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20 dez 2020 - 14h21

Um Athleticano no Exílio – parte 1

Sempre tive dó dos paranistas. Mentira. Até a metade dos anos 1990 o sentimento era uma mescla de raiva, inveja e admiração. A dó veio no início dos anos 2000 e levou embora a raiva, a inveja e a admiração. Torcida minoritária, fim das conquistas em campo e um desastre fora dele. Hoje, torcer para o Paraná Clube em Curitiba (ou em qualquer lugar do Planeta Terra) é um exercício árduo de auto convencimento e, como gostam de relatar alguns (poucos) amigos paranistas, um ato de amor com um amigo que está em estado terminal.

A Revolução de 95 impediu que presenciássemos uma história parecida só que em tons rubro-negros. Com muito mais acertos do que erros, a era MCP transformou o Athletico (me obrigando, inclusive, a revisar todo o texto em busca dos “H’s” perdidos) de um “time de bairro” (no sentido literal da expressão, não no pejorativo) em um dos 10 principais clubes do futebol brasileiro. Não precisamos nos alongar nas conquistas dentro e fora de campo. O Brasil conhece. Era isso, pelo menos, o que eu achava quando tinha como limitações geográficas o Morro Anhangava, as cavas do Iguaçú, a Escarpa Devoniana e as cavernas de Rio Branco do Sul.

Moro em Ribeirão Preto, rica cidade do interior paulista, desde janeiro de 2019. Meu último jogo na Baixada foi a final da Sulamericana. Aqui, neste pedaço de terra que torra, dois times fazem o clássico COME-FOGO: Comercial, atualmente disputando as divisões de acesso do Paulistão e Botafogo, clube mais estruturado mas que está penando na penosa Série B do Brasileirão. Do Comercial, recomendo apenas um jantar no Cupim do Paulim, restaurante que fica anexo ao estádio, quase em ruínas (uma espécie de Couto Pereira sem as duas demão de tinta que andaram passando por lá). Já do Botafogo, nada recomendo. Clube até tem alguma história, já revelou craques como Sócrates e Cocito (os dois melhores e de classe futebolística equivalente, na minha visão), chegou a final de um Paulistão em 2003, ganhou Série C. Mas o ranso, o meu ranso, é com a torcida deles. Qualquer pessoa desta terra que torra que eu fale que torço para o Athletico Paranaense, faz questão de dizer que meu time, um dos 10 maiores clubes desse país, é uma espécie de Botafogo de Ribeirão Preto. Perco a amizade em segundos. Desando a falar de CAP. Ao que o indivíduo retruca: “Fica tranquilo…torço mesmo é pro Corinthians / São Paulo / Palmeiras / Santos / Flamengo. Para nós, vocês e o Botinha estão na mesma categoria (…)”. Fico mudo. Me afasto sem desviar o olhar, pois sujeito que torce pra dois times não é confiável, e solto: “Pois não importa para qual time você torça, meu Furacão ou já eliminou ou já goleou”. Finda a discussão e me sinto como um paranista nos dias de hoje, isolado. É FRUSTRANTE!

Não é fácil gritar gol sozinho. Não é fácil sair de casa com a Black de 2017 e te perguntarem o local que você comprou a camisa do Flamengo. Valorizem a vida na comunidade athleticana na Baixada e no entorno pois quando o desespero do isolamento me bate, tudo o que me resta é fechar os olhos e lembrar da recepção ao time na Brasílio Itiberê, longínquos 2 anos atrás.



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