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O Atlético não seria o mesmo sem o terreno encravado no bairro Água Verde. A Baixada representa exatamente o modo de vida do torcedor rubro-negro: apaixonado e explosivo. A explosão ganhou crença pela localização do estádio, ao lado do antigo depósito de pólvora do exército. Vai ver foi por isso que o parnanguara Joaquim Américo Guimarães alugou a chácara da família Hauer, no dia 22/05/1912. O dirigente do Internacional sabia que estava fazendo um grande negócio em construir a primeira praça futebolística do Estado.

Dois anos após a locação, Joaquim Américo ajudou a montar os primeiros lances de arquibancada de madeira da “Baixada da Água Verde”. Uma evolução para a época. Essas arquibancadas foram construídas para que as donzelas pudessem apreciar o balé da bola sem se submeter às intempéries da capital fria e quase sempre nublada.

O público feminino comparecia em bom número, com senhoras e senhoritas trajando vestidos coloridos. Os homens, em sua maioria, usavam polainas e lenços na lapela. Quem não ostentava gravata, tinha ao redor do pescoço um vistoso lenço de seda. Alguns até exibiam cartola. Era a confirmação de que a nata curitibana estava presente, provando ser o Internacional um clube da elite.

 

Só que a “Baixada da Água Verde” servia apenas para treinos e jogos contra times da cidade e proximidades (Coritiba, Paranaguá, Rio Branco, Operário e Guarani). Faltava inaugura-lo oficialmente. Foi aí que, em 06/09/1914, Joaquim Américo Guimarães convidou o time do Flamengo, que estava em excursão pelo Estado, para o “debut” do novo estádio. O time carioca venceu o Internacional por 7 x 1 e a partida contou com mais de 3 mil espectadores, recorde de público da provinciana Curitiba.

No dia 31/07/1917, Joaquim Américo morreu prematuramente. Sete anos depois nasceu o Atlético, originado da fusão do Internacional e do América. A Baixada, então terreno da família Hauer, foi locada por mais cinco anos. Ainda em 1924, a Prefeitura de Curitiba doou ao Atlético um terreno ao lado do Passeio Público, onde hoje está o Círculo Militar. Para ficar com a posse definitiva do local, o clube teria que construir, a curto prazo, um estádio. Com muitos estudos, verificou-se a inviabilidade da obra, já que o terreno era um banhadão.

O tempo foi passando e o período de locação da Baixada chegou ao fim. A família Hauer deu um ultimato ao Atlético: não aceitava mais alugar a Baixada; exigiam a compra. Sem dinheiro em caixa, o clube ia ficar sem onde treinar e mandar os jogos. Poderia ser o fim do rubro-negro recém fundado. Foi a partir desse caso que o Presidente Luiz Feliciano Guimarães e o empresário Hermano Franco Machado adquiriram o imóvel de Carlos Hauer e o alugaram para o Atlético.

A Baixada passou a ser definitivamente do Atlético em 1933. O, então, Presidente do Paraná, Afonso Camargo, doou um terreno na Colônia Argelina, à beira da Estrada da Graciosa, no Juvevê. O livro Atlético, Paixão de um povo, faz a seguinte citação na página 248: “Mais uma vez, viu-se o Atlético diante de um presente de grego: ‘a cavalo dado não se olha os dentes', com certeza, mas construção do estádio naquele local, inegavelmente distante, não deixava de ser uma temeridade. Quase uma viagem. De automóvel ainda vá lá, mas quem é que tinha automóvel naqueles tempos?... De maneira que os dirigentes se fingiram de mortos, principalmente beneficiados pela cláusula ‘ad perpetuam' contida na escritura de doação. Sem condicionante, portanto, haveriam de aguardar solução apropriada que partisse do destino. De qualquer modo, Luiz Guimarães ia deixando, enquanto podia, as coisas como estavam, tinha feito um investimento ou, pelo menos, época de crise, um bom empate de capital.”

O problema foi resolvido pelo interventor Manoel Ribas, que desejava criar uma escola superior de Agronomia em Curitiba. O local escolhido? O terreno do Atlético, na Colônia Argelina. Ribas propôs o seguinte negócio: compraria a Baixada da Água Verde de Luiz Feliciano Guimarães e Herculano Machado e, na posse e domínio deles, faria a permuta das áreas, uma pela outra, a Baixada pelo terreno do Juvevê. Pronto! A Baixada era definitivamente do rubro-negro. Em 1934 o estádio passou a se chamar Estádio Joaquim Américo Guimarães.

 
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