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28 nov 2002 - 17h38

A quem interessar possa

Meu nome é Mauricio, tenho 32 anos e sou Atleticano. Comecei a freqüentar a Baixada (e outros estádios que não vêm ao caso) somente a partir de 1.978 (1º jogo CAP 6×2 Iguaçu de U. da Vitória). Durante os anos seguintes eu vi o Atlético passando por muitas coisas ruins e algumas boas. O final da década de 80 até a metade da década de 90 foram DE AMARGAR, hoje em dia quando passo na frente do pinheirão eu me arrepio de frio mesmo que o sol esteja brilhando.


A partir do momento em que o sr. Mario Celso Petraglia assumiu o comando do Atlético viu-se o que todos já estão cansados de saber, o clube ressurgiu das cinzas como a Fênix da antiga lenda grega. Chegou até o topo da glória que um time Brasileiro pode almejar dentro das fronteiras do país.


Antes de eu ter qualquer estatueta de santo em minha casa eu vou ter uma de São Petraglia, pelo que ele fez e ao que ele se expôs em nome de sua paixão pelo Atlético. O passado porém, é passado. Petraglia tem sim uma parcela de responsabilidade pelos resultados ridículos alcançados pelo time em 2.002. E ele, sendo o bem sucedido homem de negócios que é, sabe disso e com certeza tirará boas lições de tudo o que se passou no Atlético neste ano.


Em minha modestíssima opinião de torcedor doente, o maior dos erros foi a falta de cobrança. Em 2.001, tudo o que poderia ser dado aos jogadores para que eles tivessem totais condições de alcançar um título nacional foi dado, e eles assim o fizeram. Em 2.002 foi dado mais ainda, além do que eles conseguiram por seus próprios méritos, como por exemplo a convocação de Kléberson para a copa e sua conseqüente explosão durante a competição.


Sabe que depois de assistir ao programa TV Furacão por umas três vezes eu não assisti mais, porque estava me dando raiva? Eu vi toda a infraestrutura de apoio aos jogadores, o restaurante (não é refeitório não, é RESTAURANTE), o consultório odontológico, o departamento médico/fisiológico, psicólogo, acomodações dignas de hotel de algumas estrelas, educação, transporte aéreo para todos os jogos fora de casa e acomodações nos melhores hotéis do Brasil. Tudo o que a maioria do povo Brasileiro da classe mais baixa NÃO TEM E NUNCA TERÁ! E tudo isso em troca do quê? Do PRAZER de se jogar futebol. Os caras GANHAM para jogar futebol. Qual é o Brasileiro que não sonha com essa vida? Faltou mexer no bolso dos caras. Faltou dar uma sacudida em alguns, eu pensei que com a chegada de Abelão e Clemente a coisa ia mudar, mas pelo jeito nem eles já não são mais os mesmos. A diretoria do Atlético cometeu um erro sim, foi muito paternal com os jogadores. E eles se folgaram, acharam que mandavam no clube, que derrubavam o técnico quando bem entendessem, que ninguém podia cobrar nada deles pois eles tinham sido campeões. Só que ninguém explicou para os burrinhos que um grande sucesso traz consigo grandes responsabilidades. E daí vêm as cobranças. Eu nunca vou cansar de repetir, se não gostam de cobrança, mudem de profissão.


Gastei R$98,00 para comprar uma camisa oficial do time e fui para a Baixada, assisti aos jogos contra o vasco, palmeiras, botafogo e fui vendo o desempenho do time diminuindo. A sensacional vitória contra o corinthians me encheu de esperanças. E depois voltei ao estádio nos jogos contra o gama, ponte e s. caetano para ver sabe o quê? Um bando de VAGABUNDOS andando em campo. Vocês podem dizer que eu fui ao estádio porque quis, ainda mais estando desempregado como estou, e que poderia ter usado os R$45,00 das 3 derrotas do time + R$98, 00 da camisa para algo muito mais útil, mas não, fui ao campo ver se conseguiria reviver alguns daqueles momentos mágicos do final do ano passado. Quanta desilusão…


Quanto aos jogadores: eles têm o direito de sair à noite e entortar o caneco? Têm. Eu também tenho. Agora, se a minha saída para a gandaia prejudica minha performance no trabalho quem é que vai ficar frustrado? Meu chefe, meus companheiros de trabalho, minha família (se no fim eu acabar sendo demitido pela minha queda de rendimento). Quanto aos jogadores, eles frustram gente o suficiente pra encher uma cidade, um país de pequeno porte. Se eles não querem aceitar essa pressão, então me desculpem os que já foram jogadores e tendem a defendê-los, até de maneira inconsciente, mas eles que vão procurar outra profissão. Jogador de futebol É SIM uma profissão diferenciada das outras. Eles TÊM SIM menos direitos do que deveres. Digo e repito: se não gostam disso, vão procurar outra coisa para fazer. Com certeza não fui eu quem disse para eles serem jogadores de futebol. Ninguém ali é criança, ou como diz um grande amigo meu: “Se está com medo por quê veio?”.


Alguns dos jogadores do elenco já não querem mais jogar no Atlético? Então que sejam HOMENS, vão ao microfone de uma rádio ou televisão e digam em alto e bom som: “Eu não quero mais jogar no Atlético!”, garanto que a torcida vai ficar menos revoltada do que já esteve neste ano, a ponto de tentar agredí-los. E tomara que vão jogar no flamengo, no botafogo ou no palmeiras, bons ventos os levem!


Aliás, é um tremendo sinal de BURRICE da parte dos jogadores sair por aí exibindo seus carrões importados comprados com o salário que em parte (uma parte pequena mas nem por isso menos significativa) é pago com o dinheiro deixado pelo torcedor nas bilheterias do estádio. Isso depois de dar um vexame atrás do outro, demonstrando toda a sua falta de vontade em defender o clube. Parece provocação…


Eu sempre fui um defensor do Kléber, até o último Atle-tiba desse ano. Sabe o que eu desejo para o Kléber agora? Não posso falar sob risco de que até vocês, que não têm nada a ver com o pato, se ofendam. O mesmo eu desejo para o Alessandro, Rogério Correia, Kléberson (que eu elevei às alturas durante a copa) e outros. Que vão todos para aquele lugar, sabe? Aquele, beeeeeeeem lá longe… Vocês vão dizer que essa instabilidade é típica do torcedor Brasileiro, que endeusa num dia e destrói no outro, e em especial do torcedor Atleticano. Eu vou lhes dizer que é simplesmente um reflexo do que eu vi com meus próprios olhos. Pela minha cartilha eu não piso no pé de ninguém, mas se pisarem no meu (e for de propósito), sai da frente.


Flávio, Igor, Cocito, Adriano, esse podem ficar. Sempre demonstraram DECÊNCIA, não é nem de profissionalismo que eu falo, e sim de DIGNIDADE e DECÊNCIA. É quando o jogador olha para a arquibancada e realmente enxerga o povo que está ali, pagando caro pelo ingresso, enxerga as crianças que entram no estádio como se estivessem vivendo um sonho para ver o KLÉBER, o ALEX MINEIRO, o XAROPINHO, verdadeiros heróis na cabecinha ingênua deles. E acabam vendo uns marmanjos desinteressados, que só pensam em dinheiro, sacanagem, correntinha de ouro (para quê correntinha de ouro num jogo de futebol, meu deus?), BMW, Johnny Walker… O pior é que no fundo as crianças nem entendem essa parte feia da história, elas só olham para você e perguntam “Por quê o Atlético perdeu?”. E você nem sabe aonde enfiar a cara. O futebol, meu deus, é ARTE! É muito mais do que um contra-cheque no fim do mês!


Eu não me importo que o time perca, Nem (ô palavrinha incômoda) que apanhe feio, desde que eu veja seriedade e dedicação em campo. Vocês podem até discordar de mim, mas eu quando vou ao estádio estou comprando uma mercadoria. Eu estou comprando a dedicação e o empenho dos jogadores durante aqueles noventa minutos, eu quero ver os caras se comportando de maneira decente e me respeitando como torcedor, pois uma parte do meu dinheiro está indo para o bolso deles. Fora a minha voz, meus nervos, minhas unhas que estão indo pras cucuias… Se eles não me respeitam, o que me impede de encontrar um deles na rua e dar-lhe umas porradas? Na verdade eu jamais faria uma coisa dessas, é contra minha natureza. Mas vocês já viram que tem gente que não pensa como eu, e não é tão pouca gente como foi divulgado pelos meios de comunicação. A maioria desses descontentes mais exaltados não estava lá na saída do estádio no fatídico dia das pedradas. Talvez por terem saído do estádio tão desorientados, tão desencontrados que nem pensaram em cobrar algo dos jogadores. Se todos tivessem tido a mesma idéia eu arrisco dizer que o resultado da confusão teria sido bem pior. Os jogadores não sabem do que eles escaparam naquele dia.


Eu parei de ir ao estádio depois do jogo com o s. caetano. Meu pai comprou o pacote de ingressos e continuou indo, ele que sempre foi um defensor dos mais ferrenhos dos jogadores em qualquer época, mesmo nas mais lamentáveis. Ele que NUNCA saiu do estádio antes de um jogo acabar, chegou mais cedo em casa no dia do jogo com o internacional, e tão cabisbaixo que se eu encontrasse um jogador do Atlético na rua naquele dia provavelmente teria cometido uma besteira.


O que dizer de Preto, Fabrício, Wellington Paulo? O que essas figuras toscas acrescentaram ao elenco do clube? Quem ganhou com a vinda desses jogadores? E quanto ganhou? Comparem isso com o prejuízo que o clube teve. E o prejuízo que OS PRÓPRIOS JOGADORES tiveram? Se bem que eles provavelmente estejam mais preocupados com os presentinhos que vão dar para “as meninas” da noite. (Deixo aqui bem claro que não tenho nada contra as profissionais do sexo, elas são tão dignas de respeito como qualquer profissional, desde que exerçam sua profissão e se conduzam de maneira digna).


Quem não merece respeito são esses BURROS que desperdiçaram suas carreiras dando esse vexame jogando esse ano pelo Atlético. Ou será que eles pensam que algum time por aí vai querer contratar “aquele cara que se abaixou pra pegar a correntinha no meio do jogo”? Será que eles pensam que isso não se comenta pelos bastidores do futebol? Será que eles pensam que o resto do Brasil é tão cego e burro quanto fomos nós, torcedores Atleticanos, em acreditar numa suposta seriedade por parte destes nossos “campeões invencíveis”? O que acontece com nós Brasileiros, que depois de alcançar uma vitória não conseguimos descer das nuvens a não ser quando nos esborrachamos no chão? Tenho medo do que vai acontecer com a seleção daqui em diante…



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