5 out 2004 - 13h22

Folha de SP destaca o 3-5-2 atleticano

A Folha de S. Paulo publicou reportagem nesta terça-feira sobre o sucesso do esquema 3-5-2 no Brasil. O principal símbolo desse sucesso é o Atlético. O clube foi o único campeão brasileiro atuando nesse esquema e, ainda jogando no 3-5-2, é o líder da atual edição.

Confira a reportagem da Folha, publicada no espaço principal do caderno de Esportes:

Moribundo pelo planeta, 3-5-2 triunfa no Brasil
por Paulo Cobos e Toni Assis, da reportagem local

Em praticamente todo o mundo ele já é obsoleto. No Brasileiro-2004, é sucesso absoluto.

O esquema tático com três zagueiros lidera o campeonato, com o Atlético-PR, é adotado por três dos quatro times que estão hoje na zona de classificação à Libertadores da América e está no repertório de sete dos dez times melhores na classificação no momento.

O 3-5-2 nunca foi preferência nacional. Até hoje, só foi campeão brasileiro uma única vez, em 2001, com o mesmo Atlético-PR. Foi também alçado à condição de salvador do Brasil ao ser adotado por Luiz Felipe Scolari na conquista do pentacampeonato mundial da seleção, em 2002.

Na Europa, virou praticamente peça de museu. Quase todos os clubes desse continente, incluindo Real Madrid, Milan e Arsenal, usam a linha de quatro defensores, como gosta Carlos Alberto Parreira. "É um sistema mais equilibrado e como o futebol brasileiro sabe jogar", afirma sobre o 4-4-2 o atual técnico do Brasil.

Mas o 3-5-2 ganhou sobrevida com ótimos resultados no Brasileiro. Isso principalmente com o Atlético-PR, que nunca abandonou durante o torneio a tática idealizada por Mário Sérgio, que era o treinador do time paranaense até poucos dias antes do início do Nacional. "Peguei o time já armado e com um ataque especialmente forte", comemora Levir Culpi, que manteve a tática e tem um time forte na defesa e no ataque -os paranaenses possuem o melhor saldo de gols do Nacional.

Se para o Atlético-PR a aposta nos três zagueiros foi planejada, em outros clubes foi a solução para mandar a crise embora.

Só depois que Tite assumiu, e trouxe o mesmo 3-5-2 com que foi campeão da Copa do Brasil pelo Grêmio em 2001, o Corinthians deixou a zona de rebaixamento.

O treinador gaúcho refuta a acusação que sua tática preferida seja sinônimo de defensivismo.

"A utilização do esquema com três zagueiros não torna um time defensivo. Tudo depende das peças que você tem em mãos. Quem critica esse tipo de estratégia é porque não tem um conhecimento específico ou nunca trabalhou com ele", declara o corintiano.

O Juventude é outro time que cresceu depois de adotar o 3-5-2. Hoje, o time está em quarto lugar e seria um dos brasileiros na próxima Taça Libertadores da América. "No Juventude eu uso o 3-5-2 porque tenho três zagueiros com ótima saída de bola. Quando o rival nos marca por pressão, os zagueiros saem para o jogo e eles perdem a referência para nos neutralizar", diz Ivo Wortmann, técnico da equipe gaúcha.

Outro time na zona da Libertadores, o São Caetano, não abre mão da linha de três zagueiros nem quando tem desfalques. No último sábado, contra o Goiás, Péricles Chamusca improvisou o lateral Ceará na zaga, mas não mudou o esquema que segundo ele mesmo não é bom para os olhos dos torcedores.

"Quem quiser espetáculo que vá ver o show da Ivete Sangalo", já sentenciou Chamusca, que comanda o time que faz jogos com média de 2,15 gols por confronto, a segunda menor da competição.

Até quem fala mal do 3-5-2 parece estar mudando de idéia.

Ao assumir o São Paulo, Emerson Leão disse que só iria manter o esquema de Cuca, com os três zagueiros, por não ter outra opções no seu elenco.

Agora, depois de duas vitórias e com o quinto lugar na classificação, dá pistas de que aprova o trio Lugano, Fabão e Rodrigo na zaga.

"Os jogadores estão com uma mentalidade vencedora e aceitando a minha filosofia de jogo", afirma o técnico são-paulino.

Goiás e Ponte Preta são outros top ten que recorrem com freqüência aos três zagueiros.

Com só 12 rodadas para o final do Brasileiro deste ano, o único clube com fôlego para evitar o título de um time com tática 3-5-2 é o Santos. Vice-líder, com três pontos de desvantagem para o Atlético-PR, o time de Vanderlei Luxemburgo segue com o 4-4-2.

Clubes contam com peças para usar esquema

Peças no lugar certo. É assim que os clubes adeptos do 3-5-2 vão bem neste Brasileiro.

Todos eles têm jogadores com características ideais para jogar sob esse sistema. O São Paulo tem Cicinho, que não repete a deficiência da maioria das equipes que usam o 3-5-2.

Ele é um lateral que primeiro ataca para depois defender, tanto que já marcou oito gols, o recorde entre os defensores.

No São Caetano, Dininho é um zagueiro que sabe sair para o jogo -ele tem média de 1,2 lançamento por partida, marca que o coloca entre os 20 melhores nesse fundamento, segundo o Datafolha.

Paulo Baier se reveza no Goiás entre a lateral direita e o meio-campo. Ele soma seis assistências no campeonato, recorde de seu time.

O Atlético-PR tem vários jogadores talhados para o 3-5-2.

Na ala direita, Levir Culpi conta com Fernandinho, um meia de origem que é forte no apoio. Na zaga, tem Marinho e Rogério Correia, que já foram campeões com essa tática.

Todas as equipes que usam o 3-5-2 têm laterais e atacantes como jogadores mais acionados. A maioria dos outros times têm jogadores de meio-campo como os mais procurados na hora dos passes.



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