1936 - Campeão invicto

Depois das confusões que aconteceram no campeonato de 1935, a Federação Paranaense de Desportos preferiu não inventar fórmulas mirabolantes, adotando o prático turno e returno por pontos corridos.

Reforçado pelo zagueiro Zanetti, que depois de três anos de experiência na suburbana retornou ao clube que defendeu em 32 e 33, a diretoria atleticana estava disposta a investir nas contratações para recolocar o clube no degrau mais alto do futebol do estado. Para isso, foram contratados o zagueiro Osório e os meias Bibe e Ari Cecatto.

O poderio do time atleticano pôde ser visto já no Torneio Início, quando venceu o Savóia (4 a 0) e empatou com Palestra Itália e Ferroviário (0 a 0), garantindo o título por ter um escanteio a mais que os ferroviários.

Em 11 anos de existência, o quinto título do Rubro-Negro.

No Campeonato Oficial, o Atlético mostrou a força de seu conjunto, ficando mais uma vez com a taça sem sequer perder um jogo – em doze partidas, foram nove vitórias e três empates. A equipe marcou 25 gols e sofreu apenas sete, tendo a melhor defesa do Paranaense e também um dos artilheiros da competição, Bento, com 10 gols.

A equipe começou o Paranaense com uma vitória por 3 a 2 sobre o Savóia. Na seqüência, uma goleada por 5 a 0 sobre o Junak, um empate sem gols com o Ferroviário e uma vitória por 2 a 1 sobre o Palestra. No clássico Atletiba, empate por 1 a 1. E, para fechar o primeiro turno na ponta da tabela, vitória por 1 a 0 sobre o Britânia.

No segundo turno, o mesmo ritmo. A equipe empatou por 0 a 0 com o Savóia e venceu Palestra Itália (2 a 1) e Ferroviário (3 a 0). A quinta conquista estadual estava bem perto de acontecer.

Campeão com três rodadas de antecipação

No dia 04 de outubro, o clássico Atletiba podia consolidar o título atleticano. Por isso, a imprensa passou a noticiar o confronto como uma grande final. “Dois grandes rivais em luta sensacional” , destacou a Gazeta do Povo daquela data. A partida já tinha os ingredientes de um grande clássico na cidade, na qual paixão e ódio estão muito próximos: “o jogo onde o entusiasmo, o ardor, vontade e a rivalidade dos combatentes sobrepõem-se à técnica e à harmonia do conjunto” , afirmou o jornal.

A partida teve um desenho tático interessante. Apesar de ter um time superior tecnicamente que o adversário, o Atlético não conseguiu impor seu forte ritmo de jogo. O Coritiba, por sua vez, perdeu as oportunidades que criou, não sabendo explorar o domínio que teve.

E numa jogada de ataque bem articulada, Nano marcou o gol que garantiu o 1 a 0 no placar e o título de Campeão Paranaense o Atlético, com três rodadas de antecipação.

Restaram ainda dois jogos e as vitórias por 4 a 1 sobre o Britânia e 3 a 1 sobre o Junak garantiram o título de campeão invicto ao rubro-negro da Baixada.

Final - Paranaense - (04/10/1936) - Atlético 1 x 0 Coritiba
L:
Baixada; A: Radamés Schiavon; G: Naná.

ATLÉTICO: Caju; Zanetti e Osório; Korman, Bibe e Bortolotti; Raul (Naná), Zinder, Bento, Cecatto e Cecattinho.

CORITIBA: Ari; Borges e Sadi; Nide, Carnieri e Lival; Jaime, Joãozinho, Gabardinho, Pizttinho e Carnierinho.

Campanha

12 jogos: 9 vitórias / 3 empates / 25 GP / 7 GC

1º turno:
22/03 – Atlético 3 x 1 Savóia
05/04 – Atlético 5 x 0 Junak
19/04 – Ferroviário 0 x 0 Atlético
03/05 – Atlético 2 x 1 Palestra
10/05 – Coritiba 1 x 1 Atlético
24/05 – Britânia 0 x 1 Atlético

2º turno:
12/07 – Savóia 0 x 0 Atlético
26/07 – Palestra Itália 1 x 2 Atlético
23/08 – Atlético 3 x 0 Ferroviário
04/10 – Atlético 1 x 0 Coritiba
18/10 – Atlético 4 x 1 Britânia
25/10 – Junak 1 x 3 Atlético

Artilheiro:
Bento: 10 gols (artilheiro do campeonato)

Personagens

Caju: considerado pela Gazeta do Povo da época o “baluarte do conjunto atleticano”, Alfredo Gottardi foi o goleiro menos vazado da competição e um dos principais destaques da conquista invicta do Atlético.

Zanetti: Otávio Zanetti foi o comandante da zaga atleticana no campeonato. O zagueiro central foi uma espécie de marca registrada do bom futebol e vigor físico. Foi considerado uma espécie de muro de proteção à meta defendida por Caju, colaborando para que o rubro-negro tivesse a melhor defesa da competição.

Bento: Bento Ferreira da Rocha foi o autor de dez dos 25 gols que o Atlético marcou na competição. Dividiu o posto de maior artilheiro do campeonato com Turin, do Savóia.

 
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