21 set 2004 - 1h38

Opinião de Ricardo Campelo

O colunista Ricardo Campelo escreve sobre comentários infundados sobre o Atlético por parte da mídia. Confira:

Os Criticistas
por Ricardo Campelo

Neste Domingo, apesar da vitória rubro-negra, grande parte da torcida atleticana passou raiva diante de desaforos como "esse Atlético Paranaense é nuvem passageira. Só ganhou do Cruzeiro porque a arbitragem arrumou dois pênaltis e uma expulsão. É um time limitado e terminará o campeonato atrás de Corinthians, Palmeiras e São Paulo". O autor destas frases é Paulo Roberto Martins, o "Morsa" do Terceiro Tempo (programa de Milton Neves). Se você não é um aficionado por programas esportivos e um ás do controle remoto, certamente não conhece o sujeito.

Pois então. Pouca gente sabe quem é o cidadão, cuja marca registrada é diminuir aquilo que os outros exaltam, o que quer que seja. Porém, neste início de semana só se fala nele. Todos querem compartilhar a indignação despertada por suas palavras, e assim vão alastrando o alcance destas. Não dá pra deixar de notar, portanto, qual a intenção do cronista. Também não dá para não perceber que esta intenção foi alcançada, e que no próximo Domingo será grande o número de atleticanos sintonizando a Record para ver o que "o tal do morsa" vai falar. Mordemos a isca. Elementar.

É a nova ordem do jornalismo no Brasil, país que tem como principal colunista, de sua revista de maior circulação, Diogo Mainardi. Um cidadão que nunca fez nada de grande expressão e ganha o seu pão saciando a vontade inconsciente dos leitores de ver alguma pessoa ou tema ser depenado. A raiva destes, descontada nas milhares de correspondências enviadas à redação da revista só comprova ma coisa: que o Ibope da coluna está cada vez mais alto. Meu amigo mais culto chegou a me confessar: "O que mais me dá raiva é que eu abro a Veja e vou direto na coluna do Mainardi".

Confesso que já passei raiva com Mainardi. Quando chamou Ayrton Senna de "banal", tive vontade de rasgar a revista (não por achar o piloto um gênio das palavras, mas por entender que suas ideologias não devem ser julgadas da forma intempestiva e grosseira como faz Mainardi). Mas quando o colunista afirmou que o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima terminaria a prova olímpica na sétima colocação, não fosse o incidente com o maluco, que o teria dado "um fôlego a mais", não consegui levá-lo a sério. E aí abri os olhos – ninguém poderia acreditar naquilo. Diogo Mainardi não escreve o que pensa. Ao invés de escolher um tema e a partir daí formar e expressar o seu juízo, faz o inverso: elege a crítica como ponto de partida, e sai em busca do alvo. Isso nem crítica é, é um "criticismo". Quanto mais repercussão, melhor. Ou seja, quanto mais pessoas acharem que este tema não deve ser criticado, melhor. Daí as críticas a Senna, Dráuzio Varela, aos atletas olímpicos e por aí vai.

A discórdia dá "Ibope". Nos reality shows, por exemplo, quanto maior o barraco, maior a audiência. No programa de variedades "Pânico", da Rádio Jovem Pan FM, a produção chegou a efetivar uma ouvinte cuja única função é alfinetar os convidados com colocações ou perguntas constrangedoras, por mais descabidas que sejam – e aí chovem ouvintes telefonando para reclamar da moça, ou seja, estão coladinhos no rádio prestando atenção nos desaforos e mantendo a alta audiência da emissora. "Falem mal mas falem de mim", o ditado nunca foi tão válido. Quem já não comentou com um amigo a raiva que tem do "idiota das Casas Bahia", ajudando a empresa a fixar seu nome na mente do consumidor?

Essa ordem é difícil de ser mudada. Paciência. Mas o que podemos – e devemos – entender é que a reclamação nada mais é do que um feedback de que o seu alvo está criando grande repercussão. E repercussão, para qualquer meio de comunicação, é sinônimo de audiência alta. Ponto. O velho "vamos lotar a caixa de e-mails deste … " certamente não vai ocasionar a demissão do sujeito, a ser substituído por um cronista que exalte a maravilhosa infraestrutura do Atlético e a sua bela campanha no atual campeonato.

Não demos bola para os "Morsas". Mesmo porque seu desconhecimento sobre o esporte é cristalino. Se pararmos de nos incomodar com as besteiras esgrimidas por este tipo de crítico, deixaremos suas palavras à deriva, e aí sim a crise estará criada dentro de seus canais.

Além do que, acho ótimo que a mídia desacredite o Atlético. Correr por fora é muito melhor. Evita o "salto alto" e fornece o benefício da surpresa. Deixemos que creiam que só vencemos o Corinthians porque o zagueiro Váldson existe, e que Paulo César Oliveira nos ajudou no Mineirão. Que o time do Santos reina nesta "terra de cegos". Quando a mídia paulista/carioca se der conta, já vai ser tarde demais: estarão com o rabo entre as pernas fazendo o inevitável: exaltando o "Atlético do Paraná".

Ricardo Campelo é colunista da Furacao.com. Clique aqui para ler outros textos de sua autoria.

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