20 fev 2004 - 15h56

Marcio Alemão revive episódio de Cléber

O porteiro da sede do América, de Natal, deve ter achado estranha a visita de João Maria Belmont, diretor de futebol do rival ABC, na noite da última quarta-feira. Belmont estava apressado e, antes mesmo de ser anunciado, seguiu direto para a sala de reuniões do alvirrubro.

Foi lá que ele encontrou o zagueiro Marcio Alemão, que aguardava os dirigentes americanos para assinar contrato com o clube. Marcio é um sujeito de 1,86 m, de pouco sorriso e com mais jeito de lutador do que de jogador de futebol. O apelido que carrega junto ao nome não nega a origem de seus ascendentes: seu cabelo é loiro e a pele, avermelhada.

Mas o diretor de futebol do ABC não tinha muito tempo para conversar com o zagueiro ali, na sede do rival. Sua função era impedir a assinatura do contrato e convencer Marcio a acertar com o ABC, como havia sido combinado com seu empresário e com o Atlético, dono dos direitos federativos do jogador.

A história de Marcio Alemão no futebol potiguar é uma repetição do polêmico episódio protagonizado pelo atacante Cléber em 1998. Naquele ano, o Atlético foi buscar Cléber no futebol espanhol. Ele se apresentou ao clube e estava concentrado em um hotel para o jogo contra o Santos quando foi capturado por dirigentes do Coritiba.

Em uma manobra arriscada, os coritibanos endividaram-se para impedir que Cléber acertasse com o rival. O atacante acabou indo para o Coxa, mas teve um desempenho pífio. Sua passagem pelo clube tornou-se mais marcante pela dívida milionária que causou do que pelos gols que marcou.

O caso de Marcio Alemão foi parecido, mas teve um desfecho distinto. Depois de ajudar o Atlético a ser campeão da Copa Sesquicentenário, seu contrato foi renovado até o final de 2005. Apesar disso, o técnico Mário Sérgio decidiu não aproveitá-lo nesse ano e o Atlético aceitou emprestá-lo ao ABC.

Ao chegar em Natal, o zagueiro foi “seqüestrado” pelos dirigentes americanos, na visão dos abecedistas. Porém, antes de a troca se concretizar, o ABC conseguiu ficar com o zagueiro e ele fez sua estréia na última semana na vitória sobre o Potiguar por 3 a 0. “Me impressionou a honradez dos dirigentes paranaenses, que mantiveram a palavra e disseram que para o América o jogador não iria”, afirmou o diretor João Maria Belmont, provavelmente sem saber que os atleticanos já foram vítimas do mesmo golpe.

Saiba mais:
Ficha técnica de Marcio Alemão



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