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25 abr 2003 - 9h55

Kleberson

Ainda me lembro como se fosse hoje. Intervalo de Atlético 0, Paraná Clube 1, no Couto Pereira. Os times voltam para o segundo tempo e o Atlético vem com uma novidade: um garoto chamado Kleberson, jogando pela lateral-direita, ali na reta da Mauá. Fez boa partida, enquanto Lucas e Adriano consagravam o goleiro Régis com dois recuos de bola da marca do pênalti. Já ouvi dizer pelas lendas do futebol que, o futuro craque quando estréia, seu time perde. Pois bem, o resultado final da partida foi Paraná 1 a 0 e o Atlético fora da Copa Sul.

Três dias depois, uma quarta-feira santa, estava eu nas arquibancadas do Mineirão para o jogo da volta pela segunda rodada da Copa do Brasil de 99. O Atlético vencia o Cruzeiro por 2 a1, quando surge novamente Kleberson no time. Minutos depois, o garoto recebe de Adriano e, com muita categoria, bate por cobertura pra fazer um belo gol no Mineirão. Era o seu primeiro como profissional. Na saída do estádio, ouvi uma entrevista de Antônio Clemente, então técnico do Atlético, respondendo a uma rádio de Minas como o Furacão tinha surpreendido o Cruzeiro. “É um time audacioso, muito jovem ainda. Veja esse garoto Kleberson, por exemplo, foi a primeira vez que subiu num avião.”

Pois bem, o tempo foi passando e Kleberson entrando no decorrer das partidas, sempre com um futebol de encher os olhos. Fez gol por cobertura contra a Portuguesa de Zagallo na mesma Copa do Brasil e, até hoje, não entendo porque não entrou no fatídico jogo de desclassificação contra o Botafogo no Pinheirão.

No final do ano, veio a Seletiva da Libertadores. Jogo após jogo, eu e mais alguns amigos ficávamos atrás do banco do Vadão, insistindo até conseguir: – Vadão, põe o Kleberson. Põe o Kleberson, Vadão. Era nítida a melhora da equipe com a entrada do Xaropinho.

Aí veio 2000, o feliz 2001 para todos nós – onde Kleberson realmente arrebentou – e a consagração com a camisa amarela numa Copa do Mundo. Ao acordar naquela madrugada do jogo da Inglaterra, quando ele seria titular pela primeira vez na Copa, lembrei de todos esses fatos. Fiquei feliz por ter estado presente nos grandes momentos da carreira de Kleberson até então. Sabia que faria uma grande partida, que não iria amarelar. Não me decepcionei. Nem eu, nem o mundo. Acho até que o Xaropinho ficou mais falado pela bola no travessão da final, do que se tivesse feito o gol.

O resto dessa história todos os atleticanos estão sentindo na carne. Não sei se você vai ler esse texto, Kleberson. Também não sei se você ainda se interessa sobre o que pensa a torcida atleticana. Na verdade, nem sei se você ainda se interessa pelo nosso clube de coração. Mas quero te dizer que, tudo o que descrevi acima, é motivo de muito orgulho para mim e para milhares de atleticanos. Orgulho que, nos últimos jogos, se transformou numa grande decepção. Hoje me envergonho do futebol que você vem apresentando. Minha paciência estourou no domingo, vendo tua pífia atuação em Fortaleza. Está muito claro que isso não é má fase, e sim má vontade. Se a tua humildade e a tua disposição firacam lá em Yokohama, sinto muito. É uma pena uma bonita carreira sendo atirada na lata do lixo por atitudes assim.

Gostaria que no domingo, antes de você embarcar para o Rio de Janeiro para encontrar com seus novos amigos da Seleção, você lembrasse que tem um compromisso com a nação rubro-negra na Arena. Mesmo que sejam poucos os que estiverem lá, pode ter certeza que eles merecem o teu esforço e o teu amor em vestir essa camisa. Mas se você acha que estou pedindo demais, nem precisa voltar. Por favor, Kleberson.



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