19 nov 2004 - 11h35

Opinião de Juarez Villela Filho

O colunista da Furacao.com Juarez Villela Filho reflete sobre a onda de intolerância que varre os estádios do Brasil:

Ser chato
por Juarez Villela Filho

Não queria entrar no jogo deles, mas me senti provocado. Lendo matéria veiculada no site RubroNegro.net sobre a indignação santista pela comemoração atleticana, comecei a recordar da atual fase do politicamente correto pela qual passa o futebol brasileiro. Os bons jogadores do alvinegro praiano estão estupefatos com a onda de otimismo atleticano (dos torcedores atleticanos, para ser mais exato).

Reclamam das estrelas douradas nas arquibancadas, querem polemizar as declarações serenas do Levir Culpi, chiaram com relação à contagem regressiva, tentam achar uma joaninha sendo pisoteada no gramado sagrado da Baixada para entrar com uma ação perante o Greenpeace,para interditar nosso estádio. Uma onda de chatice sem tamanho!

Mas o povo está chato. Não consigo mais ver jogos na reta inferior, o setor Getúlio Vargas. Há um grupo que arranja confusão em todos os jogos, os que ficam xingando o Levir o tempo todo e ainda os que vaiam os jogadores que estão indo aquecer. Jogadores do Atlético, pasmem! E ai de você se não concordar com a opinião deles.

Agora são "eles". Enchem a caixa postal aqui do site para reclamar disso, daquilo, falar em meio estádio e dizendo como estarão felizes com a derrota eminente de domingo. Não que "eles" queiram entregar, simplesmente não possuem "envergadura moral" para derrotar o bom time de Luxemburgo e companhia, e já arranjaram uma desculpa antecipada. Como bem descrito pelo competente companheiro Juliano Ribas, de uma pobreza de espírito fora do comum.

Enfim, num mundo tomado pela intolerância dos Georges Bush da vida, israelenses e palestinos, por bascos, católicos e protestantes irlandeses, um dos escapes para extravasar alegria incontida, vibração e paixão parece estar perdendo seu charme. Enquanto a vedete dos jogos deixar de ser a bola e sim um copo plástico vazio, enquanto as principais estrelas dos times são seus advogados e não seus jogadores, enquanto não vemos comemorações bem humoradas como faziam Viola e Paulo Nunes, o futebol vai perdendo um pouco de sua alegria, sua espontaneidade.

E vou parando por aqui, antes que me torne eu mais um chato!

Juarez Villela Filho é colunista da Furacao.com. Clique aqui para ler outros textos de sua autoria.

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