black que acho espetacular é o modelo de 2011, apesar de não termos boas recordações [ano do rebaixamento do clube no Brasileiro], ela traz o verso do hino ao redor do escudo, particularmente acho muito bonita com a inscrição ‘a camisa rubro-negra só se veste por amor’”, completou.

A história dos uniformes no futebol

Apesar dos primeiros registros da prática de futebol serem na segunda metade do século XIX, na Inglaterra, foi apenas a partir de 1870 que os uniformes passaram a fazer parte do esporte. Antes disso, os jogadores das equipes se diferenciavam entre si por acessórios pouco comuns nos dias de hoje, como chapéus, cachecóis ou lenços usados sobre os uniformes de críquete brancos.

Segundo reportagem da revista Trivela, de março de 2015 [Como surgiu o uniforme no futebol], esse cenário começou a mudar a partir da criação da regra do impedimento, no final do século XIX, quando “passou a ser mais importante que os jogadores conseguissem distinguir um time do outro, porque passou a ser mais comum passes a maiores distâncias. Os uniformes multicoloridos passaram a atrapalhar mais do que ajudar, ainda mais nas condições climáticas inglesas, com neblina, chuva e até neve. Então, passou a ser comum uniformes com uma só cor ou ao menos com uma cor predominante.”

E, ainda, o profissionalismo do futebol a partir da criação da Football League inglesa em 1888 trouxe também outras características para os uniformes: com a comercialização dos ingressos, ficou necessário que os espectadores nos estádios conseguissem identificar bem os dois times, então os uniformes passaram a ter contraste um com o outro.

Com a popularização do esporte e a criação da segunda divisão inglesa, automaticamente as cores dos clubes foram se repetindo, tornando obrigatória uma camisa reserva branca para que fosse usada quando a cor fosse muito parecida com a do adversário e, os times com camisas brancas, tinham que ter um jogo de camisas coloridas para a mesma situação. “Nessa época, quem jogava com o uniforme principal era o time com mais tempo de filiação à FA. Só com o tempo foi estabelecido que o time que jogava em casa que usaria o seu uniforme principal”, informou a reportagem da Trivela.

Curiosidades que ajudam a entender um pouco mais de todo esse universo do futebol e a relação quase muito próxima e íntima que os torcedores atleticanos tem com os mais diferentes modelos de camisas lançadas pelo clube, que, ao menos para nós, sempre é vestida e ostentada com muito amor e orgulho!

Camisas atleticanas: de “batutas” a históricas e cheias de curiosidades**

Na história do Athletico, a relação com as camisas está presente desde a fundação do clube: apesar da fusão entre Internacional e América ter se concretizada em 21 de março, apenas no dia 26 foi oficializada a mudança do nome e das cores, a posse da nova diretoria, sob o comando do presidente Arcésio Guimarães, e a definição que o novo clube continuaria jogando no campo do extinto Internacional, no Água Verde. Confira algumas curiosidades históricas sobre os uniformes atleticanos:

– No dia 06 de abril de 1924, o primeiro jogo do Atlético, ainda com as camisas do Internacional pois as novas, em vermelho e preto em linha horizontal, não ficaram prontas, com vitória por 4 a 2 sobre o Universal, gols de Malello, Marrequinho e dois de Ari.

– No dia 20 de abril de 1924, o clube participou da primeira competição, o Torneio Início, promovido pela Associação Sportiva Paranaense (ASP) e que abria a temporada no Estado, estreando as novas camisas que, segundo a Gazeta do Povo da época, chamavam atenção por serem “batutas”: o Athletico terminou a competição na segunda posição, depois de vencer o Coritiba (2 a 0), empatar com o Palestra Itália (2 a 2) e perder para o Universal (1 a 0).

– O primeiro uniforme número dois do Athletico foi lançado apenas na década de 40: em 1943 o clube inovou e apresentou uma camisa número 2, para ser usada quando a rubro-negra não pudesse ser vestida, na cor branca com faixas em vermelho e preto no centro e as iniciais CAP.

– Em 1973, nossa camisa chegou a ser toda vermelha, com uma faixa preta transversal. A ideia foi de um torcedor, que a trouxe da Argentina.

– Em 1977, voltaram as listras verticais, finas e grossas, intercalando-se. Segundo a torcida, parecia uma fantasia.

– Em julho 1988, o Athletico conquistou o título Paranaense com vitória por 1 a 0 sobre o Pinheiros, numa conquista marcada como último título com a camisa em listras horizontais. Semanas depois, o clube alterou oficialmente seu distintivo e seu uniforme: as listras rubro-negras deixaram de ser horizontais e passaram a ser verticais. A estreia do novo uniforme ocorreu no jogo contra o Coritiba, no dia 4 de setembro, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. A ideia da mudança partiu do então presidente Valmor Zimermann, que pensava em diferenciar o Athletico dos demais rubro-negros “horizontais” do Brasil.

– O símbolo estampado nas camisas atleticanas também sofreu atualização ao longo do tempo. Logo na fundação do clube, em 1924, decidiu-se que as camisas teriam a marca CAP, escrita em letras góticas entrelaçadas. Na década de 40, o jogador Lolô, que mais tarde se tornaria o consagrado arquiteto Ayrton Lolô Cornelsen, teve uma ideia para melhorar o visual: ele mesmo pintou nas camisas do clube o símbolo fazendo as letras mais cheias, inspirando-se no estilo do P do escudo do Palestra Itália e, com base nisso, desenvolveu o CAP que utilizamos até 2019. Em 1996, o clube atualizou mais uma vez o símbolo, deixando-o com visual de escudo ao modernizá-lo com a forma circular. E, em 2019, uma nova mudança: a inserção da logomarca remetendo ao Furacão, que no início trouxe bastante polêmica, mas que aos poucos vem conquistando os torcedores.

**Fonte: Hotsite dos 80 anos do Athletico, lançado pela Furacao.com em 2004



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