9 nov 2004 - 10h28

Opinião de Juliano Ribas

O colunista Juliano Ribas fala sobre a volta do Atlético para a Arena da Baixada e a superação de um momento de turbulências:

"Eu Voltei"
por Juliano Ribas

O Atlético está voltando para casa. Depois do desterro, o acalanto do lar. A casa da gente, como se diz, é o melhor lugar do mundo. E nada melhor do que voltar para casa depois de ter triunfado. Mais que uma volta, é uma volta por cima. O Furacão voltou.

O Clube Atlético dos Paranaenses sofreu muitos golpes nas últimas semanas, mas soube conseguir, com fé e raça, a volta por cima. Surpreendeu o Brasil, a surda e cega imprensa do eixo e, até mesmo, alguns poucos atleticanos mais céticos. Acredito que a grande nação Rubro-Negra, em sua maioria, esperava o retorno do Furacão a dias melhores e à liderança do certame. Após os dias difíceis de adaptação à vida sem Dagoberto, após sentirmos o gosto amargo da injustiça, depois de perdermos a liderança, de suportarmos ver o nosso nome usado de armações que buscavam apenas audiência televisiva, mandar jogo a mais de mil quilômetros da Arena da Baixada, depois de perdas e vitórias no tapetão, vamos para casa, a nossa verdadeira casa, Rua Buenos Aires, 1370, Curitiba, Paraná. Com o Furacão líder, vai ter festa na Baixada.

Festa sem copo, bandejinha de papelão ou até mesmo cuspe no gramado. Nem bituca de cigarro. Nem em pensamento. Bom, se depois de tudo alguém atirar alguma coisa no campo de jogo, chama a polícia, porque não é atleticano, é um sabotador. E se o sujeito for atleticano, chama o hospício, porque esse já perdeu o juízo faz tempo. E não esqueçam da camisa-de-força. Se bem que, nos dois casos, seria necessário também uma ambulância. Sou absolutamente contra qualquer tipo de violência, mas seria difícil segurar o ímpeto do pessoal em volta de um maluco que jogasse qualquer coisa no gramado. Mas isso não vai acontecer. Prefiro encarar esse possibilidade como algo remoto, coisa do passado.

O Atlético "voltou à rota", como disse o comandante Levir, da "CAP Linhas Aéreas". Agora, passada a turbulência e corrigidos os desvios, o Atlético terá de estar com o GPS em dia e de olho na bússola, ter toda a atenção e concentração para não se perder de novo. Não há mais tempo para ajustes. A viagem rumo ao paraíso está nos seus instantes finais e quem bobear vai chegar atrasado. Contra o Criciúma, estaremos iniciando os procedimentos de aterrissagem. Tudo deve ser feito de maneira correta, para evitar contratempos. Temos quatro jogos teoricamente fáceis, este, contra o Criciúma, o contra o 99% rebaixado Grêmio, contra o fraco Vasco e o último, em que espero estar comemorando o bi, contra o Botafogo. E duas partidas de média dificuldade, que são contra Ponte fora e São Caetano em casa. Mas não é assim que esses jogos devem ser encarados. As circunstâncias de uma reta final de campeonato fazem com que todos os jogos sejam difíceis.

A seriedade deve tomar conta dos nossos jogadores nesta reta final. A Baixada vai estar em festa, gritando "bicampeão", mas a mente do time deve estar centrada apenas no degrau a ser superado. A festa fica nas cadeiras da Arena. O time tem que jogar com alegria, mas com um futebol buscando o resultado, sem querer consagração antes da hora, fazer tudo no seu tempo, ditando o ritmo, fazendo o placar de vitória de maneira focada no objetivo final, que é ser campeão. A torcida faz a festa, com toda a propriedade que lhe é de direito, os jogadores não entram nela, apenas a tomam como incentivo para vencer mais uma etapa.

O importante é voltar, é se sentir em casa, com as dificuldades superadas. Com lições aprendidas pelo time, que tem agora a experiência de como sair de uma situação adversa, que aprendeu que nada é impossível quando há doação e não há excesso de vaidade. E por alguns da torcida, que aprenderam definitivamente que suas atitudes negativas podem prejudicar o clube, como o lançamento de objetos no campo. Espero que aqueles que vaiam dirigentes durante as partidas também repensem sua atitudes, pois nada ajudam. "Voltas para casa" sempre inspiraram compositores a fazer belas canções. Que a nossa volta para a casa inspire o Atlético a jogar por música.

E no Ritmo do Rei do Baião, Luís Gonzaga:

"E eu falei viva a Baixada e que se f… o Serra Dourada"

Em tempo:

– Por que o Levir não aproveita mais o Morais nos jogos?

– Foi muito bom ver a bandeira do Atlético, ainda que pequena, hasteada na mesa do Gordo durante toda a entrevista com o Coração Valente.

Saudações Rubro-Negras a todos que acreditam no bi.

Juliano Ribas é colunista da Furacao.com. Clique aqui para conferir outros textos de sua autoria.

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